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08/09/2014 18:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Investigador diz ter descoberto a identidade de Jack, o Estripador

Hulton Archive via Getty Images
1889: A fanciful engraving showing 'Jack The Ripper', the east end Murderer of prostitutes in the nineteenth century, being caught red-handed, grasping one of his victims by the hair and holding a knife. The caption reads : 'The Whitechapel murder, The cry is Jack The Ripper !!'. Illustrated Police News - pub. 1889 Vict 0371 21 (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

Um investigador amador diz ter descoberto a identidade do lendário assassino em série Jack, o Estripador.

Sua descoberta foi contestada por especialistas no famigerado caso. Ainda assim, muitos tablóides já declararam que o caso está resolvido. Será?

O Caso

Entre 1888 e 1891, onze mulheres foram assassinadas na região de Whitechapel, subúrbio no oeste de Londres.

A autoria de ao menos 5 desses crimes é atribuída a um único assassino: Jack, o Estripador.

Mais de cem anos depois, um aspirante a Sherlock Holmes diz ter encontrado amostras de DNA que conectam um dos suspeitos, o imigrante polonês Aaron Kosminski, a uma das vítimas, Catherine Eddowes.

O autor da suposta descoberta é Russell Edwards, um empresário inglês. Ele começou a se interessar pelo caso depois de assistir ao filme "Do Inferno", estrelado por Johnny Depp.

Edwards ficou tão obcecado pelos assassinatos em série que, em 2007, comprou um xale encontrado ao lado do corpo de Catherine Eddowes pelos policiais que investigavam o caso na época.

"Eu tenho a única evidência forense em toda a história do caso", disse o empresário ao jornal Guardian.

Ele submeteu o xale a testes e encontrou não só sangue, mas também esperma na peça de roupa.

Levou o xale a um biólogo da Liverpool John Moores University, que conseguiu comparar o DNA do sangue com o de um descendente da vítima, como mostra o Independent.

Segundo Edwards, o sêmen encontrado no xale também foi comparado ao de uma sobrinha do suspeito Aaron Kosminski.

Não é ciência

De acordo com o empresário, tanto o sêmen quanto o sangue são evidências conclusivas da identidade da vítima e do assassino.

Mesmo assim, ele preferiu divulgar sua descoberta em um livro e no tablóide Daily Mail, em vez de publicar um artigo embasado, em uma publicação científica de respeito.

Ou seja, as descobertas não foram revisadas por pares, a metodologia do trabalho não foi escrutinada e referendada por acadêmicos, e o rigor científico foi para as cucuias.

Muitos especialistas no caso duvidaram da confiabilidade da tese. Richard Cobb, um organizador de convenções e tours sobre o caso, disse ao The Times que as amostras de DNA não eram confiáveis, porque foram manuseadas por muitas pessoas ao longo de tantos anos.

Como disse a consultora forense Carol Mayne ao site IFL Science, exames de DNA "não são tão infalíveis como as pessoas pensam".

Mesmo amostras novinhas, comparadas com suspeitos, têm margens de erro significativas. O que dizer de amostras com 120 anos de idade, comparadas com descendentes distantes?