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06/11/2014 23:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

5 furos de roteiro em ‘Guerra nas Estrelas' que você nunca percebeu

Que as tramas forçadas estejam com você.

A menos que você tenha crescido numa galáxia muito distante, sabe o que é Guerra nas Estrelas. George Lucas originalmente criou três filmes nos anos 1970 e 1980 e depois voltou para mais três filmes da saga, nos anos 1990 e 2000. Essa estrutura pode ter provocado alguns desvios questionáveis na história, mas isso não importa: os filmes foram extremamente bem-sucedidos, e a série Guerra nas Estrelas é considerada hoje uma das grandes contribuições ao cânone da cultura americana.

Ontem (6), o Twitter oficial de Star Wars revelou o nome da continuação: Episode VII: The Force Awakens (algo como "Episódio VII: A Força Desperta"). O Episódio VII, primeira parte da terceira trilogia da série, está previsto para 18 de dezembro de 2015.

 

Sabe-se que os filmes sempre incluem reviravoltas no roteiro que não batem com os filmes anteriores. Uma das mais famosas é o fato de Luke e Leia passarem de quase amantes a irmãos gêmeos. Apesar desses erros meio esquisitos, queríamos encontrar buracos de roteiro que realmente afetam a integridade dos filmes.

Eis uma porrada carinhosa em Guerra nas Estrelas. Ela pode não mudar sua opinião sobre a obra, mas você certamente prestará mais atenção a eles na próxima vez que fizer uma maratona para assistir a série inteira na sequência.

1. Luke, Leia e Obi-Wan supostamente estão escondidos no primeiro filme, mas, de acordo com a trama da trilogia anterior, eles poderiam ser encontrados pelo Império com muita facilidade.

No Episódio III: A Vingança dos Sith, Padmé Amidala dá à luz os gêmeos Luke e Leia, filhos de Anakin/Darth Vader. Como Padmé morre no parto, decide-se que os gêmeos devem ser escondidos do imperador Palpatine e de Darth Vader. Em vez de manter as crianças em segredo, mudando a identidade delas, Leia se torna princesa, um título que deveria chamar a atenção para a sua mãe (apesar de ela ter sido adotada pela rainha Breha Organa). Luke mantém o sobrenome Skywalker e cresce no planeta natal de Vader, Tattoine. Você nem precisaria da Força para encontrar os dois. Apesar de os dois terem supostamente morrido com a mãe no parto, imagina-se que haveria boatos circulando sobre uma princesa de linhagem duvidosa e um Skywalker em Tattoine.

Além disso, Obi-Wan Kenobi estaria supostamente escondido em Tattoine. Felizmente, a roupa que ele usa é parecida com a moda local; não é nada muito sofisticado e faz sentido para ele no Episódio IV: Uma Nova Esperança. Mas então George Lucas decidiu que a roupa básica de Obi-Wan era na verdade o uniforme de todos os jedis nos filmes anteriores. Portanto, a roupa de Kenobi não faz sentido retroativamente. Todo mundo o reconheceria como jedi, e o Império o acharia com facilidade.

2. O Falcão Milenar deveria voar a “.5 velocidade da luz”, mas isso não é suficiente para viajar entre galáxias.

Quando vê o Falcão Milenar pela primeira vez, no Episódio IV: Uma Nova Esperança, Luke Skywalker diz que a nave parece “tirada do lixo”. Provavelmente magoado, Han Solo responde: “Ela viaja a .5 velocidade da luz. Pode não ser muito bonita, mas ela vai aonde importa, garoto. Fiz várias modificações eu mesmo.” No Episódio V: O Império Contra-Ataca, Lando Calrissian afirma que a nave é “o pedaço de lixo mais rápido da galáxia”. Como nota a Wookiepedia, são seis as galáxias de Guerra nas Estrelas “diretamente acessíveis na época do Império Galático”. A principal, onde acontecem os eventos dos filmes, teria estimados 120 mil anos-luz de diâmetro. Infelizmente, se o Falcão Milenar é considerado uma nave rápida no universo de Guerra nas Estrelas, as viagens espaciais demorariam muito mais do que sugere o filme.

É possível que Han Solo simplesmente não soubesse a velocidade máxima de sua nave e que a viagem só seja possível graças ao “hiperdrive”. Mas como Solo se orgulha tanto de mexer na nave, parece improvável que ele desconhecesse a velocidade do Falcão Milenar. De qualquer maneira, a explicação do “hiperdrive” foi introduzida no universo, como nota um fã dos filmes num fórum da internet:

Na explicação moderna, a “antiga velocidade da luz” ganhou nova interpretação. Em vez disso, agora existem níveis de “hiperdrive” com escala reversa. Quanto maior o número, mais lenta a nave. Portanto, uma nave hiperdrive classe 1 é uma das mais rápidas. Mas o Falcão Milenar tem hiperdrive classe 0.5, o dobro da velocidade de um classe 1. O que significa velocidade classe 1 não é explicado.

3. Darth Vader, Obi-Wan e talvez até o Tio Owen deveriam reconhecer facilmente C-3PO e R2-D2.

Antes de ser Darth Vader, Anakin Skywalker construiu o C-3PO. Mais tarde, ele daria o robô de presente para Padmé Amidala na série animada The Clone Wars. Skywalker é visto com Amidala e R2-D2 no desenho. Apesar de haver outros robôs parecidos com esses dois no universo de Guerra nas Estrelas e de a memória de C-3PO ter sido apagada no Episódio III: A Vingança dos Sith, parece ridículo que Darth Vader não os reconheça dada a relação íntima que ele tinha com os robôs.

