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17/09/2014 19:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Escoceses vão às urnas para decidir sobre status do país; veja questões fundamentais

Reuters

Os escoceses vão às urnas nesta quinta-feira (18) para decidir se o país se torna ou não independente do Reino Unido.

Uma separação iria romper uma união que dura 307 anos. Além de uma mudança histórica, isso significa que o Reino Unido perdeum terço do seu território e um décimo da sua população.

A disputa não ficou restrita ao mundo político. Segundo a The Week, escoceses famosos entraram na discussão.

Sean Connery declarou o seu apoio à independência e disse que a oportunidade é “muito boa para ser perdida”. Já JK Rowling, autora da série Harry Potter, doou nada menos do que 1 milhão de libras para o grupo Better Together, que apoia a manutenção do Reino Unido.

A última pesquisa divulgada pelo ScotCen, centro de pesquisas independentes, aponta para 51% dos votos contra a separação, e 49% a favor, excluindo os indecisos.

As pesquisas indicam que cerca de 8% das pessoas ainda não sabem se vão votar pelo sim ou pelo não, o que torna suas escolhas cruciais para o destino do Reino Unido.

Veja abaixo as principais questões sobre o referendo.

1. Qual pergunta os escoceses vão responder?

Eles terão que responder SIM ou NÃO para a seguinte questão: “A Escócia deve ser um país independente”?

2. O que é o Reino Unido?

É um Estado formado por quatro países: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Sua chefe de Estado é a rainha Elizabeth 2ª. Quem controla as grandes questões políticas e econômicas é o primeiro-ministro, eleito pelo Parlamento central, que fica em Londres. A Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte contam com assembleias nacionais. Essas instituições tem autonomia para definir questões locais.

3. Quem pode votar?

Todo cidadão do Reino Unido, da União Europeia ou da Commonwealth, que viva hoje na Escócia, com idade superior a 16 anos, registrado para o voto. Cerca de 800 mil pessoas que nasceram na Escócia, mas vivem em outras partes do Reino Unido, não participam do plebiscito. Segundo a CNN, mais de 4,2 milhões de pessoas se cadastraram para votar.

4. O que acontece amanhã?

Se o SIM for votado pela maioria, espera-se que o governo escocês faça uma grande festa. Salmond deseja declarar o “Dia da Independência” em março de 2016 e conduzir as primeiras eleições que vão eleger um parlamento independente em maio.

Se os escoceses votarem pela independência, a Grã-Bretanha e a Escócia teriam 18 meses de negociações pela frente sobre todos os temas, desde o petróleo do Mar do Norte até a libra esterlina e a filiação à União Europeia, além da principal base nuclear submarina da Grã-Bretanha, que fica na Escócia.

Se o NÃO vencer, espera-se muita comemoração por parte do governo central e também uma discussão sobre uma mudança na estrutura do Reino Unido, com mais poderes e autonomia para os escoceses – e provavelmente para os outros países do bloco.

5. Quando sai o resultado?

As urnas fecham às 22 horas (18 horas em Brasília), e a contagem dos votos começa imediatamente. No entanto, não há uma previsão exata para a divulgação do resultado, que não será tornado público até que os 32 escritórios de contagem confirmem seus dados.

6. E o primeiro ministro?

David Cameron diz que não vai renunciar e, constitucionalmente, ele não precisa deixar o cargo. No entanto, surgiriam pressões políticas por parte dos seus críticos.

7. E a rainha?

Em curto prazo, continua sendo tudo igual, e ela continua sendo chefe de estado na Escócia também. Se o SIM vencer, não significa que a Escócia vire uma república, porque a votação diz respeito à união das nações de 1707, não sobre a união das coroas, de 1603. No entanto, a monarquia também pode cair, em um futuro referendo.

8. A economia conta para o voto?

Com certeza, e é um dos principais argumentos de ambos os lados.

Em termos de renda per capita, a Escócia está acima da média do Reino Unido. Segundo a CNN, o PIB per capita do país equivale a 115% do Reino Unido. Enquanto a Escócia figura como o 14º país mais rico do mundo, o Reino Unido é o 18º.

A independência do país poderia descentralizar serviços concentrados na Inglaterra e gerar empregos. Mas também geraria mais gastos, como aponta um editorial da The Economist.

“A independência também imporia custos isolados: um novo Estado escocês teria de criar seu próprio exército, seu próprio sistema assistencialista, uma nova moeda e muito mais.”

No primeiro trimestre do ano de 2014, o PIB escocês foi de US$ 240 bilhões ao ano, o que equivale a aproximadamente 8% do PIB do Reino Unido.

9. O petróleo é argumento?

Sim, e está sendo usado por ambos os lados.

O governo escocês, liderado pelo primeiro-ministro Alex Salmond, usa a riqueza do país como um argumento para o voto pelo SIM. Segundo ele, a Escócia poderia se tornar um dos países mais ricos do globo.

Cerca de 90% do petróleo do Reino Unido vem da Escócia. Segundo estimativas do governo, o Mar do Norte conta com 24 milhões de barris em reservas.

Partidários da manutenção do Reino Unido afirmam que as estimativas do governo podem estar infladas e que as reservas podem ser menores do que as projetadas. Além disso, o petróleo é um recurso não-renovável.

10. E a moeda?

Segundo analistas, essa é uma das questões mais complexas a serem resolvidas, caso a separação se concretize.

O governo escocês, pró-independência, afirma que quer manter a libra esterlina como moeda oficial do país, caracterizando uma união monetária.

No entanto, segundo a BBC, os três partidos mais influentes do Reino Unido – o Conservador, o Trabalhista e o Liberal-Democrata – são contra o movimento.

Especialistas apontam outras possiblidades, além de uma união monetária: continuar usando a libra, sem que haja uma união formal; adotar o euro ou criar uma nova moeda.

A adesão ao euro levaria um tempo, o uso ‘informal’ da libra esterlina implicaria riscos – como não ter com quem contar em caso de um choque financeiro — e uma moeda própria ofereceria mais controle sobre a política monetária.

11. Uma Escócia independente será parte da União Europeia?

Provavelmente sim, mas não de um jeito fácil. É possível que o país terá de fazer um pedido formal a Bruxelas e aguardar a aprovação dos 28 membros do bloco. Segundo o Guardian, a questão pode ser complicada principalmente para países que enfrentam conflitos separatistas, como a Espanha.

Por outro lado, seria difícil para a UE ignorar um referendo “livre, pacífico e democrático” sem manchar sua imagem internacional.