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29/09/2014 03:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

#DebateNaRecord: No mais triste dos debates, Marina e Aécio mostram táticas próprias para encarar Dilma no segundo turno

Montagem/Estadão Conteúdo

O penúltimo debate entre os presidenciáveis antes de 5 de outubro, realizado na noite deste domingo (28) na sede da TV Record, em São Paulo, foi provavelmente o mais triste de todos. Sim, primeiro pela polêmica em torno das declarações de Levy Fidelix (PRTB), as quais foram bem abordadas pelo Brasil Postaqui, mas também pela maior vontade em desconstruir rivais do que construir propostas.

Evidentemente, alguém dirá que “é do jogo político” tais posturas, mas em tempos nos quais se buscam por mudança, se fala em “nova política”, era de se esperar um pouco mais dos três principais candidatos, pela ordem da preferência do eleitorado: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB).

Se no primeiro debate, realizado na Rede Bandeirantes, ainda envolto no clima de comoção em torno da morte de Eduardo Campos, a expectativa era saber quem enfrentaria Marina no segundo turno, o cenário atual põe a pessebista e o tucano em uma luta contra o tempo para definirem quem irá avançar à reta final contra a petista, que parece garantida a menos de uma semana das eleições.

A primeira pergunta, feita por Dilma para Marina, em torno da CPMF, deu mostras que a tática do PT, naturalmente, segue sendo desgastar a ex-senadora, mostrando-a como pouco confiável. Nesse ponto, Aécio também pega carona, concordando somente em pontos nos quais possa levar a um desgaste da presidente, como os escândalos da Petrobras e problemas nas áreas de segurança pública e matrizes energéticas.

Mas a curva ascendente, com base nas recentes pesquisas Ibope e Datafolha, fez com que o tucano intensificasse a meta de se descolar de Marina, esta muito associada pelos adversários às políticas do PSDB. Para ‘não ser confundido’ com ela, Aécio repetiu o discurso de ser mais bem preparado, sem improvisos, algo que ele associa à pessebista. Reafirmou propostas, como a manutenção de programas sociais, e voltou a carga pela diminuição da maioridade penal.

Não há como ignorar que Marina dá sinais de abatimento pelo desgaste provocado nas últimas semanas, sobretudo pela atuante militância do PT, e em menor escala pelas críticas dos tucanos e dos chamados ‘nanicos’, os quais também visualizam inconsistências na sua candidatura. A questão repousa neste momento se a ‘desidratação de votos’ dela possui margem para prosseguir, ao mesmo tempo em que Aécio em nenhum momento avançou muito além dos 20% da preferência do eleitorado.

Photo galleryPresidenciáveis no debate da Record See Gallery


Logo após o debate, Dilma ressaltou que “foi o centro” da pauta, fosse pelos quatro pedidos de resposta (obteve apenas um), fosse pelos temas dos adversários. Usou do ataque a sua defesa, anotando cada uma das críticas recebidas, para então responder com a mais educada virulência possível. Não foi por acaso que a batida foi mais dura contra Marina: em um breve raciocínio, segue sendo mais fácil derrotar Aécio do que a pessebista no 2o turno.

Os temas principais deste penúltimo debate – além de Petrobras, os ‘boatos’ eleitorais, as políticas energéticas, a segurança, as drogas, a homofobia e a economia foram destaque – devem se repetir, com uma ou outra variação, no debate desta quinta-feira (2), na Rede Globo, o qual será o último antes do primeiro turno. Há pouco para acreditar em um maior interesse em construir. A pauta da desconstrução deve seguir, para todos.

E os demais?

Não ignoramos aqui os demais participantes – Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB) –, que também estiveram presentes e colocaram em pauta as suas próprias ideias para melhorar o Brasil. Entretanto, como pelo menos dois deles definiriam (Jorge e Fidelix), a vitória está mesmo entre os três mais bem colocados, muito embora Luciana jure de pé junto que acredita na chance de ir ao 2o turno.

Descontando as posições de Fidelix no campo dos direitos humanos (criticou a comunidade LGBT e disse que “drogados são um fardo para o País”) – para nenhum Jair Bolsonaro botar defeito –, houve quem seguisse aquele script decorado (Pastor Everaldo) e quem tentasse não só repetir suas posições conhecidas, mas também promover alguma construção de ideias (Jorge e Genro).

Não há como negar o valor das candidaturas de PSOL e PV, que buscam se colocar como alternativas. Porém, como ambos reconheceram em conversa com o Brasil Post, o importante é cooptar os eleitores que se identifiquem com os ideais de cada um, fortalecendo assim uma posição de mais representatividade na política nacional. E só, por enquanto.

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