COMPORTAMENTO
23/10/2014 16:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Esta mulher de 29 anos planeja morrer em novembro e está lutando por pessoas como ela (VÍDEO)

Brittany Maynard está planejando morrer no primeiro dia do mês de novembro e está lutando para que outros que passam por situações semelhantes possam ter mais escolhas em como viver os seus últimos dias de vida.

Maynard foi diagnosticada com câncer no cérebro em janeiro deste ano, logo após completar 29 anos. Recentemente, ela se casou com, Dan Diaz, seu namorado de anos, e o casal pretendia ter filhos.

Mas 70 dias após o diagnóstico inicial, Maynard teve uma notícia ainda mais devastadora: seu tumor tinha se transformado em uma forma agressiva de câncer conhecida como glioblastoma multiforme. Ela teria apenas mais seis meses de vida.

"No começo eu tinha esperança em tudo", diz a mãe de Maynard, Debbie Ziegler, no vídeo acima. "Primeiro eu esperava que eles tivessem errado o raio-X, ou que os exames estivessem errados; tudo era apenas um grande incidente administrativo. Seu cérebro é capaz de fazer coisas muito estranhas com você quando você não quer acreditar em algo. Você começa acreditar em contos de fadas."

Depois de meses de pesquisa, Maynard descobriu que as opções de tratamento em seu estado natal, Califórnia, eram limitadas e esse tratamento acabaria com o tempo que lhe restava.

"Eu considerei falecer sob cuidados paliativos na minha área da Baía de São Francisco próximo de casa", escreveu Maynard em uma artigo à CNN. "Mas, mesmo com medicação paliativa, eu poderia desenvolver uma potencial resistência à morfina e sofrer dores e alterações de personalidade e perda verbal, cognitiva e motora de praticamente qualquer tipo."

Ela e sua família decidiram se mudar para Portland, Oregon, onde Maynard poderia tirar proveito da Oregon Death With Dignity Act, (ou Lei da Morte com Dignidade, em tradução livre, adotada em Oregon). A Lei permite que, adultos mentalmente competentes com doenças terminais e com menos de seis meses de vida acabem com suas vidas ao tomar uma medicação administrada por eles mesmos, prescritas por um médico.

"Eu tenho tomado um medicamento há semanas. Não sou suicida. Se eu fosse, eu teria consumido essa outra medicação há muito tempo. Eu não quero morrer", escreveu Maynard no artigo à CNN. "Mas eu estou morrendo. E eu quero morrer em meus próprios termos."

As Leis de Morte com Dignidade só foram promulgadas em Oregon, Washington, Montana, Vermont e Novo México. Mas Maynard pretende mudar isso em suas últimas semanas de vida.

Em 06 de outubro, ela lançou uma campanha chamada The Brittany Maynard Fund, em parceria com a Compassion & Choices (Compaixão & Escolhas, em tradução livre), uma organização sem fins lucrativos que trabalha para expandir as opções de fim de vida. A campanha é para aumentar a conscientização sobre a necessidade generalizada de morte com dignidade em todo o país. Os fundos arrecadados irão para apoiar este esforço.

"A coragem de Brittany em contar sua história enquanto ela morre e alertar todos os americanos para a escolha da morte com dignidade, é altruísta e heroica", disse Barbara Coombs Lee, a Presidente de Compassion & Choices, em comunicado à imprensa fornecido ao The Huffington Post. "A maioria das pessoas não tem a flexibilidade, os recursos e o tempo para se deslocarem com suas família para estabelecer residência em uma jurisdição de morte-com-dignidade e ganhar a opção de morrer em seus próprios termos."

No vídeo acima, Maynard expressa que sente um nível de alívio incrível ao saber que ela não tem que sofrer. Em vez disso, ela tem a opção de morrer em uma cama, cercada de amigos próximos e familiares, ouvindo a música que ela ama.

"Espero aproveitar, no entanto, os muitos dias que me foram dados nesta bela Terra e passar lá fora o máximo de tempo que puder, cercada por aqueles que eu amo. Espero morrer em paz", conclui Maynard no vídeo.

H/T People

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.