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23/09/2014 17:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Marina e Aécio criticam uso do Fundo Soberano para fechar as contas públicas; Dilma rebate

Montagem/Estadão Conteúdo

Os candidatos à Presidência Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) criticaram a decisão do governo federal de retirar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para o pagamento de juros da dívida pública, segundo informações do Estadão.

Marina disse que, ao usar recursos do Fundo Soberano para fechar as contas públicas, a presidente Dilma Rousseff (PT) compromete a estabilidade econômica do país.

"O uso dos recursos do Fundo Soberano para socorrer as contas públicas do governo é uma demonstração clara de que o atual governo está comprometendo a estabilidade econômica de nosso País", afirmou.

A pessebista disse ainda que o fundo foi criado para ser usado em situação de extrema gravidade.

"Governar é colocar os interesses da Nação em primeiro lugar. Não sacrificá-lo em função de políticas erráticas, para ganhar a eleição", declarou.

Já Aécio Neves voltou a dizer que o governo afastou os investimentos privados e que, por isso, teve de recorrer ao Fundo Soberano para cumprir o superávit primário.

"Nós vemos agora o governo reduzir a previsão de crescimento e sacar dinheiro do Fundo Soberano do Brasil. Ao contrário do que o governo quer fazer crer, o baixo crescimento do Brasil não é resultado apenas da crise internacional. O governo demonizou o setor privado, afastou o investimento e o resultado é esse crescimento pífio", destacou.

Outro lado

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) defendeu a criação do Fundo Soberano brasileiro e afirmou, durante entrevista a jornalistas nesta terça-feira, que é ‘estarrecedor que questionem a utilização do fundo’ neste momento em que o Brasil cresce menos do que na época em que o fundo foi criado, em 2008.

"Para que se faz um fundo soberano? É uma coisa muita simples. Nas vacas gordas, você tem dinheiro. Nas vacas magras, você tem menos dinheiro", afirmou a presidente.

Dilma destacou que a estratégia do então governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi criar o Fundo Soberano em 2008, época em que o país crescia mais, com melhor desempenho e tinha arrecadação tributária maior.

A opinião da presidente é reforçada pelo ministro da Fazenda, Guido Manteiga.

“O Fundo Soberano é uma poupança primária que nós fizemos em 2008. Portanto, ele é perfeitamente utilizável. Não tem nada mais legítimo do que a utilização do Fundo Soberano, que nós economizamos em 2008, para cobrir uma parte das despesas. Então, não vejo qual a complicação nisso”, disse.

Fundo Soberano

A frustração nas projeções de crescimento da arrecadação levou o governo a sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para impedir novo corte de despesas não obrigatórias.

O lucro de R$ 1,5 bilhão das estatais também tiveram de ser usados para fechar as contas públicas. As informações são do quarto relatório bimestral de reprogramação do Orçamento, divulgado pelo Ministério do Planejamento.

Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo