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10/09/2014 23:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Presidente Barack Obama anuncia ataques aéreos ao Estado Islâmico na Síria

Na véspera do 11 de Setembro, o presidente Barack Obama anunciou em rede nacional que os Estados Unidos vão liderar uma articulação internacional para dar fim ao Estado Islâmico (ISIS).

"Deixo claro que vamos caçar terroristas que ameaçarem nosso país, onde quer que eles estejam", disse o presidente durante pronunciamento realizado em horário nobre.

"Não vou hesitar em tomar atitudes contra o ISIS na Síria, bem como no Iraque. Isso é um princípio fundamental do meu governo: se você ameaçar a América, você não vai encontrar nenhum abrigo seguro", arrematou.

Em sua fala, a mais contundente desde a escalada de poder do ISIS no Iraque e na Síria, Obama reafirmou a condição do ISIS como grupo terrorista. Leia o texto do discurso na íntegra aqui (em inglês).

A milícia, cujo objetivo é instalar um califado --Estado regido pela lei muçulmana Sharia-- entre a Síria e o Iraque, controla um território maior do que a Bélgica na região.

"Vamos deixar duas coisas claras: O ISIS não é 'Islâmico'. Nenhuma religião é conivente com o extermínio de inocentes", disse. "E o ISIS certamente não é um estado. Não é reconhecido por nenhum governo, nem pelas pessoas que ele subjuga. O ISIS é uma organização terrorista, pura e simples".

Déja Vu

Apesar do anúncio de uma ação militar ampla e prolongada, o presidente defendeu que esta não se trata de uma terceira Guerra do Golfo.

"Quero que os americanos entendam que esses esforços serão diferentes das guerras no Iraque e no Afeganistão", disse.

"Elas não vão envolver tropas de combate lutando em solo estrangeiro", afirmou. Um grupamento de 475 militares foi enviado ao Iraque para dar suporte ao exército iraquiano, de longe da linha de frente.

Já na Síria, a ordem é inversa: como Obama não tem alinhamento com o governo de Bashar al-Assad, os EUA devem patrocinar a oposição. O presidente americano pediu autorização do congresso para enviar armas e dinheiro aos rebeldes oposicionistas.

Grosso modo, a ideia da coalizão internacional é basicamente esta: os EUA vão continuar realizando bombardeios aéreos e "forças aliadas" farão o trabalho sujo, corpo a corpo.

"Essa estratégia para erradicar terroristas que nos ameaçam, apoiando parceiros nas linhas de frente, é a mesma que temos aplicado com sucesso no Iêmen e na Somália há anos", justificou.

No Twitter, muitas pessoas associaram a nova ação às ofensivas passadas dos Estados Unidos no Oriente Médio.

"A Primeira Guerra do Golfo gerou a Al Qaeda. A segunda, o ISIS. Mal posso esperar para ver os horrores que nos esperam depois da terceira!"

Desde o dia 8 de agosto, os Estados Unidos já promoveram mais de 150 ataques aéreos contra o Estado Islâmico na região fronteiriça entre Iraque e Síria, com o objetivo de conter a expansão do grupo.

Em resposta, o ISIS divulgou dois vídeos que chocaram a internet: os jornalistas Steven Sotloff e James Foley, que desapareceram durante a cobertura dos conflitos na Síria, foram filmados sendo decapitados. O grupo prometeu que, caso os bombardeios continuassem, mais inocentes pagariam com a vida.

Entenda

O ISIS é um grupo jihadista que surgiu a partir do braço iraquiano da Al-Qaeda, organização fundamentalista islâmica de alcance global responsável pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

O movimento ganhou corpo quando sunitas descontentes com a administração xiita do Iraque e o governo alauíta da Síria começaram a enxergar as ações do ISIS com simpatia.

Seu objetivo é criar de um Estado islâmico em uma região situada entre a Síria e o Iraque, que seja regido pela lei Sharia - código muçulmano cuja fonte primária é o Corão.

No dia 29 de junho, o misterioso líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Bagdadi, foi proclamado o "califa de todos os muçulmanos" pelo grupo.

O califado, regime político-religioso sunita soterrado há um século com a queda dos otomanos, foi reestabelecido em um amplo território no Iraque e na Síria, conquistado após uma forte ofensiva iniciada em 9 de junho pelo EI.