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16/09/2014 09:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

EUA lançam ataques contra o Estado Islâmico no Iraque; ONU pede cautela

Reuters

As Forças Armadas dos Estados Unidos atacaram um alvo doEstado Islâmico localizado no sudoeste de Bagdá. O ataque, realizado nesta segunda-feira (15), é uma expansão da campanha do governo Obama contra o grupo que já tomou amplas porções de território do Iraque e da Síria.

"O ataque aéreo no sudoeste de Bagdá foi o primeiro como parte de nossos esforços expandidos para proteger nossos cidadãos e missões humanitárias e atingir alvos do Estado Islâmico enquanto as forças iraquianas conduzem suas ofensivas", afirmou o Comando Central em comunicado.

Os Estados Unidos estão aumentando sua resposta militar ao grupo, que já decapitou reféns ocidentais e está querendo expandir o território que controla na Síria e no Iraque.

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Nesta terça-feira (16), o Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu as potências que devem entrar em conflito com o Estado Islâmico sobre a necessidade de respeitar as regras da guerra – que obrigam a proteger os civis e ser comedidas em seus ataques aéreos.

"À medida que a ação militar em posições do EIIL (antiga sigla do grupo) parece cada vez mais provável, lembramos todos os lados que é necessário acatar as leis de guerra e, mais especificamente, os princípios de distinção e proporcionalidade. Sérios esforços têm de ser feitos para preservar a vida civil", disse o presidente da comissão de investigação das Nações Unidas, o brasileiro Paulo Pinheiro, em uma declaração ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Potências

As principais potências mundiais apoiaram medidas militares na segunda para ajudar a derrotar os combatentes do Estado Islâmico no Iraque, impulsionando os esforços do governo de Washington para organizar uma coalizão, mas ninguém fez menção ao desafio diplomático ainda mais difícil a ser enfrentado na vizinha Síria.

A França enviou aviões de caça em uma missão de reconhecimento sobre o Iraque, se colocando um passo mais próxima de se tornar o primeiro aliado a se juntar aos Estados Unidos desde que o presidente americano, Barack Obama, declarou seus planos de estabelecer uma coalizão ampla na semana passada.

Paris também recebeu uma conferência internacional entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Estados árabes e europeus, e representantes da União Europeia, da Liga Árabe e das Nações Unidas. Todos se comprometeram a ajudar o governo de Bagdá a lutar contra os militantes do Estado Islâmico.

O Iraque teve representantes presentes à conferência de segunda-feira, mas a Síria não, assim como seu principal aliado regional, o Irã.

Obama se comprometeu na semana passada a estabelecer uma coalizão para derrotar os combatentes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, mergulhando os Estados Unidos em duas guerras civis distintas, nas quais quase todos os países do Oriente Médio têm uma participação.

"Todos os participantes ressaltaram a necessidade urgente de remover o Daesh das regiões nas quais ele se estabeleceu no Iraque", informou um comunicado após as negociações de segunda, que utilizou uma abreviação árabe para o grupo que se autointitula Estado Islâmico.

"Para este objetivo, eles se comprometeram a apoiar o novo governo do Iraque na luta contra o Daesh, de todos os meios possíveis, incluindo assistência militar adequada", dizia o comunicado.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse que aeronaves francesas começariam a fazer voos de reconhecimento sobre o Iraque. Uma autoridade francesa disse que dois caças Rafale e uma aeronave de reabastecimento decolaram na segunda para o Iraque.

"Os cortadores de garganta do Daesh - é assim que estou me referindo a eles - dizem ao mundo todo 'Ou vocês estão conosco, ou matamos você'. E quando alguém está de frente com esse grupo, não há nenhuma outra atitude, senão se defender", disse Fabius em uma entrevista coletiva após as negociações.

O presidente iraquiano, Fouad Massoum, disse na conferência que esperava que o encontro em Paris trouxesse uma "resposta rápida" ao problema.

"A doutrina do Estado Islâmico é a seguinte: ou você nos apoia, ou te matamos. Eles já cometeram massacres e crimes genocidas, e purificação étnica", disse Massoum às autoridades presentes.

Confiança

A conferência foi um importante voto de confiança para o novo governo iraquiano, formado na semana passada e liderado por um membro da maioria xiita do Iraque, o primeiro-ministro Haider al-Abadi, e incluindo também membros das minorias sunitas e curdas em cargos importantes.

Os aliados do Iraque esperam que Abadi se prove um líder mais agregador do que seu antecessor Nuri al-Maliki, um xiita cujo governo alienou uma série de sunitas. Eles esperam que o novo governo iraquiano irá reconquistar o apoio dos sunitas que apoiaram a revolta do Estado Islâmico.

A conferência mostra ainda que Abadi desfruta da ampla boa vontade internacional, o que significa que Washington deve enfrentar poucos obstáculos para manter seus planos de ataques aéreos contra os combatentes do Estado Islâmico naquele lado da fronteira.

A Síria, entretanto, é um caso mais delicado. Em uma guerra civil que já dura três anos, o Estado Islâmico emergiu como um dos mais poderosos grupos sunitas que combatem o governo do presidente Bashar al-Assad, que é membro de um seita de derivação xiita.

Washington continua hostil a Assad, o que significa que qualquer ataque aéreo em território sírio deve acontecer sem a permissão do governo de Damasco. A Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU e apoia Assad, diz que os bombardeios seriam ilegais sem uma resolução do órgão. A Turquia e outros países da região estão cautelosos de que medidas contra o Estado Islâmico possam vir a ajudar Assad.

Irã

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que Teerã havia recusado um convite dos EUA para cooperar na luta contra o Estado Islâmico.

"O embaixador norte-americano no Iraque chamou o nosso embaixador para uma reunião para discutir a coordenação do combate ao Daesh", disse Khamenei, em aspas divulgadas pela agência estatal de notícias Irna.

Perguntado sobre a veracidade da notícia, Kerry respondeu: "Eu não faço ideia da interpretação que eles fizeram de qualquer discussão que tenha ou não acontecido. Não estamos coordenando nada com o Irã. Ponto".

Ele disse que espera que Teerã e Washington possam se entender e atingir um meio termo na próxima rodada de negociações sobre paz nuclear, que começaram nessa semana.

“Eu não estou expressando otimismo nisso. Tenho esperanças de que será possível encontrar uma maneira de chegar a um acordo que seja importante para o mundo, mas há algumas questões muito difíceis", afirmou.

Autoridades diplomáticas de seis potências mundiais -Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China- irão iniciar a primeira rodada completa de negociações com o Irã desde julho na quinta-feira, em Nova York, procurando reduzir diferenças sobre o futuro tamanho da infraestrutura de enriquecimento de urânio do Irã, e outras questões.

Dependendo da evolução das conversas, eles podem subir para o nível dos ministros de Exterior durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas na semana do dia 22 de setembro, disseram diplomatas da ONU.

O Irã nega alegações do Ocidente de que está refinando urânio para desenvolver a capacidade de montar armas nucleares, dizendo que o faz para ajudar a gerar eletricidade.

Os Estados Unidos e seus aliados impuseram nos últimos anos uma série de sanções financeiras rígidas, entre outras, ao Irã, um grande produtor de petróleo, para tentar fazer com que o país reduza seu programa nuclear.

Diplomatas dizem que o principal obstáculo são as discordâncias sobre o número de centrífugas que o Irã teria direito a ter para refinar urânio, com Teerã rejeitando as demandas para reduzir significativamente o número o número para menos das 19 mil que já estão instaladas. Metade dessas já estão operando.