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25/10/2014 05:54 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

#DebateNaGlobo: Dilma Rousseff e Aécio Neves ‘requentam acusações' e sintetizam no embate final o que foi a eleição de 2014

WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Enviado especial no Rio de Janeiro - As eleições presidenciais de 2014 já estão na história brasileira como as mais viscerais da nossa jovem democracia. Se o #DebateNaRecord, há seis dias, havia deixado a impressão que o saldo final penderia para a construção, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) usaram o #DebateNaGlobo, embate final entre os dois no segundo turno, para desmentir tal tese.

Não foi o “mais sangrento” dos duelos entre Dilma e Aécio – nesse quesito, o #DebateDoSBT ficou com a coroa –, tampouco foi o mais construtivo como a massa do eleitorado gostaria. Aliás, a meta de ambos os candidatos foi justamente voltar à estratégia inicial, insistindo em comparações, críticas virulentas em setores localizados, e procurando mostrar que ela, ou ele, é o nome para mudar o Brasil.

A Globo teve o mérito de, como no primeiro turno, procurar inovações para fugir da fórmula já cansada e enfadonha dos debates na televisão. A emissora, em parceria com o Ibope, colocou 70 eleitores tidos como indecisos no estúdio para que oito deles, sorteados, pudessem fazer perguntas aos candidatos. Só faltou petistas e tucanos treinarem essa novidade em casa.

O eleitorado indeciso, que votou nulo, em branco ou se absteve no primeiro turno é enorme, se aproximando dos 40 milhões de votos. Uma parcela dele pode fazer uma grande diferença para vencedores e derrotados. Todavia, Dilma não soube responder de maneira contundente – e chegou a parecer menosprezar, ainda que sem maldade, uma economista de mais idade, que queria oportunidade e ouviu da presidente: “Foi para isso que criamos o Pronatec”.

Aécio não foi muito melhor nessa área também, evitando responder sobre um tema importante (aluguel) para prosseguir os ataques contra o governo petista. Atrás nas principais pesquisas da semana que passou, era natural o tucano procurar o embate mais contundente. Logo no início, ao citar a matéria de capa da revista Veja, ele mostrou que não estava para brincadeira.

Tirando as baixarias de cunho familiar – evitadas após o vexame no SBT –, os temas dos ataques e das comparações foram aqueles mesmos de sempre: escândalo da Petrobras, inflação e fracassos de 12 anos de PT no poder de um lado; ganhos sociais, escândalos “engavetados” e erros econômicos da era FHC do outro. Resumo: requentaram tudo.

Visivelmente cansados de suas extenuantes agendas dos últimos dias, somadas à troca de ataques que rondou o noticiário durante os últimos meses, Dilma e Aécio foram perdendo fôlego quase que juntos durante o debate de 1h50. Restou tempo ainda para o “Meu Banho, Minha Vida” – ironia de Dilma sobre a crise hídrica em SP, Estado governador pelo PSDB – e o “Bolsa Empresário”, que Aécio atribuiu ao atual governo ao beneficiar determinados grupos.

As respostas não foram boas. As desconstruções também não. Nem mesmo o espaço disponibilizado para os candidatos se movimentarem pelo palco, como se faz nos debates dos Estados Unidos, foi bem utilizado pelos presidenciáveis. Se há ainda indecisos dispostos a optar por um ou outro, eles terão de buscar outras fontes para definir o voto deste domingo (26).

No #DebateNaGlobo, a síntese foi de tudo aquilo que foi mais exposto ao eleitorado, e que não fez sucesso algum para quaisquer dos envolvidos no pleito. O equilíbrio deve se manter até os números finais da apuração, momento de ansiedade grande, porém não maior daquela que envolve as incertezas do País que o próximo presidente terá de tocar a partir de 2015.

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