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05/11/2014 20:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Chacina no Pará: Gaby Amarantos critica suposto envolvimento de PMs em mortes em Belém; Anistia Internacional pede investigação

Montagem/Reprodução YouTube

Natural de Belém (PA), a cantora Gaby Amarantos não se conteve e desabafou horas após uma chacina ter tirado a vida de pelo menos nove pessoas, na noite desta terça-feira (4), em cinco bairros da capital paraense. Há suspeitas de que os assassinatos teriam sido cometidos por policiais militares, como vingança pela morte de um companheiro de farda.

A cantora lamentou, em sua página no Facebook, que entre os mortos haviam “jovens negros, gays, vidas, pessoas trabalhadoras, inocentes”.

Ela também não poupou críticas às autoridades, que devem cumprir o seu papel de “dar segurança”, e não promover o que ela mesma chamou de “limpeza” na periferia.

A gravidade do caso fez com que a organização Anistia Internacional divulgasse uma nota pública nesta quarta-feira (5), na qual “a investigação imediata e independente da chacina”.

“A Anistia Internacional pede ainda que o governo federal acompanhe o caso e as autoridades do governo do estado do Pará tomem todas as medidas necessárias para garantir a segurança imediata dos moradores dos bairros onde ocorreram as mortes”, completa a postagem.

Até o início da noite desta quarta-feira, passadas mais de 15 horas dos assassinatos, o governo federal não havia se pronunciado sobre a chacina ocorrida na capital paraense.

O caso

A morte do cabo Antônio Marcos da Silva Figueiredo, de 43 anos, teria sido o estopim para a chacina ocorrida nos bairros de Terra Firme, Marco, Guamá, Jurunas e Sideral, na noite de terça-feira. Segundo informações do jornal O Globo, exames do Instituto Médico Legal (IML) apontam para mortes características de execuções.

O PM estava afastado das suas atividades na corporação por problemas de saúde. Ele ainda respondia a um processo por homicídio na Justiça comum. Testemunhas informaram à polícia que três homens abordaram Figueiredo e atiraram três vezes contra ele, fugindo em seguida.

Nas redes sociais, outros policiais militares pediram vingança pelo colega assassinado, como mostra uma página das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (ROTAM) paraense.

Conforme informou a Anistia Internacional, os relatos dos moradores apontam para a ação de homens encapuzados, que fecharam as entradas e saídas dos bairros utilizando veículos da PM paraense.

Vídeos postados na internet mostram o desespero e a violência da chacina em Belém.

Em nota, o governo do Pará disse “estar investigando as circunstâncias e autores desses homicídios” e que a participação de PMs nos crimes está sendo apurada pela Corregedoria da corporação.