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11/10/2014 10:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Bolívia escolhe presidente e parlamentares no domingo; pesquisas indicam reeleição de Evo Morales

Juan Karita/AP

Mais de seis milhões de bolivianos vão às urnas nesse domingo (12) para eleger o presidente do país. Pesquisas indicam que o atual presidente, Evo Morales, deve se reeleger no primeiro turno.

De acordo com uma pesquisa divulgada na última quarta-feira (8) pela consultoria Ipsos, Morales deve se eleger com 59% dos votos, assumindo seu terceiro mandato, de 2015 a 2020. Ele chegou ao poder em 22 de janeiro de 2006.

Com sua permanência no poder, Morales pode se tornar o mandatário que governou a Bolívia por mais tempo. Hoje o título pertence a Andrés de Santa Cruz (1829-1839).

Caso a eleição não seja definida no primeiro turno, o segundo acontecerá dia 7 de dezembro.

Segundo a Telesur, 272.058 bolivianos residentes em 33 países irão votar. No Brasil, de acordo informações do consulado cerca de 40 mil cidadãos se cadastraram para votar, sendo a maioria (35.736), em São Paulo.

O empresário do ramo do cimento Samuel Doria Medina, candidato presidencial de centro-direita, ficou em segundo lugar na pesquisa, com 13% das preferências.

A pesquisa da Ispos aponta em terceiro lugar o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga (2001-2002), com 8%. Outros dois candidatos têm menos de 3% das intenções de voto. No total, cinco partidos disputam o controle do poder executivo.

A terceira e última pesquisa da Ipsos foi realizada entre 8 e 23 de setembro e consultou 3.000 pessoas.

Medina afirmou ao La Nación, jornal argentino, que o processo eleitoral do país é fraudulento, com todas as regras conspirando para que Morales vença a eleição.

Ele afirma que o governo usa a máquina pública para fazer propaganda eleitoral, que o Tribunal Superemo Eleitoral responde diretamente a Morales e que, por fim, o governo proibiu a compra de spots publicitários para a defesa da oposição.

“Na Bolívia, as vezes as pesquisas eleitorais tem 33% de margem de erro”, afirmou ao jornal.

Esta eleição será a primeira organizada após a decretação da lei eleitoral em 2010, que introduziu várias modificações no processo eleitoral do país.

Além do presidente e do vice-presidente, os Bolivianos vão escolher os membros que vão compor a Assembleia Legislativa. De acordo com dados divulgados pela Telesur, 52% dos candidatos são mulheres.

Serão escolhidos 36 senadores, quatro para cada um dos nove estados bolivianos. A votação também inclui a escolha de 130 deputados.

Quem é Evo Morales

Ex-líder cocalero, Morales, 54, se transformou em 2006 no primeiro presidente indígena da Bolívia e, depois de uma reforma constitucional, foi eleito novamente em 2010.

Seu governo foi marcado por reformas de cunho socialista e pela estatização boa parte dos recursos naturais do país.

Uma reportagem da BBC descreve Morales como um presidente “sem formação acadêmica, com um passado de sindicalista e certa tendência a dizer coisas inapropriadas”.

Seus opositores o chamam de populista, e o acusam de ter aspirações de se perpetuar no poder. Embora Morales seja candidato ao terceiro mandato, a Constituição só permite uma tentativa de reeleição. Ele é candidato com o aval do Tribunal Constitucional do país.

Um dos pontos que podem levar Morales a reeleição é o ritmo acelerado da economia boliviana. O Wall Street Journal afirma que, se reeleito, Morales deve “grande parte de sua popularidade ao principal arquiteto do renascimento econômico do país: o ministro da economia Luis Alberto Arce”.

Outra tônica do seu governo são as “nacionalizações” do setor energético, feito por meio da renegociação dos contratos de concessão firmados com multinacionais estrangeiras.

Desde 2006, o governo passou a exigir que companhias que não fossem bolivianas pagassem um adicional de 32% em impostos.

Esses novos recursos, afirma a BBC, fomentaram programas assistencialistas voltados para crianças e idosos, e também possibilitaram maior investimento em infraestrutura.

Com dez anos seguidos de crescimento, redução da dívida externa e aumento das reservas internacionais, o governo de Morales reduziu a pobreza extrema de 38% para 20%. Desde que Morales assumiu a presidência, a Bolívia registra um crescimento anual de cerca de 5%, após anos de instabilidade econômica.

Outro aspecto destacado por analistas é sua capacidade em traduzir conceitos econômicos, como, por exemplo, a inflação, para os eleitores.

O atual presidente também é duramente criticado por grupos de direitos humanos, que o acusam de intimidar os opositores e a imprensa. Segundo Andrés Oppenheimer, Morales já mandou vários desafetos políticos para o exílio ou para a cadeia.

(Com informações da Reuters)