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23/09/2014 09:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

'Não vamos governar com esse intervencionismo absurdo', diz Aécio em entrevista

Reprodução/G1

O candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) foi pressionado por não ter entregue, até agora, seu programa de governo, em entrevista aos jornalistas do Bom Dia Brasil na manhã desta terça (23). Ele afirmou que o documento terá como base as diretrizes ‘claras’ e com ‘densidade’ da experiência de governo do PSDB, e que será apresentado nos próximos dias. Ainda assim, ele não disse uma data precisa.

Segundo Aécio, o programa terá com base sua gestão no governo de Minas Gerais. O presidenciável não perdeu a oportunidade de alfinetar Marina Silva (PSB), única candidata que já apresentou seu programa de governo até o momento da campanha:

“Tenho dito: [o meu] não será um programa de governo feito a lápis, para que se passe uma borracha”, disse.

Questionado sobre o fato de não liderar as pesquisas de intenção de voto em seu reduto, Minas Gerais, Aécio rebateu dizendo que a pergunta é ‘prematura’.

Crescimento

O presidenciável criticou a gestão de Dilma Rousseff (PT) na economia.

“Foi o atual governo que afugentou durante dez anos os investimentos privados que seriam parceiros, por exemplo, na nossa infraestrutura. Esse governo demonizou, por dez anos, PPPs, concessões, privatizações, quase que os considerando crimes de lesa-pátria. Perdemos dez anos e esses investimentos, que poderiam ajudar o Brasil a ser mais competitivo”, ressaltou.

No entanto, Aécio não apresentou propostas concretas para retomar o crescimento no país. Ele voltou a declarar que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo FHC, será seu ministro da Fazenda.

“Pelas garantias que estamos dando, respeitando os contratos, sem esse intervencionismo absurdo que vemos atualmente no setor elétrico”, afirmou.

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Aécio admite rever modelo de exploração do petróleo

Durante a entrevista à TV Globo, o candidato do PSDB admitiu que pode rever o modelo de exploração do pré-sal. "É claro que aquilo que já foi concedido, que já está contratado, será contratado pelo modelo atual", assegurou o tucano. O modelo de concessões, estabelecido durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi substituído pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo modelo de partilha, após a descoberta de grandes reservas de petróleo na camada pré-sal.

No modelo de partilha, a Petrobrás obrigatoriamente participa da exploração de todos os campos de petróleo, mesmo que outras empresas privadas estrangeiras e nacionais também possam entrar como sócias. Já no modelo do governo FHC, não havia essa obrigação.

Aécio classificou a troca do modelo de concessão para o de partilha como "uma mudança muito mais de viés ideológico do que prático", e se disse preocupado com a capacidade da Petrobras de fazer os investimentos necessários para participar de todos os lotes do pré-sal.

"Mas eu quero ouvir a sociedade brasileira se, em determinados casos, o modelo de concessões, que foi um modelo que trouxe mais de 70 empresas para investir no Brasil e permitiu um aumento grande da produção de petróleo em todo aquele período, não possa também ser um modelo que possa voltar a ser executado em determinados casos", disse.

Fator previdenciário

Os jornalistas questionaram a promessa, feita pelo candidato em palestras nas centrais sindicais, de que ele iria acabar com o fator previdenciário.

Criado durante o governo FHC, o fator é um modelo de cálculo das aposentadorias, baseado no tempo de contribuição e por idade.

Os jornalistas perguntaram se ela não seria eleitoreira e, mais uma vez, citaram que o programa de governo não foi apresentado.

Aécio respondeu dizendo que ‘essa informação não existe’.

“Assumi o compromisso de discutir uma alternativa ao fator previdenciário. A médio prazo é possível encontrarmos alternativas para substituir por algo que impacte menos na renda dos aposentados’, rebateu.

Com informações da Reuters