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17/09/2014 20:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Ex-diretor Paulo Roberto Costa permanece calado em novo depoimento à CPMI da Petrobras

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

NADA.

Foi exatamente isso o que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, declarou durante o novo depoimento prestado à Comissão Parlamentar Mista da estatal no Congresso Nacional nesta quarta-feira (17).

Bem, quase. Durante pouco mais de três horas e quase duas dezenas de perguntas vindas dos parlamentares da comissão, Costa respondeu exclusivamente o seguinte: “Me reservo o direito de ficar calado”, ou frases equivalentes. Era uma prerrogativa dele, autorizada pelo ministro Teori Zavaski, do Superior Tribunal Federal (STF).

A nova presença de Costa em Brasília envolvia a esperança da CPMI da Petrobras em ouvir a confirmação dele acerca dos nomes dados por ele para o Ministério Público, na chamada delação premiada. Acabaram frustrados e o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), já anunciou que buscará acesso ao teor do depoimento via STF.

Caberá a Zavaski definir se a delação premiada de Costa poderá ou não ser repassada à CPMI da estatal. Ele foi indicado para acompanhar as investigações sobre irregularidades na Petrobras, uma vez que as denúncias envolvem parlamentares, que têm foro privilegiado.

“Não tivemos nenhum progresso aqui, absolutamente nada”, resumiu a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), em declarações reproduzidas pela Agência Senado. E nada respondeu, mesmo Paulo Roberto Costa.

Para o deputado federal Fernando Francischini (SDD-PR), só há um caminho para a CPMI da Petrobras não cair no limbo. “A delação é a única forma de continuarmos com as investigações dentro do Congresso Nacional. Sem o compartilhamento das informações com o Ministério Público e com o Supremo Tribunal Federal, a CPMI está morta”, comentou à Agência Brasil.

Frustrados, os parlamentares acabaram politizando a discussão e o ex-diretor da Petrobras virou um mero espectador da troca de acusações entre governistas e opositores. “A estatal está sendo assaltada. Nosso dever é ir a fundo, investigar todas as denúncias. Os indícios de graves problemas estão aí e não são de hoje”, vociferou o deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE).

O senador Humberto Costa (PT-PE) reagiu. “Infelizmente o jogo que se faz aqui é o da disputa política. As imagens da TV Senado estão sendo usadas em programas eleitorais. Os discursos radicais muitas vezes feitos aqui são para uso político”, opinou.

Resumo do dia: o dia só serviu para Paulo Roberto Costa passear entre a carceragem da Polícia Federal onde está preso, em Curitiba, e Brasília. O mistério sobre os nomes de parlamentares e políticos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras – divulgados de maneiras diversas pela imprensa no início do mês – continua.

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