COMPORTAMENTO
08/09/2014 20:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Nem mulher, nem homem: CEO mais bem paga do mundo se classifica como transhumanista

Ron Levine via Getty Images
MAGOG, QUEBEC, CANADA - MARCH 25: Martine Rothblatt, president of United Therapeutics, is photographed on March 25, 2010 in Magog, Quebec, Canada. (Photo by Ron Levine/Getty Images)

Não dá para negar: o mundo dos negócios é extremamente sexista.

5% das empresas na Fortune 500, ranking que elenca as maiores companhias do mundo, são dirigidas por mulheres.

Não bastasse a baixíssima representatividade feminina em cargos de decisão, líderes mulheres ganham menos. Na última lista do New York Times, só 11 dos 200 CEOs mais bem pagos eram mulheres. Elas ganhavam, em média, U$ 1,6 milhão a menos que os homens.

O que dizer, então, de transgêneros? Pessoas que nasceram no corpo errado têm de enfrentar muito preconceito para conseguir um emprego.

É por isso que Martine Rothblatt, a CEO mais bem paga do mundo, é classificada como uma "espécie extremamente rara na selva corporativa" pela New York Magazine, à qual ela concedeu uma entrevista.

Fora da Caixinha

Martine, fundadora e CEO da United Therapeutics, U$ 38 milhões por ano.

Martine, 59 anos, 33 ao lado de sua esposa, Bina Aspen, avó de quatro crianças, transgênero.

Mulher, mas não só. Martine diz se identificar como uma mulher sexualmente atraída por mulheres. Mas acrescenta que sua autoimagem feminina não a define. Se diz "transhumanista".

Não assina "Sra.", nem "Sr.", e sim, "Ps.", de pessoa. Seus filhos utilizam o pronome feminino "ela", mas a chamam de "pai".

Sua amiga e pesquisadora queer Kate Bornstein disse à New York Magazine: "Ela não é uma mulher, e nem eu sou". Sua esposa, Bina, com quem se casou quando ainda era "Martin", não se considera homossexual, e sim "Martinessexual".

A necessidade de expor sua visão sobre questões de gênero a levou a publicar o livro "The Apartheid of Sex" em 1995, logo após passar pela cirurgia. "Existem 5 bilhões de pessoas no mundo, e 5 bilhões de identidades sexuais", escreveu.

Apesar de suas notáveis conquistas e de seu esforço em derrubar preconceitos, ela disse à NYMag que não se sente um modelo para as mulheres. "Eu não posso dizer que tudo o que conquistei é equivalente a o que uma mulher conquistou. Pela primeira metade da minha vida, eu fui um homem", disse.

Leia a reportagem completa na NYMag (em inglês).