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17/09/2014 00:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

#DebateAparecida: no encontro cristão das interrupções, Dilma e Aécio esquentam o clima e ‘apagada' Marina é poupada

Montagem/Estadão

Com um candidato a mais e em um ambiente estritamente católico, o debate promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na noite desta terça-feira (16), em Aparecida (SP), foi morno, pouco aglutinador de ideias e cheio de interrupções. Quase nenhum candidato conseguiu responder dentro do tempo previsto em cinco blocos, mas esse não foi o maior dos problemas.

Realizado poucas horas após a mais recente pesquisa Ibope mostrar curvas descendentes de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) e uma subida de Aécio Neves (PSDB), o debate acabou tendo como novidade a presença de José Maria Eymael (PSDC), nome que não figurou nos debates presidenciais da Bandeirantes e do SBT. Entretanto, o candidato em questão nada acrescentou em termos concretos (não por acaso, virou piada nas redes sociais).

A discussão de propostas ficou bastante diluída e contou com uma boa dose de repetição, pra quem vem acompanhando os discursos dos candidatos nestas eleições. Ao contrário dos dois debates anteriores, Marina se mostrou bastante abatida, com a voz rouca e passou quase despercebida. O sinal de fraqueza, porém, pode até ter sido lucrativo, já que ela foi um alvo menos buscado pelos adversários.

Quando tentaram atacar Marina, Dilma e Aécio tiveram de lidar com mais afinco contra os ‘nanicos’, a citar Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB). Esses sim, como de praxe, usaram as suas perguntas para apimentar a discussão e atacar os três primeiros colocados nas pesquisas (Pastor Everaldo, do PSC, foi, ao longo dos cinco blocos, figura praticamente nula).

Como quando Luciana usou uma pergunta de Aécio sobre educação para detonar o “jeito PSDB de governar”. O clima esquentou e o bate-boca terminou com um pedido de resposta do tucano, apenas para chamar a adversária de “insignificante”. Ou no momento em que Fidelix insistiu que o Brasil está quebrado (“temos uma dívida de R$ 2 trilhões”), e Dilma respondeu que o entusiasta do ‘Aerotrem’ estava equivocado.

Entre Dilma e Aécio foram raros os embates mais acalorados. A petista voltou na história do “engavetador da República” e exaltou (como sempre) os pontos de sempre do seu governo, enquanto o tucano voltou a cutucar de leve Marina (“há candidatos com boas intenções, mas sem projeto”) e criticou novamente os supostos desmandos da presidente, os quais permitem escândalos como o da Petrobras. Ou seja, nada de novo. Nada que vá ajudar o eleitor a se decidir.

Louvável mesmo foi a coragem de Eduardo Jorge e Luciana Genro em falarem com clareza sobre os temas espinhosos destas eleições, como a homofobia, a legalização das drogas e do aborto. Tudo isso em um cenário católico e conservador e, lógico, na posição dos que sabem que não serão os eleitos em 5 de outubro, mas que querem capitalizar no chamado “voto de protesto”, aquele de quem não quer anular, votar em branco ou escolher um dos três primeiros colocados.

Restam 18 dias até as eleições do primeiro turno. Pelo menos mais uma pesquisa, agora Datafolha, deve sair ainda nesta semana. Mais dois debates na TV – os da Rede Record, no dia 28 de setembro, e o da Rede Globo, no dia 2 de outubro – devem proporcionar encontros entre os principais candidatos. Mais duas chances de tentar encontrar respostas que possam pairar sobre dúvidas, ou para chegar a um consenso sobre a necessidade de um novo formato para os debates no País.

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