COMPORTAMENTO
29/10/2014 17:27 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Atriz Shoshana Roberts, do viral que expõe assédio às mulheres nas ruas, é ameaçada de estupro

Reprodução/Youtube.com

Quando você combate a violência de gênero, ela se volta contra você.

Shoshana Roberts, a atriz que se ofereceu para passar cerca de dez horas caminhando por Nova York em silêncio, para transformar sua experiência em vídeo, e expor o assédio que as mulheres sofrem nas ruas, é vítima de ameaças de estupro na web.

O vídeo, dirigido por Rob Bliss, e produzido pela Hollaback (uma organização americana que luta contra o assédio) já foi assistido por mais de um milhão de pessoas, e tem como objetivo inibir os casos de intimidação e assédio verbal sofridos por mulheres nas ruas.

Mas, assim que começou a viralizar, a organização escreveu em seu Twitter que a atriz tinha começado a receber ameaças de estupro nos próprios comentários abaixo no vídeo, na página do YouTube.

Apoiadores da causa estão denunciando e os comentários ofensivos já estão sendo deletados pelos administradores do YouTube, informou a Hollaback.

Ponto certo conta o assédio

Emily May, diretora da Hollaback, disse, em entrevista ao site americano Newsday que "as ameaças de estupro indicam que estamos atingindo um ponto certo". E continua:

“Nós queremos mais do que simplesmente colocar o dedo na ferida, nós queremos que os nova-iorquinos se deem conta, de uma vez por todas, que o assédio nas ruas não é Ok, e que, como uma cidade, nos recusamos a aceitá-lo”.

Ao site oficial do Hollaback, Shoshana disse: "Eu sou perseguida quando estou sorrindo, e quando não estou. Eu sou assediada por homens brancos, homens negros, latinos. Não existe um só dia em que eu não passe por isso."

Em sua caminhada de dez horas pelas ruas de Nova York, Shoshana ouviu mais de cem assédios verbais, além de piscadas e assovios. No experimento, realizado em agosto, a atriz caminhou pelas ruas de Manhattan vestida com uma calça jeans e uma blusa sem decote, enquanto o diretor Rob Bliss, que sugeriu a experiência à ONG, caminhava à sua frente, com uma câmera escondida em sua mochila, registrando as reações dos homens (se você ainda não viu, assista o vídeo acima).

É assédio e precisa ser combatido, sim!

A definição de assédio sexual, adotada pela Comissão Europeia em 1987 diz que ele é categorizado como "uma conduta verbal ou física de natureza sexual cujo autor sabe ou deveria saber que é ofensiva à vítima."

Mas algumas pessoas ainda têm dificuldade ao entender por que aquele "fiu, fiu" no meio da rua é ofensivo. Segundo a blogueira feminista e organizadora do projeto #EuNãoMereçoSerEstuprada, Nana Queiroz, em texto publicado no Brasil Post, ele é ofensivo porque não é um elogio, é uma manifestação de poder.

"Quando um homem se refere ao seu corpo como se ele fosse um objeto de apreciação sexual, na verdade, ele está dizendo que tem usufruto do seu corpo, nem que seja no olhar e comentar", ela conclui.

A pesquisa Chega de Fiu Fiu, feita e divulgada no ano passado pelo Think Olga, comprova o que acontece nas ruas: milhares de mulheres foram entrevistadas e cerca de 99,6% disseram que já sofreram algum tipo de assédio sexual. Ao descrever o que cada uma delas sentiram quando foram abordadas desta forma, maioria escolheu a palavra medo. E isso diz muito.

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