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18/09/2014 21:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Dilma Rousseff defende Guido Mantega e reafirmar saída por "motivos pessoais" em sabatina para o Jornal da Record

ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

A presidente Dilma Rousseff (PT) voltou a defender o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, em sabatina realizada pelo Jornal da Record, na noite desta quinta-feira (18), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Ela confirmou que ele deverá deixar a pasta, apontando “motivos pessoais” para a mexida na equipe de governo, caso reeleita.

“Queria primeiro esclarecer uma coisa. O ministro da Fazenda Guido Mantega, a quem respeito, ficará até final do primeiro mandato. Ele tem problemas pessoais que não vale entrar em discussão, está se afastando”, disse Dilma aos jornalistas Celso Freitas e Adriana Araújo.

Nos bastidores, o tom é diferente e diz respeito às críticas do setor empresarial quanto às políticas dotadas por Mantega ao longo da gestão Dilma. Para acalmar o setor, a presidente teria se comprometido a trocar o comando da pasta.

Ao longo dos 11 minutos da entrevista, Dilma repetiu em grande parte o que vem dizendo ao longo de toda a campanha para sua reeleição, com pouca ou nenhuma novidade em seu discurso. A reportagem do Brasil Post separou alguns pontos principais da entrevista. Acompanhe:

SENTIMENTO DE MUDANÇA

“Acho que todo mundo, quando conquista algo bom, quer mudar. Ninguém quer voltar, quer sim avançar. Quem conseguiu emprego quer melhorar, faz cursos”.

CORRUPÇÃO

“Nunca se combateu tanto a corrupção, nunca se investigou tanto. Se não investigar não acha. A Polícia Federal investigou 162 ilícitos, de corrupção, lavagem de dinheiro e crime financeiro. O CGU investigou em outro nível, o Ministério Público Federal não engaveta mais. Acontece que acredito que nós precisamos de uma reforma política, sem mudar as regras do financiamento de campanha será muito difícil que tenhamos uma mudança”.

PETROBRAS

“Veja a Petrobras. Quem investigou foi a Polícia Federal, senão fosse assim não teria sido descoberto (o problema), porque o crime de corrupção fica encoberto”.

“Achar casos de corrupção não é simples. Não houve indícios antes, se chegou neles através da investigação de doleiros”.

“Tomei todas as medidas possíveis, investigamos e punimos. Acho fundamental garantir que haja provas consistentes, porque se tiver perdão, não punir, não tiver como você assegurar que a impunidade ocorra, você não acaba com a corrupção. O grande patrocinador é acharem que a impunidade vai ocorrer. Tem que investigar, tem que ter provas senão não muda”.

RELAÇÃO COM O PT

“Nas passeatas e carreatas temos todas as bandeiras e camisetas do PT. Mas a minha coligação não é só o PT, temos o PMDB, o PDT, o PCdoB, e nem todos são representados pela estrela vermelha”.

SAÚDE E MAIS MÉDICOS

“O Brasil tem uma taxa baixa de médicos (...). O futuro do programa Mais Médicos é continuá-lo até onde for possível, mas (para implantar o Mais Médicos Especialidades) nós não temos médicos suficientes. Ou entendemos isso ou será difícil fazer política de saúde”.

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