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18/10/2014 19:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Pela primeira vez, Dilma Rousseff admite desvios na Petrobras

ASSOCIATED PRESS
Brazil's President Dilma Rousseff, who is running for re-election with the Workers Party, PT, speaks during a campaign meeting with governors from states that are members of her political coalition in Brasilia, Brazil, Tuesday, Oct. 7, 2014. President Rousseff will face challenger Aecio Neves in a second-round vote in Brazil's most unpredictable presidential election since the nation's return to democracy nearly three decades ago. (AP Photo/Eraldo Peres)

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, admitiu neste sábado, 18, que "houve desvio" na Petrobras, conforme denúncias do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Foi a primeira vez que a presidente confirmou a existência de desvio. A confirmação pela candidata ocorreu durante entrevista coletiva nesta tarde, no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. "Se houve desvio de dinheiro público queremos ele de volta. Se houve não, houve, viu?", afirmou.

Dilma afirmou também que o governo pretende pedir o ressarcimento de todos os recursos desviados pelo esquema comandado por Costa, com recursos desviados por meio de construtoras para financiar partidos políticos - entre eles, o PT, o PMDB e o PP. "Eu tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos", disse. "Farei todo o possível para ressarcir o País."

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A presidente, contudo, disse que ainda não foi informada sobre valores que poderiam voltar para a estatal em razão da recusa do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir o acesso do governo a detalhes da delação premiada de Costa. "Ninguém sabe o que tem para ser ressarcido, porque os dados mais importantes da delação premiada não foram entregues a nós", disse.

Ao ser questionada sobre se o pagamento de R$ 10 milhões por Costa ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, morto no início deste ano, tiraria dos tucanos a bandeira da ética, ela afirmou que "ninguém está acima de suspeita". "Não acho que ninguém no País tenha a primazia da bandeira da ética. Até o retrospecto do PSDB não lhe dá essa condição. Acho que não dá a partido nenhum", comentou. "Acho que ninguém está acima de qualquer suspeita no Brasil."