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04/11/2014 11:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Economia em crise: Reeleita há 9 dias, presidente Dilma Rousseff enfrenta sequência de más notícias na economia

Estadão Conteúdo

A deterioração da economia brasileira não dá trégua à presidente reeleita Dilma Rousseff (PT). Nos nove dias que se seguiram à sua reeleição no último dia 26, houve uma sequência de divulgação de dados econômicos negativos. Nesta terça (4) mais um veio à tona: a produção da indústria brasileira em setembro teve queda de 0,2% em relação a agosto, segundo Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em 2014, a produção industrial acumula queda de 2,9%, e nos últimos 12 meses de 2,2%. No terceiro trimestre deste ano, a queda foi de 3,7% em relação ao mesmo período de 2013.

Nesta segunda-feira (3), a CNI (Confederação Nacional da Indústria) anunciou um recuo de 0,6% no nível de emprego da indústria em relação a setembro. Foi a sétima queda consecutiva em 2014. O baixo desemprego, no entanto, continua sendo um dos trunfos de Dilma: em 23 de outubro (3 dias antes do segundo turno), o IBGE divulgou que a taxa de desemprego em setembro foi de 4,9% ante 5% no mês anterior. Entretanto, não houve aumento no número de ocupados, e sim menos gente procurando emprego (inativos).

Também na segunda, outros dois resultados ruins chamaram a atenção. O principal foi o déficit da balança comercial: em outubro as importações superaram as exportações em US$ 1,443 bilhão, o pior resultado para este mês do ano desde 1998. Com o desempenho de outubro, o déficit da balança comercial em 2014 aumentou para US$ 1,871 bilhão.

O resultado acumulado é o segundo pior da história, só perdendo para os dez primeiros meses de 2013, quando o déficit somava US$ 1,99 bilhão. Só que, em outubro do ano passado, o déficit foi revertido pela venda por US$ 1,9 bilhão de uma plataforma de petróleo produzida no Rio Grande do Sul para uma subsidiária da Petrobras com sede no exterior, apesar de o equipamento não ter deixado o país.

Apesar de autorizada pelas normas internacionais de comércio, a operação foi vista como parte da "contabilidade criativa" praticada pelo Ministério da Fazenda para "maquiar" a balança comercial e outros números da economia. Neste ano, isso não deve acontecer porque o governo Dilma precisa reconquistar a credibilidade de investidores e do mercado rumo ao seu segundo mandato.

Também nesta segunda, o boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central com base em uma pesquisa com quase uma centena de analistas do mercado, reduziu a previsão de crescimento anual do PIB brasileiro de 0,27% para 0,24% em 2014. Se confirmada essa expectativa, será a menor expansão desde 2009, no auge da crise financeira global, quando o País registrou recuo de 0,3% em seu PIB.

Na última sexta-feira (31), o governo Dilma passou a registrar um rombo nas suas contas em 2014. Com um déficit de R$ 20,399 bilhões nas contas do governo central em setembro, o resultado acumulado no ano passou de um superávit para um déficit primário de R$ 15,705 bilhões. É a primeira vez que isso ocorre desde 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, quando teve início a série histórica. O superávit primário é uma espécie de poupança feita pelo governo para pagar os juros da dívida pública.

Como resposta à deterioração das contas públicas, a equipe da presidente Dilma deve enviar ao Congresso um projeto de alteração da meta de superávit fiscal em 2014. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o governo pode enfrentar resistências para aprovar essa alteração no Legislativo, o que acarretaria em descumprimento da meta pela gestão Dilma da Lei de

Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014. "Será um péssimo sinal num momento em que o Brasil tenta reconsquistar a confiança na política fiscal", disse uma fonte do governo ao jornal.

Por fim, no dia 29, apenas três dias após o fechamento das urnas, o Banco Central anunciou o aumento da taxa de juros de 11% para 11,25%. A elevação foi bem recebida pelo mercado, pois sinaliza que o BC agirá para reduzir a inflação, que em setembro acumulou alta de 6,75% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta estabelecida pelo governo (4,5% ao ano com tolerância de dois pontos percentuais para cima e para baixo).

Durante a campanha eleitoral, no entanto, a presidente Dilma acusou tanto Marina Silva (PSB) quanto Aécio Neves (PSDB) de planejarem uma elevação da taxa de juros para combater a inflação, o que, segundo ela, aumentaria o desemprego. Mal foi reeleita, o BC tomou a medida e deu indícios de que seguirá a tendência nos próximos meses. Segundo analistas, a taxa de juros deve chegar a 12% em 2015.

No primeiro mandato, durante o qual manteve o BC sob seu controle (diferentemente do ocorrido durante o Governo Lula quando o BC teve autonomia), a presidente Dilma defendeu uma forte redução de juros, que chegou a 7,25% em março de 2013. Com a inflação em alta, esse processo teve de ser revertido.

Já a Bolsa e o dólar tiveram comportamento errático desde a vitória de Dilma nas urnas. No dia 27, a Bolsa caiu fortemente e o dólar ultrapassou a faixa de R$ 2,50. No dia seguinte, houve uma recuperação da Bolsa e queda do dólar.

O que vai acontecer neste final de 2014 e principalmente em 2015 dependerá, em grande medida, do anúncio de quem será o ministro da Fazenda do Governo Dilma durante o segundo mandato, já que a presidente anunciou durante a campanha à reeleição que o atual ministro, Guido Mantega, não permanecerá no cargo no novo governo.

Segundo analistas, a escolha do novo ministro será essencial para a recuperação da credibilidade da presidente Dilma Rousseff no segundo mandato. Seus primeiros dias como presidente reeleita, no entanto, não estão sendo nada fáceis.