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31/10/2014 13:29 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Presidente de Burkina Fasso deixa poder após 27 anos de mandato; país vive dias de protestos

AP Photo

Após uma intensa onda de protestos, o presidente de Burkina Fasso, Blaise Compaoré, deixou o poder após 27 anos.

"Eu declaro que estou deixando o poder para que haja uma eleição livre e transparente em 90 dias", afirmou Compaore em um anúncio lido nas rádios e emissoras de TV.

"Da minha parte, eu acho que eu cumpri meu dever", disse.

O tenente-coronel Issaac Zida fez o anúncio na Place de la Nation, na capital Ouagadougou, no momento em que dezenas de milhares de pessoas se aglomeravam para exigir a renúncia de Compaoré, um dia após uma onda de protestos violentos.

Milhares de manifestantes invadiram o Parlamento de Burkina Fasso nesta quinta-feira (30) e atearam fogo ao prédio, antes da planejada votação de um projeto que permitiria ao presidente concorrer à reeleição.

O chefe do Exército do país dissolveu o Parlamento e anunciou que o país está a cargo de um governo de transição, sem especificar quem está no comando. Esse governo pode ficar no poder por até 12 meses, segundo o comunicado.

As fronteiras do país também foram fechadas, diante da crise.

Os manifestantes também invadiram o prédio da TV estatal e tiraram o canal do ar. Alguns soldados que estavam de guarda no local atiraram para o alto para tentar afastar a multidão, mas tiveram que correr diante do avanço dos manifestantes.

Estava prevista para esta quinta a votação no Parlamento de um projeto proposto pelo governo para mudar a Constituição e permitir ao presidente Blaise Compaore concorrer à reeleição no ano que vem. Seria o seu quinto mandato como presidente.

A mudança na Constituição permitiria a Compaore, que chegou ao cargo máximo de Burkina Faso em um golpe em 1987, ser reeleito mais uma vez tinha grandes chances de aprovação no Parlamento, o que gerou a insatisfação popular. A votação foi cancelada.

A mobilização foi vista com preocupação pelos Estados Unidos, em uma declaração divulgada pela Casa Branca. "Acreditamos que instituições democráticas são fortalecidas quando as regras estabelecidas são cumpridas com consistência", diz o documento.

O Burkina Fasso permanece como um dos países mais pobres do mundo e está no top 10 de países com o menor índice de desenvolvimento humano.

Com as agências de notícias