COMPORTAMENTO
07/11/2014 16:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

11 bruxas da ficção que mostram exatamente o significado do feminismo (FOTOS)

ASSOCIATED PRESS
** FILE ** In this image originally released by Warner Bros., Daniel Radcliff, portraying Harry Potter, left, Rupert Grint, portraying Ron Weasley, center, and Emma Watson as Hermione Granger are shown in a scene from the film,

De todos os seres assustadores já vistos no Dia das Bruxas, nenhum deles é mais intimidador do que as bruxas.

Claro, elas podem parecer um pouco fora de moda na era de zumbis sexys e vampiros cintilantes - o chapéu pontudo preto e a vassoura dão um ar de mofo, tradicional - mas não vamos dar as costas para estes seres sobrenaturais, que fizeram da fantasia algo excitante para a grande maioria de nós, novamente. Desde as séries "A Feiticeira" até "Charmed", as bruxas sempre conseguiram manter um local acolhedor no imaginário popular, mas com a chegada de Harry Potter, a bruxaria explodiu em importância, transformando-se em uma verdadeira mania. Embora as marés da moda cultural tenham elevado a importância de outros seres fantásticos, deixando as bruxas empoeiradas, vale a pena nos perguntarmos se estaríamos mesmo curtindo essa bonança de "The Walking Dead" e "The Vampire Diaries", se não fosse pelas bruxas e feiticeiras de J.K. Rowling, queridas internacionalmente.

As bruxas não apareceram no século 20, é claro. Seu registro histórico, que é em grande parte bastante obscuro, dificulta a imagem moderna que brilha nas festas de Hogwarts e Melissa Joan Hart (da série Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira). A bruxaria era há séculos considerada uma ofensa grave. Os historiadores notam que os acusados de feitiçaria eram predominantemente mulheres, especialmente as que não aderiam às convenções sociais. O julgamento das bruxas possibilitava a perseguição das figuras femininas com espírito livre, ou pertencentes a um tipo não convencional na sociedade, como aquelas que eram mais velhas e solteiras. Apesar de os julgamentos das bruxas representarem uma ameaça imprevisível e mortal às mulheres da época, esse fato é um indicativo da estreita ligação entre o conceito de bruxaria e o poder feminino em um mundo patriarcal e tacanho.

Apropriadamente, muitas bruxas da ficção têm personificado a força feminina e a supremacia, mesmo que muitas delas tenham enfrentado circunstâncias definidamente hostis. Aqui estão as 11 bruxas mais incríveis da literatura que resumem bem o poder das mulheres:

As três bruxas de Macbeth, de William Shakespeare

“Pelo comichar do meu polegar sei que deste lado vem vindo um malvado,” diz uma das Irmãs Estranhas enquanto Macbeth se aproxima de seu clã. Embora elas pareçam más e misteriosas, com a sua poção cheia de "bebê estrangulados ao nascer", "olhos de salamandra e pés de sapo" - e outras coisas piores - elas sentem o coração culpado de Macbeth antes mesmo de vê-lo. Os encantamentos poderosos das três bruxas provavelmente teriam feito mais para influenciar as representações modernas de bruxaria do que qualquer outra representação; sua repetição assustadora de "Tudo em dobro, duplo trabalho e duplo problema; / Queima fogo, borbulha caldeirão", define um padrão de bruxaria bem assustadora.

Elphaba de Maligna de Gregory Maguire

A Bruxa Malvada do Oeste finalmente chega para contar a sua própria história enquanto ainda parece um pouco perversa, ela possui uma complexidade que nos permite admirar o vilão do O Mágico de Oz, tanto quanto lamentá-la. Elphaba é espinhosa, ciumenta e difícil; eventualmente, seus traumas levam-na a atos cada vez mais vingativos e perturbadores. Mas ela também é uma pessoa de convicção, que se preocupa profundamente com os direitos dos animais e da justiça social. Ela até pertence a um movimento de resistência que luta contra políticas opressivas do Mágico de Oz. Uma feiticeira dotada de talentos, foi ela que arquitetou aquela horda de macacos voadores que talvez você se lembre. Ela pode ser muito mais do que a vítima de um balde de água, uma vez que você passa a conhecê-la um pouco melhor.

