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15/09/2014 09:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Contrabando, extorsões, sequestro e tráfico humano: Estado Islâmico fatura mais de US$ 3 mi por dia

Reprodução / Youtube

Antes dependente de ricos doadores do Golfo Pérsico para se sustentar, o Estado Islâmico se tornou um colosso financeiro, faturando mais de US$ 3 milhões por dia com o contrabando de petróleo, o tráfico humano, roubo e extorsão, de acordo com autoridades de inteligência dos Estados Unidos e especialistas privados.

Os recursos obtidos pelo grupo extremista excedem os de “qualquer outro grupo terrorista da história”, segundo um oficial de inteligência dos EUA.

O grupo assumiu o controle de grandes partes da Síria e do Iraque, e o controle de 11 poços de petróleo em ambos os países, segundo analistas. O Estado Islâmico está vendendo petróleo e outros bens através de redes de contrabando e, segundo estudos, com o aval de alguns governos.

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O petróleo, transportado em caminhões tanque, é vendido por um preço que varia entre US$ 25 a US$ 60 – bem abaixo do praticado pelo mercado, de pelo menos US$ 100.

O grupo também ganhou centenas de milhões de dólares com o contrabando de antiguidades do Iraque que foram vendidas na Turquia e mais outros milhões com o tráfico de pessoas – o que inclui a venda de mulheres e de crianças como escravas sexuais.

Outra parte da receita do grupo vem de extorsão, resgate de reféns sequestrados e do roubo de diversos objetos em cidades sitiadas.

“Sua arrecadação de dinheiro se assemelha à de uma organização mafiosa”, disse outro funcionário do governo dos EUA, que também falou em condição de anonimato.

Mesmo antes de dominar a cidade de Mosul, segunda maior cidade do Iraque, em junho, o grupo começou a taxar praticamente todas as atividades econômicas do local. Os que não estavam dispostos a pagar os impostos eram ameaçados de morte.

Uma análise do Conselho de Relações Exteriores estima que o grupo estava recolhendo US$ 8 milhões por mês na cidade, apenas com essa prática.

Há poucos meses, quatro franceses e dois espanhóis foram libertados por extremistas do grupo após o pagamento de resgates milionários.

Nos primeiros dias da guerra civil síria, o grupo foi financiado em grande parte por doações de moradores de Estados do Golfo com jurisdições mais permissivas, incluindo o Kuwait e o Qatar, segundo autoridades americanas.

O fluxo de financiamento diminuiu nos últimos meses, e a dependência do grupo com relação ao petróleo como principal fonte de receitas pode ser interrompida por ataques aéreos. No entanto, essas estruturas são mantidas por trabalhadores civis, que podem ter sido recrutados por membros do Estado Islâmico.