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24/10/2014 14:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Áudios de diretores da Sabesp mostram que demora na comunicação com o cidadão sofreu "interferência superior"

Mario Ângelo/Sigmapress/Estadão Conteúdo

Áudios vazados nesta sexta (24) mostram dois diretores da Sabesp admitindo falhas na comunicação com o público sobre a crise da água no estado de São Paulo. O motivo? "Superior".

Nos áudios obtidos pela Folha é possível ouvir Dilma Pena, presidente da estatal, falando sobre como orientações de "superiores" teriam impedido os diretores de falar sobre a crise com mais veemência.

"Foi uma orientação superior, não é?! A Sabesp tem estado muito pouco na mídia. Acho que é um erro. Nós tínhamos que estar mais na mídia. Sabe? Os superintendentes locais nas rádios comunitárias. Todos falando. Com um tema repetido: cidadão, economize água."

Em nota, a Sabesp confirmou que a gravação é real, e conta também o motivo do encontro naquele momento: "A diretoria da Sabesp discutia com o conselho de administração da companhia (órgão superior) a estratégia de comunicação".

Ouça o áudio completo publicado pela revista Fórum:

Outro áudio também vazado mostra desta vez Paulo Massato, diretor metropolitano da companhia, fazendo alerta grave sobre a falta de água. Segundo o Blog do Rovai, a fala aconteceu na mesma reunião:

"Saiam de São Paulo, porque aqui não tem água, não vai ter água pra banho, pra limpeza da casa, quem puder compra garrafa, água mineral"

Ouça o áudio completo de Paulo:

Nota da Sabesp

Em nota divulgada pela estatal, a empresa confirma que os áudios são de seus diretores, mas não data a reunião.

Veja a íntegra do texto:

1. O objetivo da reunião operacional foi de ampliar ao máximo as ações de comunicação para o uso racional da água junto aos funcionários da companhia. Vale destacar que a comunicação da Sabesp é feita de forma autônoma. E as decisões ocorrem no âmbito da companhia. Naquele momento, .

2. Também naquele momento a diretiva era diminuir ao máximo a dependência do Sistema Cantareira. O contexto era de convencer, de forma contundente, os gerentes operacionais da companhia da necessidade de redução. A estratégia tem dado certo. A dependência do Cantareira diminuiu de 9 milhões para 6,5 milhões de pessoas, uma redução de cerca de 30%.

Racionamento

Desde o início do ano Geraldo Alckmin (PSDB), que se candidatou à reeleição e venceu no primeiro turno, evita admitir a crise de abastecimento de água em São Paulo. Em fevereiro, ele garantiu que "a questão da falta de água é localizada". Apenas seis meses depois, a Folha já falava em pelo menos 2 milhões de pessoas convivendo diariamente com racionamento.

O governo de São Paulo já havia sido avisado da recomendação para racionar o uso da água no fim do ano passado, recomendação referendada pela Agência Nacional de Águas (ANA), órgão federal, e ignorada nos meses seguintes.

Atualização: Após a publicação das reportagens, Alckmin afirmou que não há falta de água na região metropolitana da cidade: "O abastecimento de água está garantido na região metropolitana de São Paulo. Não tem racionamento e não tem desabastecimento".


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