NOTÍCIAS
21/10/2014 12:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Eleições 2014: Bolsa cai 4% e dólar se aproxima dos R$ 2,50 com pesquisas que mostram vantagem de Dilma

VANESSA CARVALHO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚ

Mais uma vez a Bolsa cai e o dólar sobe em reação à divulgação de pesquisas que mostram a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, à frente de Aécio Neves (PSDB), embora no limite da margem de erro, o que configura empate técnico.

Ao abrir nesta terça-feira (21), o Ibovespa chegou a cair 4,4%. O índice chegou a operar abaixo dos 52 mil pontos presssionado pelas pesquisas Datafolha e Vox Populi divulgadas nesta segunda e pelo PIB da China, que cresceu 7,3% no terceiro trimestre do ano, o pior número em cinco anos.

Das 70 ações negociadas, 66 chegaram a cair. As ações da Petrobras, no centro de denúncias de corrupção, caíram mais de 7%, assim como as da Eletrobras, também em dificuldades devido aos prejuízos no setor elétrico provocados pela seca em várias regiões do país e a redução das tarifas realizada durante o governo Dilma.

Já o dólar chegou a ser vendido a R$ 2,50, segundo a agência Reuters, e no meio da manhã estava sendo negociado a R$ 2,492. Na segunda-feira, a moeda norte-americana foi negociada a R$ 2,4637.

No primeiro turno, sempre que as pesquisas apontavam o favoritismo de Dilma, a bolsa também caiu e o dólar subiu. Já nos momentos em que Marina Silva (PSB) aparentava ter chances de ir ao segundo turno e bater Dilma, o contrário ocorria. O mesmo ocorreu no início do segundo turno, com a chegada de Aécio ao segundo turno e as primeiras pesquisas mostrando favoritismo dele (embora também dentro da margem de erro).

Os investidores no mercado financeiro tem reagido negativamente à possibilidade de vitória de Dilma por acreditarem que a presidente, se reeleita, dará continuidade à política econômica de seu primeiro mandato, considerada por eles como excessivamente intervencionista e leniente com a inflação (veja abaixo).

Já o programa econômico de Aécio Neves, que já indicou Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central durante o governo FHC, como seu ministro da Fazenda, é visto com bons olhos pelo mercado financeiro.

Inflação segue acima do teto da meta

Nesta terça foi divulgada mais uma prévia da inflação oficial: em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA-15) registrou aumento de 0,48%. Em setembro, o aumento havia sido de 0,39%.

No ano, o IPCA-15 (medido pelo IBGE) acumula alta de 5,23% e, em 12 meses, de 6,62%, acima do teto da meta de inflação estabelecido pelo governo, que é de 6,5% ao ano. A inflação oficial de 2014 só será divulgada no início de 2015.

Em outubro, os alimentos foram os principais responsáveis pela alta da inflação, com destaque para as carnes (2,38% de aumento), cerveja (3,52%), frango (1,75%) e arroz (1,35%) em outubro. A energia elétrica ficou 1,28% mais cara e o gás de cozinha, 2,52%.

A inflação alta (próxima ao teto da meta) tem sido uma das principais críticas do oposicionista Aécio à gestão de Dilma Rousseff. A presidente argumenta, no entanto, que a inflação está sob controle e que a alta dos preços dos alimentos é resultado de problemas sazonais.

LEIA TAMBÉM

Dilma cresce entre os eleitores da classe C e do Sudeste (DATAFOLHA)