Circe de A Odisséia de Homero

Circe foi um pouco predadora, que é a primeira conotação associada ao seu nome nos tempos modernos. Ela fascinava os homens com sua beleza e suavidade e nutria esse comportamento acolhendo-os em sua casa, para que descansassem e recuperassem as forças. Depois amaldiçoava-os com repentinas metamorfoses em forma de animais. Apenas o próprio Odisseu, com a ajuda de Hermes, escapou da sua armadilha. E, claro, ao superar seu feitiço, ele ameaçou Circe com uma espada até ela apaziguá-lo com sexo... o que nos leva a pensar se ela era realmente tão imprudente ao transformar todos os homens que vinham procurá-la em animais inofensivos. Não estamos dizendo que Circe tinha necessariamente esse direito, mas não seria o caso de cada protofeminista sentir uma ponta de satisfação com a transformação de todos aqueles homens de olhares maliciosos em porcos, literalmente?

Strega Nona de Strega Nona, A Avó Feiticeira por Tomie de Paola

O nome de Strega Nona se traduz aproximadamente em a "Avó Feiticeira", do italiano, (embora o autor Tomie dePaola diga que Nona é seu nome de batismo), e este conto moderno de bruxas tem a solidez reconfortante da sua própria avó. Strega Nona usa sua feitiçaria para curar as doenças das pessoas da cidade e para alimentar-se de uma panela infinita de massas. Infelizmente ela também tem um servo trapalhão, "Big Anthony, que não presta atenção." Quando Big Anthony secretamente usa a panela mágica para fazer o jantar, ele percebe que não sabe como parar o fluxo incessante de massas. Ele entra em pânico ao ver a cidade sendo lentamente coberta por um ataque interminável de espaguete. A sensível Strega Nona, quando reaparece sabe exatamente o que fazer. Imediatamente ela desliga a produção de massas e dá uma lição em Big Anthony fazendo-o comer os restos de sua imprudente ação. O melhor tipo de bruxa, obviamente, é como sua avó, mas com massa ilimitada e poderes mágicos.

Serafina Pekkala da trilogia Fronteiras do Universo de Philip Pullman

A clássica trilogia de Philip Pullman é povoada por bruxas incríveis. As bruxas, na versão de Pullman, têm a sua própria distinta marca extraordinária, incorporada pela etérea, e inquebrantável, Serafina, rainha do clã do Lago Enara, na Noruega. Possuidora de uma beleza de cair o queixo, Serafina parece jovem, mas tem, na verdade, centenas de anos de idade; sua expectativa de vida poderia se esticar por séculos. Ela sente o frio, mas, sabendo que não pode machucá-la, simplesmente não permite que ele a incomode, preferindo manter o mínimo possível de distância entre ela e as vibrações do mundo natural, quando possível. Ela acredita que o destino a governa, mas mantém o compromisso de viver com os princípios de uma pessoa de livre arbítrio. E mesmo que sua vida dure muito mais do que a de qualquer homem, ela se apaixona e tem um filho com um ser humano, apesar da dor que lhe causaria vê-lo envelhecer e morrer, enquanto ela permanecia jovem. Ela é uma figura enigmática, mas sua força e integridade brilham claramente.

Hermione Granger da série Harry Potter, de J.K. Rowling

Ok, todos vocês sabiam que isso ia acontecer. Na verdade, não existe uma lista de bruxas ficcionais só de feras sem incluirmos Hermione Granger, por lei (ou, ao menos, pelo senso comum). Ela é corajosa. Ela é amável. Ela é perspicaz. Ela é erudita. Ela está sempre preparada. E, claro, a feitiçaria dela é impecável. Ao contrário das infelizes, mas bem-intencionadas ou poderosas variedades maldosas de bruxas, Hermione combina todas as qualidades mais admiráveis que uma bruxa poderia ter em um pacote com cabeça de esfregão. Por mais que amemos o feiticeiro querido Harry, a bruxinha Hermione é a verdadeira estrela da série, depois de ter salvo todos os seus e a sua comunidade mágica em geral, pelo menos uma vez em cada livro. Claro, dado que ela “sabe-de-tudo”, e é até mesmo uma estraga-prazeres, mas, quanto mais inteligente e dedicada a uma determinada tarefa ela é, mais do que praticamente qualquer outra pessoa por perto, quem poderia culpá-la?

Sra Qual de Uma Dobra no Tempo de Madeleine L'Engle

A Sra Qual (ou Mrs. Which) pode não ser bem uma bruxa, mas ela certamente se diverte com o homófono em inglês de "witch" (bruxa, em português) e a palavra "which". Uma coisa de outro mundo (literalmente) é ter uma voz ecoante e abundantes poderes sobrenaturais e, a Sra. Qual, não poderia simplesmente ser tão mundana quanto uma mera bruxa terrena. Sua verdadeira forma não é bem humana, embora não fique claro o que seja; às vezes ela aparece aos filhos de Murry apenas como uma luz desencarnada. E, no entanto, quando ela tomou a forma humana, quando as circunstâncias o exigiram, ela uma vez escolheu aparecer como uma bruxa clássica, com chapéu pontudo. Bem apropriado, na verdade, dado os seus muitos poderes e sua presença bastante assustadora.