Considerada a quantidade de interações que Obi-Wan Kenobi teve com os dois robôs nos primeiros filmes, também não faria sentido que ele não os reconhecesse no Episódio IV: Uma Nova Esperança. É verdade que ele poderia estar fingindo não conhecê-los, como explica um fã:

Obi-Wan nunca disse explicitamente nos três filmes que não se lembrava de R2-D2 e C-3PO. Ele meramente disse a Luke não se lembrar de ter tido um androide, o que era de fato verdade. Considerando que ele mentiu falou de um “certo ponto de vista” sobre Vader ter traído e matado seu pai (para evitar que Luke soubesse da verdade cedo demais, numa época em que não pudesse lidar com ela), parece muito plausível que ele TAMBÉM estivesse fingindo não conhecer os androides, pela mesma razão.

Parece uma explicação retroativa para o erro de George Lucas, mas é um argumento decente, de qualquer modo. Owen Lars provavelmente também deveria ter reconhecido os robôs, mas, como não tinha uma ligação tão íntima com eles, também é plausível que ele tenha simplesmente se esquecido.

4. O treinamento de Skywalker com Yoda supostamente durou um longo período. Mas na verdade ele só poderia ter durado algumas horas.

Um dos principais arcos narrativos do Episódio V: O Império Contra-Ataca é o treinamento jedi de Luke Skywalker com Yoda, enquanto o Falcão Milenar está fugindo para Cloud City. Apesar de um breve desvio num meteoro, o Falcão Milenar parece chegar a Cloud City relativamente rápido. Como as duas cenas estão ligadas, fica a impressão de que Luke aprendeu a ser jedi em uma única tarde.

(É verdade que, no item 2, mencionamos que uma viagem do Falcão deveria ser demorada, mas um buraco da trama não deveria servir de explicação para outro. Não incentive um buraco negro em Guerra nas Estrelas.)

Enfim. Skywalker abandona o treinamento antes do fim para salvar seus amigos, mas, quando ele volta no Episódio IV: O Retorno de Jedi, Yoda lhe diz que não há mais nada a aprender e que agora ele só precisa derrotar Darth Vader para tornar-se um jedi. Mas o treinamento do jovem Skywalker para derrotar Vader poderia ter durado mais que a fuga do Falcão Milenar. Para deixar ainda mais claro que a viagem a Cloud City é curta, Skywalker usa sua nave para chegar rapidamente aos amigos que precisam de ajuda. Alguma coisa está errada.

Finalmente: Obi-Wan Kenobi diz ter sido treinado por Yodano Episódio V: O Império Contra-Ataca, mas nos três primeiros filmes fica claro que seu principal professor foi Qui-Gon Jinn. Yoda não costuma trabalhar até tarde.

5. No Episódio IV: O Retorno de Jedi, Leia lembra da mãe, mas na segunda trilogia Padmé morre no parto. Será que Leia é mesmo a nova esperança?

Este buraco no roteiro é famoso, mas talvez seja um exagero. No Episódio VI: O Retorno de Jedi, Luke Skywalker pergunta a Leia Organa sobre sua mãe, e ela diz que não lembra muita coisa, pois a mãe morreu jovem. E Organa diz: “Ela era muito bonita. Gentil, mas... triste”. Como mencionado antes, a mãe deles morreu no parto, então Leia aparentemente está se lembrando de outra pessoa. Como ela pode ser a irmã gêmea de Skywalker se ela lembra da mãe? Em referência a Skywalker, Obi-Wan Kenobi diz: “Aquele menino é nossa última esperança”. Yoda responde: “Não... Há outra.” Será que não existe outra esperança, então?

É verdade que, como explica um usuário do Reddit, essa memória pode ser explicada pelo fato de que Leia também pode usar a Força:

No treinamento com Yoda, Luke aprende que “através da força muitas coisas você vai ver... o futuro, o passado, bons amigos que se foram há muito tempo”. Depois, Luke chama Leia de Bespin e ela recebe sua “mensagem da força” e a localização exata dele, sem perceber que está usando a força. Então sabemos que ela tem esse poder (Luke confirma esse fato no Episódio IV: O Retorno de Jedi) e que, portanto, é perfeitamente possível que Leia possa se lembrar de “imagens” de sua mãe verdadeira sendo “bonita... mas triste”. Lembre-se de que Leia não tem memórias concretas da mãe, apenas imagens e sensações. Em “A Vingança dos Sith”, é assim que vemos Padmé logo antes de sua morte.

BÔNUS: Agora que Guerra nas Estrelas é da Disney, talvez os midi-chlorians tenha algo a ver com o pó mágico e a mágica do Mickey.

Você acredita em mágica? Em 2012, a Disney comprou Guerra nas Estrelas. Isso não é um buraco de roteiro, pois os filmes da Disney não têm um único cânone, mas talvez devesse haver uma explicação para a mágica da Disney dentro do universo de Guerra nas Estrelas. O que Mickey faz com aquelas vassouras em Fantasia certamente parece a Força.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.