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24/10/2014 12:04 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Veja: "Dilma e Lula 'sabiam tudo' sobre corrupção na Petrobras, disse Youssef à PF"; capa da revista domina redes sociais

GUGA MATOS/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO

Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Isso é o que o doleiro Alberto Youssef teria afirmado nesta terça (21), em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, segundo capa da revista "Veja" desta semana. A reportagem gerou forte repercussão nas redes, está há mais de 12h no trending topics e inspirou centenas de memes.

Ao ser perguntado sobre o nível de envolvimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro teria afirmado:

"O Planalto sabia de tudo!"

Em seguida, quando o delegado questionou a quem ele se referia, Youssef teria respondido:

"Lula e Dilma."

Segundo "Veja" as afirmações foram feitas em Curitiba, como parte do acordo de delação premiada do doleiro com o Ministério Público.

Agora pela manhã, segundo o jornal "O Globo", Antonio Figueiredo Basto, advogado do doleiro, confirmou depoimento de Youssef à PF nesta terça, mas disse desconhecer denúncia publicada pela "Veja".

"Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (o envolvimento de Dilma e Lula). Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso", afirmou Basto a "O Globo".

Em entrevista ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, Figueiredo Campo disse que não iria se pronunciar sobre o conteúdo do vazamento de parte do depoimento de seu cliente.

"Eu não desminto nem confirmo esta matéria porque se trata de um procedimento sigiloso. Não posso confirmar nem dizer que é verdade ou mentira", afirmou. "E também não concordamos com o uso político dessa investigação."

Esta é a primeira vez que o nome da presidente Dilma, candidata à reeleição, aparece em um depoimento relativo às investigações de fraudes na Petrobras.

Não demorou muito para o assunto dominar as timelines nas redes sociais.

A divulgação dos depoimentos foi criticada pela candidata à reeleição Dilma Rousseff, que se declarou "estarrecida" e sugeriu que o "vazamento" teria fins eleitorais. No seu programa eleitoral, exibido no horário do almoço nesta sexta, Dilma respondeu diretamente à revista "Veja", com fortes acusações:

Para o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, "a denúncia é extremamente grave e tem que ser confirmada, mas é preciso que seja também apurada." Ele completou dizendo que a delação premiada só resulta em benefício para o réu se ele comprovar as acusações.

Ao final de uma caminhada em apoio a Dilma no centro de São Paulo, o ex-presidente Lula declarou: "Eu não leio a Veja."

De seu lado, "Veja" publicou, na Carta ao Leitor dessa mesma edição, observação sobre seu dever jornalístico de divulgar essa reportagem às vésperas da votação em segundo turno das eleições presidenciais:

“Basta imaginar a temeridade que seria não publicá-la para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever. VEJA não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato. VEJA publica fatos com o objetivo de aumentar o grau de informação de seus leitores sobre eventos relevantes, que, como se sabe, não escolhem o momento para acontecer. Os episódios narrados nesta reportagem foram relatados por seu autor, o doleiro Alberto Youssef, e anexados a seu processo de delação premiada. Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef virão a publico em seu trajeto na Justiça rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento de parlamentares e autoridades citados por ele e contra os quais garantiu às autoridades ter provas. Só então se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são ou não culpadas."

Enquanto os depoimentos de Youssef e Paulo Roberto Costa à Polícia Federal e ao Ministério Público correm sob segredo de Justiça, os depoimentos à Justiça Federal no Paraná não são secretos.

Em depoimento à Justiça Federal no início de outubro, que não faz parte do acordo de delação premiada, Youssef já havia citado Lula. Na ocasião, ele disse que Lula cedeu aos políticos de partidos da base aliada acusados de participar das fraudes, ao empossar Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras.

"Tenho conhecimento que, para que o Paulo Roberto Costa assumisse o posto, esses agentes trancaram a pauta no Congresso por 90 dias. Na época o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco e teve de ceder e empossar Paulo Costa na diretoria de Abastecimento", afirmou Youssef naquele depoimento, de acordo com áudio disponibilizado pela Justiça Federal.

No dia 16 de outubro, a "Folha de S. Paulo" revelou que Costa citou o senador tucano Sérgio Guerra, morto em março deste ano, no seu acordo de delação premiada como beneficiário de propina para esvaziar a CPI da Petrobras, no final de 2009. À época, Guerra era presidente do PSDB.

O ex-diretor Paulo Roberto Costa, que também fez um acordo de delação pemiada para colaborar com a Justiça nas investigações em troca de redução de sua pena (este sim já homologado), afirmou à Justiça Federal que PT, PMDB e PP estariam envolvidos nas fraudes na Petrobras, no qual grandes empreiteiras pagariam propinas a esses partidos em troca de contratos com a estatal.

O tesoureiro do PT, João Vaccari, foi citado por Costa como a pessoa que receberia as propinas destinadas ao PT. Vaccari, que faz parte do Conselho de Administração de Itaipu, pediu afastamento do cargo após as denúncias.

Atualizado às 15h58 com mais informações.