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09/10/2014 21:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Volta ao passado x mudança com união: Dilma Rousseff e Aécio Neves mostram as suas armas no retorno da propaganda na TV (VÍDEOS)

Montagem/Reprodução

As campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) deram início, na noite desta quinta-feira (9), ao segundo turno da corrida presidencial no rádio e na TV. Cada campanha teve dez minutos para se dirigir ao eleitorado brasileiro, cada uma a sua maneira. Nos discursos, porém, muito pouca novidade se viu, pelo menos para quem vem acompanhando a campanha desde o início.

Dilma foi a primeira a aparecer para o público e dividiu o seu programa sob dois assuntos centrais: os avanços obtidos pelo seu governo e durante os 12 anos do PT no comando do País, e a representatividade de Aécio do modelo anterior a 2003, citando textualmente os anos do governo do então presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

“Será um governo novo com ideias novas. As mudanças serão feitas para melhorar”, disse Dilma, sem se referir a quais mudanças e ideias novas seriam essas. A presidente foi enfática ao bater nos tucanos, ao dizer que “o que está em jogo é um modelo de País”. “O meu adversário representa o modelo que quebrou o País três vezes”, sentenciou, para dizer que ela é a representação de um Brasil “mais próspero, feliz e justo”.

A presidente ainda citou alguns dos principais programas que promete ter em seu governo, caso reeleita, como o Mais Especialidades na área da saúde. O programa, porém, não deixou de atacar um ponto considerado nevrálgico de Aécio: os seus feitos em Minas Gerais em oito anos como governador. A propaganda de Dilma enfatizou a vitória do partido no Estado, no primeiro turno, e deu espaço para os principais governadores da sigla eleitos neste ano.

Como esperado, a tônica de comparar os 12 anos de PT contra os oito de FHC serão a principal tática da campanha de Dilma para vencer a oposição ganhar mais quatro anos no Palácio do Planalto.

‘Coincidência’ que une Tancredo a Aécio

O programa de Aécio Neves não foi menos previsível ao insistir em ligar o tucano ao seu avô, Tancredo Neves, primeiro presidente eleito após o fim do regime militar. A peça de TV compara ainda o cenário dos tempos das Diretas Já com o atual, com Tancredo e Aécio tendo um papel semelhante, cada qual em sua respectiva época.

O candidato aparece também, como vinha fazendo no primeiro turno, exaltando que ele “é a mudança segura que o Brasil precisa”. E Aécio tenta reforçar tal posição ao mostrar os apoios que a sua candidatura recebeu nesta semana de Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV) e do PSB (oficialmente, Marina Silva não se posicionou). Sobra um tempinho ainda para o tucano discursar e citar Eduardo Campos, cujo legado estaria em suas mãos agora.

Sobra tempo ainda para a campanha do PSDB voltar a apresentar a trajetória e biografia do candidato à Presidência, exaltando sobretudo a sua gestão no governo de Minas Gerais. Por fim, há tempo ainda para a inserção da cor vermelha na propaganda tucana, apenas para exaltar com esse fundo de tela os problemas que o Brasil enfrenta sob o comando do PT.

“Sou o sinônimo da mudança que o Brasil precisa”, resumiu Aécio, chamando a responsabilidade e pedindo o apoio do eleitorado, o “grande vencedor” do primeiro turno, segundo ele, por justamente o ter levado para o segundo turno contra Dilma – aquela que, segundo o candidato, usará de “todos os artifícios pelo seu projeto de poder”.

Itens explorados pelo PSDB no primeiro turno contra o governo federal, como os escândalos da Petrobras, não foram colocados neste programa inicial dos tucanos. Mas certamente irão aparecer ao longo das próximas três semanas, até a votação do dia 26 de outubro.

O tom morno dos dois programas eleitorais deve dar lugar a um clima bem mais intenso, quente e porque não sujo, a medida que o cenário eleitoral for se desenhando até lá.

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