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08/11/2014 09:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

CPIs da Petrobras são prorrogadas até fim do ano; oposição articula retomada em ofensiva

Reuters/Ueslei Marcelino

As comissões parlamentares de inquérito que investigam denúncias de irregularidades na Petrobras terão seus trabalhos prorrogados até o fim do ano. Segundo a Agência Senado, foram protocolados ontem (8) pedidos de prorrogação da CPI no Senado e da CPI mista, o que fará com que as duas comissões trabalhem até as vésperas do Natal.

A comissão no Senado, que terminaria hoje, irá agora até 22 de dezembro, enquanto que a comissão mista, que terminaria no dia 23 deste mês, encerrará em 23 de dezembro.

A Petrobras tem sido alvo de denúncias de desvio de recursos para partidos políticos da base aliada da presidente Dilma Rousseff, entre eles o PT, além de sobrepreço na compra e construção de refinarias. As denúncias de desvio de recursos de obras da estatal para partidos da base foram feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, que estão em um processo de delação premiada depois de terem sido presos pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que desmontou um esquema de lavagem de dinheiro.

Oposição: contenção de danos após 'acordão'

Na última semana, líderes partidários anunciaram acordo para não convocar políticos citados pelos delatores da Operação Lava Jato. O objetivo era blindar partidos — tanto governistas quanto da oposição —, o que causou mal-estar entre parte dos políticos de oposição. Agora, a oposição ensaia colocar em prática um plano para minimizar os prejuízos causados pela divulgação do acerto. A ideia, dizem, é não deixar a sensação de que investigação terminará em "pizza", ou seja, sem apresentar resultados concretos.

Apesar de todos os partidos negarem ter participado do entendimento, os oposicionistas começaram a articular uma retomada na ofensiva da comissão. Na próxima semana, parlamentares do PSDB, PSB e PPS prometem vasculhar os documentos que já chegaram à CPI atrás de novas informações. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) diz que combinou esse esforço com os colegas Rubens Bueno (PPS-PR) e Izalci Lucas (PSDB-DF). O mineiro explica que por causa da campanha ainda não havia sido possível dedicar mais atenção aos papéis.

O "acordão" irritou o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), que divulgou uma nota para desautorizar o entendimento. Aécio voltou ao Senado após ser derrotado nas eleições prometendo fazer uma oposição "vigorosa" contra o governo e cobrando explicações da presidente Dilma Rousseff sobre o escândalo na Petrobras.

O principal argumento da oposição para não tentar convocar os petistas citados nas delações, como o tesoureiro da sigla, João Vaccari Neto, e a senadora Gleisi Hoffmann (PR), foi o de que a comissão ainda não obteve o direito de acessar documentos importantes da Operação Lava Jato, como o depoimento das delações premiadas do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Na avaliação do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que foi o representante do PSDB na reunião que selou o acordo na quarta-feira passada, vai ser muito difícil conseguir avançar no caso sem ter acesso a esses documentos. "A delação premiada não chegou ainda para nós. Eu vou ouvir a Gleisi e ela vai dizer que é mentira o que está publicado nos jornais. Ou seja, não vai adiantar nada", disse.

Ele argumenta, no entanto, que é "fato notório" que os partidos de oposição estão trabalhando para que a investigação continue, uma vez que já começaram a coletar assinaturas para abrir uma nova CPI no ano que vem e dar continuidade às apurações.

Na última quarta-feira, integrantes da CPI foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reiterar o pedido de acesso aos documentos da Operação Lava Jato. O ministro Luís Roberto Barroso — que relata o mandado de segurança impetrado pelos parlamentares — sinalizou que a decisão sobre o caso deve ser tomada na próxima semana.

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(Com Reuters e Estadão Conteúdo)