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30/10/2014 17:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Manifestantes tiram TV estatal do ar e invadem e colocam fogo no Parlamento de Burkina Fasso

Joe Penney / Reuters

Milhares de manifestantes invadiram o Parlamento de Burkina Fasso nesta quinta-feira (30) e atearam fogo ao prédio, antes da planejada votação de um projeto que permitiria ao presidente concorrer à reeleição.

O chefe do Exército do país dissolveu o Parlamento e anunciou que o país está a cargo de um governo de transição, sem especificar quem está no comando. Esse governo pode ficar no poder por até 12 meses, segundo o comunicado.

As fronteiras do país também foram fechadas, diante da crise.

A multidão depois seguiu em direção ao gabinete do primeiro-ministro, enquanto um helicóptero do governo sobrevoava e área disparando bombas de gás lacrimogênio, de acordo com as testemunhas.

Os manifestantes também invadiram o prédio da TV estatal e tiraram o canal do ar. Alguns soldados que estavam de guarda no local atiraram para o alto para tentar afastar a multidão, mas tiveram que correr diante do avanço dos manifestantes.

Estava prevista para esta quinta a votação no Parlamento de um projeto proposto pelo governo para mudar a Constituição e permitir ao presidente Blaise Compaore concorrer à reeleição no ano que vem. O objetivo do protesto era impedir a votação do projeto. Compaore está há 27 anos no comando do país.

A mudança na Constituição permitiria a Compaore, que chegou ao cargo máximo de Burkina Faso em um golpe em 1987, ser reeleito mais uma vez tinha grandes chances de aprovação no Parlamento, o que gerou a insatisfação popular. A votação foi cancelada.

A maioria dos deputados ainda não havia chegada ao Parlamento quando os manifestantes invadiram o prédio.

"Nós fizemos isso porque Blaise está tentando ficar por tempo demais. Estamos cansados dele", disse Seydou Kabre, um manifestante no meio da multidão a caminho do gabinete do premiê. "Queremos mudança, ele tem que sair!".

Manifestantes invadiram o Parlamento depois que a polícia atirou para o alto na tentativa de dispersar a multidão. Diante do protesto, a polícia foi obrigada a escapar, segundo as testemunhas.

A mobilização foi vista com preocupação pelos Estados Unidos, em uma declaração divulgada pela Casa Branca. "Acreditamos que instituições democráticas são fortalecidas quando as regras estabelecidas são cumpridas com consistência", diz o documento.

O Burkina Fasso permanece como um dos países mais pobres do mundo e está no top 10 de países com o menor índice de desenvolvimento humano.

Com as agências de notícias