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11/10/2014 14:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Corrupção na Petrobras: Após ligar esquema a partidos, Paulo Roberto Costa confirma ter participado de campanha do petista Lindberg Farias

Montagem/Estadão Conteúdo

Reportagens da revista Época e do jornal Folha de S. Paulo mostram neste sábado (11) que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, teria atuado durante os preparativos da campanha do senador Lindberg Farias (PT-RJ), que foi candidato ao governo fluminense nestas eleições. Dias antes, o depoimento de Costa e do doleiro Alberto Yousseff haviam implicado o PT, PMDB e PP.

Segundo a Época, durante o depoimento prestado à Justiça na semana passada, o ex-diretor da estatal disse ter sido abordado no começo do ano por um candidato ao governo do Rio de Janeiro. A pedido do juiz federal Sérgio Moro, Costa não deu o nome de políticos, já que eles contam com foro privilegiado e só podem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas tanto a revista quanto a Folha dizem que o político em questão é Lindberg Farias. Trata-se, assim, do primeiro nome ligado ao partido a ser citado nominalmente no escândalo – apesar de Yousseff ter dito que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era costumeiramente pressionado por aliados a fazer as indicações para cargos na Petrobras.

“O objetivo é que eu preparasse para ele um programa de energia e infraestrutura de maneira geral. E participei de umas três reuniões com esse candidato lá no Rio de Janeiro, assim como outras pessoas participaram. Foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir para o cargo político a que ele estava concorrendo”, disse Costa à Justiça.

O senador petista se defendeu, em nota enviada à revista. Ele confirmou ter tido três reuniões com Costa em janeiro deste ano, mas negou que o ex-diretor tenha participado “de nenhuma forma da captação de doações eleitorais”. “Não se pode confundir isso com as atividades ilícitas do ex-diretor, posteriormente reveladas pela chamada Operação Lava Jato”, completou, citando o esquema investigado pela Polícia Federal que pode ter desviado cerca de R$ 10 bilhões dos cofres públicos.

Revista IstoÉ cita ‘suspeita’ sobre campanha de Dilma

Já a revista IstoÉ traz reportagem neste sábado em que coloca a campanha da presidente Dilma Rousseff, nas eleições de 2010, sob suspeita de ter recebido recursos financeiros advindos do esquema de corrupção na estatal. “As movimentações irregulares, segundo disseram, continuaram até 2012, quando Costa deixou a estatal, e pode ter contaminado a atual campanha de Dilma à reeleição”, diz a reportagem.

O PT, assim como os demais partidos e empresas citadas por Costa e Yousseff, negam as acusações de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. O uso político das denúncias, inclusive, fez com que Dilma acusasse na sexta-feira (10) a oposição de estar “tentando dar um golpe” durante o atual pleito eleitoral.

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