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24/10/2014 20:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Campanha presidencial chega ao clímax com tensão entre Dilma Rousseff e Veja no último dia da propaganda eleitoral

Montagem/Brasil Post

A reportagem de capa da revista Veja, que chegou às bancas hoje (24), provocou combustão no último dia da propaganda eleitoral. Após a presidente Dilma Rousseff (PT) ir à TV para acusar a revista de promover "terrorismo eleitoral" e ameaçar processá-la, a Veja fez uma nota rebatendo os ataques da petista.

A revista ratificou a apuração dos fatos estampados em sua capa com a checagem do "grau de certeza e a clareza necessária para publicação".

A reportagem denuncia que Dilma e o ex-presidente Lula sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. O texto foi feito com base em depoimento do doleiro Alberto Youssef, que teria feito a revelação na terça-feira (21) à Polícia Federal e ao Ministério Público.

Em sua propaganda na hora do almoço, Dilma disse que essa publicação "envergonha a imprensa e agride a nossa tradição democrática".

"Sem apresentar nenhuma prova concreta e mais uma vez baseando-se em supostas declarações de pessoas do submundo do crime, a revista tenta envolver diretamente a mim e ao presidente Lula nos episódios da Petrobras que estão sob investigação da Justiça"

Segundo Dilma, a "intenção malévola" da revista é "interferir de forma desonesta e desleal no resultado das eleições". Uma das evidências disso seria o fato de a revista ter antecipado a edição semanal para esta sexta-feira. Geralmente, a publicação chega às bancas no domingo.

A presidente disse que os eleitores darão resposta à Veja nas urnas. A resposta dela, ressaltou, será na Justiça.

Após a repercussão no horário eleitoral, a Veja divulgou nota às 17h:

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, ocupou parte de seu horário eleitoral para criticar VEJA, em especial a reportagem de capa desta semana. Em respeito aos nossos leitores, VEJA considera essencial fazer as seguintes correções e considerações:

1) Antecipar a publicação da revista às vésperas de eleições presidenciais não é exceção. Em quatro das últimas cinco eleições presidenciais, VEJA circulou antecipadamente, no primeiro turno ou no segundo.

2) Os fatos narrados na reportagem de capa desta semana ocorreram na terça-feira. Nossa apuração sobre eles começou na própria terça-feira, mas só atingiu o grau de certeza e a clareza necessária para publicação na tarde de quinta-feira passada.

3) A presidente centrou suas críticas no mensageiro, quando, na verdade, o cerne do problema foi produzido pelos fatos degradantes ocorridos na Petrobras nesse governo e no de seu antecessor.

4) Os fatos são teimosos e não escolhem a hora de acontecer. Eles seriam os mesmos se VEJA os tivesse publicado antes ou depois das eleições.

5) Parece evidente que o corolário de ver nos fatos narrados por VEJA um efeito eleitoral por terem vindo a público antes das eleições é reconhecer que temeridade mesmo seria tê-los escondido até o fechamento das urnas.

6) VEJA reconhece que a presidente Dilma é, como ela disse, “uma defensora intransigente da liberdade de imprensa” e espera que essa sua qualidade de estadista não seja abalada quando aquela liberdade permite a revelação de fatos que lhe possam ser pessoal ou eleitoralmente prejudiciais.

Na tarde desta sexta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou liminar para Dilma e a sua coligação para que o Facebook retirasse o post da revista Veja com a reportagem sobre a nova denúncia de Youssef.

O ministro do TSE Admar Gonzaga extinguiu a representação que tratava da "mensagem ofensiva" à Dilma porque a queixa da coligação se baseia em dispositivo legal que não está valendo para as eleições deste ano.

Trata-se do parágrafo 3º do artigo 57-D da Lei das Eleições (9.504/1997), segundo a qual "a Justiça Eleitoral poderá determinar, por solicitação do ofendido, a retirada de publicações que contenham agressões ou ataques a candidatos em sítios da internet, inclusive redes sociais".

A revelação de Veja foi tema de entrevista coletiva de seu adversário, Aécio Neves (PSDB), nesta tarde.

A coligação Muda Brasil, que representa o tucano, vai entrar com uma representação criminal na Procuradoria Geral da República (PGR), enfocando a denúncia de Youssef de que "um dos coordenadores da campanha do PT" solicitara a repatriação de US$ 20 milhões para a campanha deste ano.

"Se comprovado isso, é a confirmação de que houve operação de caixa dois na atual campanha presidencial do PT", acusou Aécio.

A reportagem da Veja deve acirrar ainda mais os ânimos no debate da TV Globo, último encontro dos dois presidenciáveis antes da votação no segundo turno, no próximo domingo (26).