COMPORTAMENTO
30/10/2014 00:18 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

25% das mulheres entre 18 e 24 anos já sofreram assédio sexual na internet (PESQUISA)

Thinkstock

Pelo menos 26% de jovens mulheres entre 18 e 24 anos já foram perseguidas on-line, e 25% já foram alvo de assédio sexual via internet. Quem afirma é um novo estudo realizado pelo instituto “Pew Research Center”, nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, no geral, 40% dos usuários adultos de internet experimentaram pessoalmente alguma forma de intimidação on-line (você pode ver a pesquisa completa clicando aqui).

A pesquisa é sobre a internet americana e tenta quantificar o assédio em todas as suas formas, que vão desde xingamentos e esforços para constranger os outros, até comportamentos mais extremos, como perseguição, ameaças físicas e assédio sexual - em especial com mulheres. É fruto de um trabalho de pesquisa com mais de 2.800 entrevistados, com margem de erro de mais ou menos 2,4 pontos percentuais.

Entre as pessoas que disseram ter sido assediadas on-line, 55% relataram que o sentiram exclusivamente em formas mais brandas, enquanto 45% disseram que foram objeto de variedades graves de assédio. De todos os usuários adultos da internet, 22% tinham experimentado formas leves de assédio on-line, relatou o Pew, e 18% tinham vivido formas graves.

Metade das pessoas que disseram ter sido assediadas não conhecia a pessoa responsável pelo episódio mais recente. Apesar de intimidação on-line das mulheres ter recebido mais atenção nos últimos tempos, a pesquisa traz um dado instigante: os homens são um pouco mais propensos que mulheres a sofrer assédio internet de alguma forma, em 44% para 37%. Quase três quartos dos usuários de internet tinham testemunhado alguém sendo assediado on-line.

A pesquisa é uma tentativa de mostrar a extensão com que o assédio tem afetado as experiências on-line de muitas pessoas, em especial as mulheres. Assim como o The New York Times classificou, o estudo fornece uma visão mais aprofundada de um fenômeno que tem atraído grande atenção nos últimos meses, com a perseguição a mulheres desenvolvedoras e críticas de videogames na internet.

Esses ataques incluem ameaças de violência, culminando com o envio de e-mails anônimos na semana passada que levaram a crítica (e feminista) Anita Sarkeesian, dona do blog Feminist Frequency, a cancelar um discurso na Universidade de Utah, nos Estados Unidos.

No dia 25 de agosto, Anita divulgou o episódio mais recente de sua série sobre a maneira como mulheres são retratadas em videogames.

No vídeo, ela fala sobre a tendência de mostrar "personagens femininos geralmente insignificantes e com os quais não se pode jogar, cuja sexualidade ou vitimização é explorada de modo a dar um tempero provocativo ou picante aos universos dos games". Dois dias após a publicação do vídeo, ela disse ter recebido "ameaças muito assustadoras" a ela e a sua família no Twitter, que a levaram a entrar em contato com a polícia.

A ativista já foi alvo de misoginia em outras ocasiões. Em 2012, um jogo em primeira pessoa chamado Espanque Anita Sarkeesian foi publicado online. Em contrapartida, no início de 2014, ela ganhou o prêmio de embaixadora do evento anual Game Developers Choice, que é destinado a pessoas que "ajudaram a indústria de games a avançar e se tornar um lugar melhor, seja facilitando a melhora da comunidade de dentro ou atuando de fora da indústria como defensor dos videogames".

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