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06/10/2014 14:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Bovespa dispara e dólar cai com bom desempenho de Aécio no 1º turno da eleição

Aecio Neves, presidential candidate of the Brazilian Social Democracy Party, PSDB, waves during a press conference in Belo Horizonte, Brazil, Sunday, Oct. 5, 2014. Official results showed Sunday that President Dilma Rousseff will face challenger Aecio Neves in a second-round vote in Brazil's most unpredictable presidential election since the nation's return to democracy nearly three decades ago.(AP Photo/Eugenio Savio)
ASSOCIATED PRESS
Aecio Neves, presidential candidate of the Brazilian Social Democracy Party, PSDB, waves during a press conference in Belo Horizonte, Brazil, Sunday, Oct. 5, 2014. Official results showed Sunday that President Dilma Rousseff will face challenger Aecio Neves in a second-round vote in Brazil's most unpredictable presidential election since the nation's return to democracy nearly three decades ago.(AP Photo/Eugenio Savio)
SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa chegou a subir 8 por cento na manhã desta segunda-feira, refletindo a animação no mercado financeiro com o desempenho do candidato de oposição Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno da eleição presidencial no domingo.

O Ibovespa desacelerou a alta, mas ainda tinha valorização expressiva. Às 11h33, o índice avançava 5,09 por cento, para 57.316 pontos, tendo alcançado os 58.897 pontos na máxima até esse horário. O volume financeiro no pregão somava 5,2 bilhão de reais.

Em uma arrancada final surpreendente, o tucano garantiu vaga no segundo turno com muito mais facilidade do que as últimas pesquisas apontavam e ainda se aproximou da primeira colocada, a presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, como em nenhum momento da campanha.

"A votação de Aécio Neves foi absolutamente surpreendente e não pela sua ida ao segundo turno, mas pela expressiva soma de votos... Em nenhuma sondagem eleitoral o senador tucano estava tão bem posicionado", afirmou o analista Marco Aurélio Barbosa, da CM Capital Markets, em nota a clientes.

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Operadores e analistas têm manifestado insatisfação com as diretrizes econômicas do governo Dilma. Perspectivas de alternância em Brasília têm servido como argumento para compras na bolsa nos últimos meses e vice-versa.

O sócio e diretor de estratégia na consultoria Arko Advice, Thiago Aragão, também destacou que o resultado de Aécio foi bem acima das expectativas, e avaliou que a disputa agora será "tête-à-tête, em igualdade de condições --pelo menos do que diz respeito a tempo na televisão e recursos financeiros".

Dilma teve 41,59% dos votos válidos e Aécio com 33,55% por cento. Ações de estatais que têm reagido fortemente ao cenário eleitoral lideravam os ganhos do Ibovespa nesta sessão.

As preferenciais da Petrobras, por exemplo, avançavam 10,2 por cento, após terem disparado mais de 17 por cento em seu melhor momento. Os papéis ordinários da petroleira ganhavam 8,9 por cento.

Também nesta segunda-feira o UBS revisou a recomendação da ação da Petrobras para "compra", ante "neutra", com o preço-alvo da ordinária elevado para 21,50 reais, ante 20 reais.

Papéis do setor financeiro e imobiliário também se destacavam na ponta positiva do Ibovespa. Segundo operadores, o movimento de alta era ampliado por cobertura de posições vendidas daqueles que apostavam em um cenário mais tranquilo para Dilma na corrida presidencial.

Analistas ponderam, contudo, que ainda é incerto o desfecho da disputa pelo Palácio do Planalto. Assim, a expectativa é que a alta volatilidade na bolsa brasileira continue pelo menos até o próximo dia 26, quando acontece a votação final.

"O senador tucano precisará que aproximadamente 80 por cento do eleitorado de Marina Silva vote nele para vencer essa eleição", acrescentou Barbosa, da CM Capital Markets, citando que essa será uma tarefa árdua.

"O resultado final da eleição não é claro, parecendo bastante indefinido, por sinal", citou a corretora Brasil Plural, em nota a clientes.

O quadro externo positivo referendava a euforia no pregão brasileiro nesta manhã. Wall Street trabalhava com os principais índices no azul, com investidores confiantes sobre a força da economia dos Estados Unidos e a política monetária do Federal Reserve, banco central do país.

Fora do Ibovespa, a ação da Cosan Log, resultado da cisão da parcial da Cosan, estreeou na bolsa nesta sessão com ganho de dois dígitos.

Dólar

O dólar caiu cerca de 3 por cento ante o real nesta segunda-feira, chegando ao patamar de 2,38 reais na mínima do dia, após o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, garantir uma vaga no segundo turno das eleições com surpreendente arrancada final, aproximando-se da atual presidente Dilma Rousseff (PT) como nunca na campanha.

Operadores diziam, no entanto, que esse movimento não deve se sustentar nas próximas semanas, uma vez que a disputa no segundo turno deve ser acirrada e manter o mercado volátil.

Às 9h54, a moeda norte-americana recuava 2,92 por cento, a 2,3900 reais na venda, após alcançar 2,3782 reais na mínima da sessão, com queda de 3,40 por cento. O contrato futuro do dólar para novembro caía 2,70 por cento, a 2,4100 reais.

"O mercado está eufórico com a possibilidade de um segundo turno mais disputado", disse o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.

Aécio ficou com 33,6 por cento dos votos válidos, o equivalente a 34,9 milhões, enquanto Dilma marcou 41,6 por cento, ou quase 43,3 milhões de votos. O desempenho do tucano veio bem acima do indicado nas pesquisas de intenção de voto, surpreendendo investidores.

Dilma é alvo de fortes críticas no mercado financeiro, que prefere a política econômica mais ortodoxa prometida por Aécio. Analistas acreditam que o mercado deverá continuar volátil até o segundo turno, no próximo dia 26, operando com base no noticiário político e nas pesquisas. Mas a médio prazo, preveem pressão de alta do dólar devido à perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos.

"O dólar deve ter um movimento instantâneo de queda", afirmou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. "A queda não deve levar a moeda ao patamar inferior a 2,30 reais, nem o PSDB quer isso", acrescentou.

Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, como parte das atuações diárias. Foram vendidos 2 mil contratos para 1º de junho e 2 mil para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a 197,7 milhões de dólares.

O BC também fará nesta sessão mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 3 de novembro, que equivalem a 8,84 bilhões de dólares, com oferta de até 8 mil contratos. Até agora, a autoridade monetária já rolou cerca de 13 por cento do lote total.