Morwen das Crônicas da Floresta Encantada por Patricia C. Wrede

Um bando de estereótipos vão bem com o que é ser uma bruxa, como a Sra. Qual bem sabia. Chapéus pontudos, cabos de vassoura, uma postura arqueada, o gato preto da família, vestes esfarrapadas. Mas, assim como Cimorene, a princesa de espírito independente, no coração da série, ela se recusa a ser cercada por tais expectativas tacanhas. Morwen, sua amiga bruxa, zomba da convenção e vira o nariz para a tradição. Apesar da expectativa da sociedade de que ela vai ter apenas um gato, que lhe é familiar, ela enche sua casa de gatos e prepara uma poção que lhe permite conhecer os seus pensamentos (por que isso não existe na vida real??). Ela se recusa a usar um chapéu pontudo, ou andar arqueada, e ela prefere manter sua casa limpa e arrumada, com maçãs normais crescendo em seu jardim - não são os comportamentos de um livro de conto de fadas e bruxas. Insistir em permanecer fiel a si mesma, em vez de se conformar, pode ser a qualidade mais incrível de todas.

A Feiticeira Branca de As Crônicas de Nárnia de C.S. Lewis

Jadis, também conhecida como a Feiticeira Branca, pode ser má até os ossos, mas ela consegue resolver as coisas. Além da Terra, o único mundo em que seus poderes mágicos não funcionam, Jadis consegue subir ao poder e, eventualmente, ganhar o domínio total sobre cada pedaço de terra onde ela já morou. Quando seu primeiro reino é destruído, Jadis cai em um sono encantado, até que aparece uma oportunidade de encontrar um novo reino, Narnia, que ela encontra em seu nascimento. Ela retira-se para o norte, para reconstruir seus poderes, só retornando quando já está pronta para conquistar Nárnia e lançá-la em um inverno eterno (mas nunca Natal!). Um exército de criaturas ameaçadoras fazem cumprir suas leis e ela é capaz de punir os infratores, transformando os transgressores em pedra. Jadis é a epítome da bruxa terrivelmente má - com habilidade política, charme e poderes de feitiçaria que passam por cima de qualquer outro.

As bruxas de As Bruxas de Roald Dahl

É uma coisa reimaginar vampiros para torná-los infinitamente mais fascinantes (brilhantes, digo?), Mas Roald Dahl vai na direção oposta com a subversão da troupe de bruxas. Elas são tão más e muito mais insidiosas do que a variedade verde e verrucosa das histórias em quadrinhos; embora não sejam realmente humanas, elas são capazes de disfarçar seus traços reveladores de forma relativamente fácil. Elas têm pés sem dedos que escondem em sapatos pontudos, cabeças carecas que elas cobrem com perucas e garras que elas escondem com luvas - mesmo no verão. O mais preocupante de tudo isso é que essas bruxas transformam crianças em vermes ou gado, para que a sua própria família as ataquem, não percebendo o que estão fazendo. Estas bruxas não são admiráveis nem agradáveis, mas, uma vez mais, Dahl sabe como fazer uma velha alegoria de horror visceralmente assustadora. Diga o que quiserem sobre as bruxas de As Bruxas - mas que elas são realmente horríveis, elas são.

Belas Maldições: Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa de Terry Pratchett e Neil Gaiman.

Agnes dá um toque cômico na figura trágica de Cassandra, a profetiza que foi amaldiçoada com o poder de profecias precisas que ninguém acreditava. Belas Maldições traça a chegada na terra do Anticristo, encarnado em um jovem rapaz bastante comum, e o caos que se segue - tudo o que foi predito séculos antes por Agnes em um livro chamado Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa. O livro vendeu muito pouco (talvez por causa, em vez de apesar, da precisão laboriosa e acurada das previsões) e Agnes acabou sendo queimada na fogueira, um destino que ela mesma anunciou e se preparou ao colocar em suas roupas explosivos que matam seus algozes junto com ela. Sombrio, cáustico, e possuidor de um olho interior infalível que previa todos os eventos sem graça que viriam a se passar, Agnes deu orgulho a todos da profissão de bruxaria.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.