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13/10/2014 11:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Após análise de 1.700 cartuchos, relatório afirma que Estado Islâmico possui armas produzidas em 21 países

AP Photo

Os militantes do Estado Islâmico portam armas produzidas em 21 países diferentes – incluindo os Estados Unidos --, segundo um novo relatório divulgado na semana passada.

O estudo de munições recolhidas durante enfrentamentos do grupo com forças curdas no norte do Iraque da Síria em julho e agosto demonstram as diversas origens das armas usadas pelo grupo extremista.

Investigadores do grupo de monitoramento de armamentos Conflict Armament Research catalogaram mais de 1.700 cartuchos de balas por país de origem e data de fabricação. O relatório indica que a maioria das armas parece ter sido capturada das forças enfrentadas pelo EI – de exércitos nacionais a grupos rebeldes com apoio estrangeiro, tanto no Iraque como na Síria.

“A lição é que as forças de defesa e segurança que receberam munição de nações externas não têm a capacidade de manter a custódia dessa munição”, disse ao The New York Times James Bevan, diretor do Conflict Armament Research, entidade fundeada pela União Europeia.

Eis três conclusões-chaves do relatório:

1. A maior parte das armas do Estado Islâmico vem de China, Rússia e Estados Unidos.

Duas das principais fontes de armamentos dos militantes, diz o relatório, são suprimentos conquistados do exército sírio, cujo estoque significativo de armas russas e soviéticas ainda está sendo reabastecido, e arsenais capturados no Iraque que contêm muitas armas produzidas nos Estados Unidos.

O relatório nota que quase 20% dos cartuchos catalogados podem ser ligados a fabricantes americanos. Além disso, o relatório aponta que o Estado Islâmico parece usar “quantidades significativas” de munição fabricada na Rússia sob a marca Wolf e distribuída pelos Estados Unidos para países aliados no Oriente Médio.

China, Rússia e a extinta União Soviética, Estados Unidos e Sérvia são responsáveis por mais de 80% das amostras de munição coletadas, segundo uma análise do relatório feita pelo The New York Times.

Bevan disse ao jornal que as armas chinesas são particularmente difíceis de rastrear pois as vendas de armamentos do país em geral “não são nada transparentes”.

2. Alguns militantes sírios estão aprendendo a dificultar o rastreamento das armas.

Várias ex-autoridades americanas disseram ao Centro para Integridade Pública que estão céticas em relação ao envio de novos suprimentos de armas americanas para certos grupos rebeldes sírios – essa transferência foi aprovada pelo Congresso no mês passado.

Elas afirmam temer que as armas caiam nas mãos do Estado Islâmico. Diz o artigo:

“Enfrentamos um enorme desafio [de monitoramento] quando, na prática, controlávamos o Iraque e tínhamos muitas bases onde podíamos realizar esse tipo de treinamento”, disse Joseph Christoff, que dirigiu as relações internacionais e comerciais [no órgão supervisor de transações do governo americano] entre 2000 e 2011, quando repetidas vezes identificamos problemas no controle do uso de armas americanas no Iraque e no Afeganistão.”

“Não sei como vamos fazê-lo de forma segura nesse novo programa” destinado a armar forças rebeldes sírias aliadas aos Estados Unidos, diz Christoff.

É improvável que o controle sobre os armamentos seja mais fácil agora, indicou um investigador ao Centro para Integridade Pública.

O investigador disse que militantes na Síria – sem especificar quais grupos – agora usam tochas de oxiacetileno para apagar os números de série das armas estrangeiras. Eles também têm colocado novos números de série nos armamentos. Isso dificulta o rastreamento dos fabricantes e as tentativas de controlar o fluxo dos arsenais, disse o investigador.

3. As armas constantemente passam de um grupo para o outro.

As armas estrangeiras na Síria e no Iraque não acabam somente nas mãos do EI, explica o relatório. Ele descreve como forças curdas têm usado confrontos com os militantes para reabastecer seus próprios estoques de munição.

Como se não bastassem essas más notícias, eis um bônus de um relatório anterior do Conflict Armament Research: o Estado Islâmico parece ter lançadores de foguetes antitanque fabricados na ex-Iugoslávia e capturados de outros rebeldes sírios.

O arsenal do grupo – particularmente armas pesadas não documentadas no novo relatório – tem sido um fator chave nas campanhas do grupo, como o ataque à cidade curda de Kobani, na Síria.

É claro que isso não significa que os americanos e seus aliados estejam em situação de inferioridade militar nessa luta. Para entender o que o EI tem de enfrentar, dê uma olhada nesta lista (em inglês) compilada pela revista National Interest.