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16/09/2014 15:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

#BringBackOurGirls: Cinco meses depois de sequestro, maioria das meninas continua sob poder do Boko Haram

Dan Kitwood / Getty Images

Na noite de 14 de abril deste ano, centenas de alunas do internato Chibok, no nordeste da Nigéria, acordaram com o som de tiros. Elas viram homens em uniformes camuflados se aproximando. Acharam que eram soldados que vinham salvá-las de um ataque de militantes, segundo os relatos de sobreviventes.

Em vez disso, mais de 270 meninas foram capturadas pelo grupo extremista islâmico Boko Haram. O sequestro gerou condenações globais e uma enorme campanha pelo resgate das estudantes. A campanha em parte se disseminou graças à hashtag #BringBackOurGirls (tragam nossas meninas de volta).

O domingo (14) marcou cinco meses da captura das meninas. Eis o que aconteceu desde então.

Nenhuma estudante foi resgatada

Nos primeiros dias depois da abdução, 57 meninas conseguiram fugir. Mas, depois disso, nenhuma outra estudante escapou ou foi resgatada.

Apesar de elas terem sido supostamente localizadas meses atrás

Em maio, uma autoridade militar nigeriana afirmou saber onde as meninas estavam sendo mantidas em cativeiro. Um mês depois, aviões de vigilância americanos também encontraram o local onde estariam as meninas.

O clérigo e mediador australiano Stephen Davis disse em junho que houve três acordos em um mês para que as estudantes fossem liberadas, mas nenhum deles se concretizou. Ele afirma que pessoas poderosas, com “interesses velados”, tentam sabotar os acordos e acusa políticos nigerianos de financiar o Boko Haram .

O governo nigeriano defende suas ações na crise e alerta que tentativas de resgate podem colocar em risco a vida das vítimas.

Outros países não conseguiram avançar

Segundo a Associated Press, a Nigéria demorou mais de duas semanas para aceitar ajuda internacional na localização das meninas.

Quando outros países começaram efetivamente a ajudar, não houve avanços. Os Estados Unidos enviaram 80 soldados no fim de maio para coordenar buscas aéreas desde o vizinho Chade. Canadá, França, Israel e Reino Unido também enviaram forças especiais para a Nigéria.

Mas, seis semanas depois, o porta-voz do Pentágono anunciou que a missão americana seria reduzida, dizendo que, apesar das buscas, o país continuava sem saber onde as meninas estavam detidas.

As tropas ainda estão no Chade, e o governo americano segue realizando voos semanais de vigilância e reconhecimento. Autoridades americanas afirmam temer o compartilhamento de informações sobre o Boko Haram, dado o histórico de violações de direitos humanos na Nigéria.

Enquanto isso, a cidade das meninas segue correndo perigo

Os moradores de Chibok continuam vivendo sob a ameaça de ataques dos militantes. Em junho, uma ofensiva do Boko Haram em vilarejos próximos chegou a apenas cinco quilômetros da cidade onde as meninas foram capturadas.

Tragicamente, pelos menos 11 pais ou mães de meninas sequestradas foram assassinados pelos militantes ou morreram doentes.

E a violência do Boko Haram continua

Desde abril, o grupo afirma ter tomado pelo menos cinco cidades no nordeste do país, mas os militares dizem ter reconquistado algumas dessas localidades. O grupo militante também sequestrou outros três grupos menores de meninas, além de meninos e adolescentes – alguns dos quais já foram resgatados.

Mais de 2.100 pessoas teriam sido mortas pelo Boko Haram desde 14 de abril, segundo informações do Conselho de Relações Internacionais. Durante um período de 10 dias em agosto, cerca de 10.000 pessoas tiveram de abandonar suas casas por causa dos combates na região.

O exército nigeriano sucumbiu à pressão...

As forças armadas do país parecem pouco preparadas para lidar com o problema. Reclamando da falta de armas, pelo menos 40 soldados nigerianos teriam se recusado a combater o Boko Haram em agosto. E, durante ataques recentes da milícia contra cidades fronteiriças, pelo menos 600 soldados nigerianos teriam fugido para Camarões. O exército afirma que parte das tropas fazia uma manobra tática.

... e é acusado de graves violações dos direitos humanos

As forças de segurança nigerianas e as milícias chanceladas pelo estado há muito são acusadas de terríveis abusos, incluindo sequestros, tortura e execuções extra-judiciais. Depois da mais recente onda de repressão ao Boko Haram, surgiram provas de que as autoridades torturaram e mataram inúmeros civis acusados de ligação com o grupo terrorista.

E a Nigéria está preocupada com sua imagem internacional

O governo do país pagou mais de 1,2 milhão de dólares a uma empresa de relações públicas de Washington para mudar a narrativa do sequestro das meninas na mídia, segundo uma reportagem de junho do The Hill. O presidente do país, Goodluck Jonathan, foi alvo de críticas quando correligionários passaram a defender sua reeleição com a hashtag #BringBackGoodluck2015 (tragam Goodluck de volta em 2015).