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15/10/2014 15:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Água pode acabar em novembro em São Paulo, diz presidente da Sabesp

Jacques Lepine/ Estadão Conteúdo

A água vai acabar "em meados de novembro" na cidade de São Paulo se a falta de chuvas continuar na região e o uso da segunda cota do volume morto no Sistema Cantareira não for autorizado, afirmou a presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo ), Dilma Pena, em depoimento na Câmara Municipal na manhã desta quarta-feira (15). Enquanto isso, as queixas de falta d'água se espalharam e já atingem residências por toda a cidade.

Para evitar o desabastecimento generalizado, Dilma Pena disse contar com a volta das chuvas após o dia 20 e com obras para a captação da segunda cota do volume morto no Sistema Cantareira. "Nós temos uma obra de finalização para disponibilizar para o Sistema Cantareira mais 106 milhões de metros cúbicos por segundo", afirmou a presidente da Sabesp.

Entretanto, uma liminar judicial expedida no último dia 10 a pedido dos Ministérios Públicos Federal e Estadual impede a captação da segunda cota do volume morto enquanto as autoridades responsáveis não apresentarem estudos técnicos que comprovem a necessidade desta captação e suas consequências para a recuperação do sistema e o futuro do abastecimento.

O uso da segunda cota do volume morto também depende de uma autorização da ANA (Agência Nacional de Águas).

A Sabesp enviou essas informações na última sexta (10), mas ainda não houve resposta.

No depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta pelos vereadores para investigar a falta de água, Dilma Pena foi criticada pela falta de transparência da empresa perante a população diante da crise. Ela argumentou que algumas peças publicitárias haviam sido barradas pela Justiça Eleitoral. "Não podíamos falar a palavra 'seca'. Só alertar para a economia. Não podíamos falar da gravidade da situação", argumentou.

Segundo o G1, moradores afetados pela falta d'água afirmam que preferem um "racionamento oficial" às interrupções sem aviso prévio.

Torneiras secas

Nesta terça-feira (14), moradores de Perdizes e Pompeia, na Zona Oeste, da Aclimação, Cambuci, Consolação e Pacaembu, no Centro, Limão e Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, e Vila Guarani e Jardim Ângela, na Zona Sul, tiveram torneiras vazias

As queixas de falta d'água, antes frequentes entre moradores e comerciantes de bairros localizados em pontos mais altos da capital paulista, se espalhou e agora atinge residências por toda a cidade. A crise hídrica está afetando até o Parque do Ibirapuera, na Zona Sul, que ficou sem água nos bebedouros.

Desde o último fim de semana, moradores de Perdizes e Pompeia, na Zona Oeste, da Aclimação, Cambuci, Consolação e Pacaembu, na região central, Limão e Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, e Vila Guarani e Jardim Ângela, na Zona Sul, ficaram com as torneiras vazias à noite e até durante o dia pela primeira vez.

Foi o que aconteceu nesta terça-feira com o empresário Celso Cury, de 37 anos, dono do restaurante árabe Casa Cury, em Perdizes. Por volta do meio-dia, ele se viu diante de um relógio de água que girava, mas o líquido não saía. "Se isso continuar acontecendo, vamos ter de mudar o cardápio e servir só os sanduíches. Assim, não vou precisar usar tantas panelas", diz Cury. Outro plano do empresário, caso a crise se agrave, é antecipar as férias dos funcionários.

Os paulistanos que foram aproveitar o calor no Parque do Ibirapuera encontraram os bebedouros do local secos durante o dia de ontem. Procurada, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente confirmou o problema. No entanto, segundo a pasta, a falta de água foi causada por uma manutenção na rede da Sabesp. A AMA Vila Palmares, na Zona Norte, teve de ser socorrida por caminhões-pipa para não fechar as portas. Segunda a Secretaria Municipal de Saúde, a unidade ficou sem água na segunda-feira e ontem. O desabastecimento, segundo a Sabesp informou à secretaria, era resultado de uma "manutenção" emergencial na região.

Na segunda, as torneiras secaram às 15 horas na Rua Augusta, na região central da capital. "A água só voltou de madrugada e hoje está fraca. Tenho medo que falte de novo, porque temos movimento 24 horas por dia aqui, conta o gerente do BH Lanches, Evandir Barbosa de Lima, de 57 anos.

No último sábado, das 7 horas às 20h30, a água não chegou ao salão de cabeleireiro onde trabalha Danilo Vicente José, de 31 anos, localizado na Rua Reims, no Limão, zona norte. "Faltou água durante o dia inteiro, da hora que abrimos até quando fechamos o salão."

Ficar sem água durante a noite já era uma realidade para Andrea Gattoni, de 47 anos, proprietária do Hostel Traipu, no Pacaembu, na região central. Mas, desde segunda-feira, a água tem voltado com menor pressão e está prejudicando o funcionamento dos banheiros do local. "Temos dez banheiros, mas só estamos usando um. A pressão da água está prejudicando as válvulas (dos sanitários)."

Racionamento disfarçado? Sabesp jura que não

Sobre a falta de água registrada em diversos bairros da capital, Dilma Pena reafirmou que não há racionamento. Na semana passada, a presidente da Sabesp já havia declarado que a companhia tem diminuído a pressão do bombeamento de água durante a noite, o que pode estar afetando o abastecimento em locais altos ou sem caixa d’água, mas negou que se trate de um racionamento disfarçado.

“Não temos nada contra a palavra racionamento. Nós temos simulações de melhor utilização da água disponível”, afirmou Dilma Pena nesta quarta na Câmara Municipal. Ela também garantiu que a situação está “sob controle”.

Segundo a Sabesp, as altas temperaturas dos últimos dias provocaram aumento do consumo que, associado às medidas operacionais para levar água de outros sistemas a bairros originalmente atendidos pelo Cantareira e a serviços de manutenção, resultaram na falta d'água em determinadas regiões e horários.

Com informações do Estadão Conteúdo.