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15/10/2014 03:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

#DebateNaBand: Duelo aguardado entre Dilma e Aécio peca pelos excessos e frustra mais de 60 milhões de eleitores

MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Uma boa parcela dos 64.656.479 de eleitores que não votaram em Dilma Rousseff (PT) ou em Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno certamente ficou frustrada com o primeiro debate entre os presidenciáveis neste segundo turno, realizado na noite desta terça-feira (14) na Rede Bandeirantes, em São Paulo. No duelo dos excessos de tudo, menos propostas, a dúvida permanece (veja em tweets como foi o confronto).

Interesse no duelo entre a petista e o tucano com certeza houve, uma vez que, segundo a emissora, o encontro de 1h30 teve 11 pontos de média de audiência, com pico de 13,6 pontos – ficando assim em primeiro lugar na TV aberta por dois terços do tempo. Infelizmente, a polarização entre os dois candidatos pouco produziu no âmbito das propostas claras e concretas.

Passadas as cordialidades das apresentações que cada um fez de si, o clima foi tenso do início ao fim, com excessos nos ataques, no uso e contraponto de números, nas propagandas do que cada um fez quando ocupou um posto executivo, e por fim nos assuntos ligados ao Estado de Minas Gerais, que Aécio governou por oito anos, mas do qual Dilma saiu-se vencedora no primeiro turno.

A tática de tentar desmentir ou desconstruir o adversário criou situações pitorescas, como quando o tucano acusou Dilma de ter “obsessões” pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda se Aécio vencer o pleito deste ano. Do outro lado, a presidente tirou o rival do sério ao acusá-lo de nepotismo, por empregar irmão, tia, tio e três primos no governo mineiro.

Houve ainda um verdadeiro troca-troca de palavras que chegaram aos treding topics do Twitter, como a “ofensa” de lançar a palavra leviana (o) para lá e para cá, ou a “fabulação” sobre o DNA do Bolsa Família, cujo pai apontado por Aécio foi FHC, o que fez Dilma dizer que o tucano “tinha ido longe demais”. E sim, eles trocaram farpas sobre corrupção na Petrobras, no aeroporto de Cláudio (MG), sobre temas como saúde e educação, mas sempre desta forma: quem foi pior aqui e ali, e quem faltava com a verdade a cada pergunta e resposta.

Dos mais de 64 milhões que não escolheram Dilma e Aécio no primeiro turno, quase 39 milhões votaram em branco, anularam ou simplesmente não compareceram. O restante votou nos demais candidatos que ficaram pelo caminho. Se a meta era ganhar terreno (e votos) com propostas no debate na Band, pode-se dizer que o tiro saiu pela culatra. Restam mais três debates até a votação do dia 26 de outubro.

O próximo debate acontece já na tarde desta quinta-feira (16), no SBT. O eleitor em dúvida sobre qual rumo seguir espera por um encontro com maior nível intelectual, embora o desenho nesta disputa pareça ser mesmo o de ‘tacar no ventilador’, sem absolvição para nenhum dos dois candidatos.

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