Fotos surreais de corpos femininos expõem os muitos papeis que as mulheres representam (NSFW)

As imagens criadas por Marjorie Salvaterra têm efeito cinematográfico imediato. As fotos surreais em preto e branco parecem algo que poderia fazer parte do universo do drama Une Femme Mariée (1964), de Jean-Luc Godard. Misture uma dose forte de absurdo expressivo à moda dos artistas e cineastas Salvador Dali e Man Ray, e as imagens de Salvaterra poderiam parecer saídas de um filme visualmente espantoso, mas não inteiramente fictício.

As Janes

A série “Her” (“Dela”) encarna esse sentimento à perfeição. Mulheres nuas com cachos impressionantes se deitam sobre a grama de barriga para baixo, e seus sapatos pretos de salto perfuram a vista. Figuras sem rosto e personagens com penteados teatrais trajam desde camisas de força até nada; em uma foto, olham para a câmera com olhar de desafio, e em outra, escondem seus rostos atrás de guarda-chuvas escuros.

Apesar de seus temas bizarros, as cenas conseguem transformar mulheres desconhecidas, vistas em paisagens escolhidas com cuidado, em narrativas estranhamente familiares. Quando isso é somado à declaração feita pela série, os temas aparecem com clareza. O medo do abandono, o medo do fracasso, o medo de viver uma vida sem realização se justapõem ao sentimento de orgulho pela capacidade de equilibrar as coisas, seguir adiante e sonhar com algo mais.

“Sou uma mulher decente. Uma esposa bem boa – que tem uma terapeuta maravilhosa, senão eu teria pisado na bola vezes demais como esposa. Mãe – acho que é esse o papel que desempenho melhor, exceto entre as 6h15 e as 19h30 e às vezes por dias inteiro a fio. Filha – fui uma filha péssima enquanto era criança e adolescente. Estou começando a entender como ser filha agora que sou mãe. Sou boa irmã. E, por último, amiga. Para algumas, a melhor amiga; para outras, reservada demais.”

Ele

Salvaterra ressalta a influência do cinema italiano sobre suas obras; sua estética já foi comparada à de Federico Fellini. Em sua declaração, ela também explica que a série trata de “a psicologia da idade e do gênero 'dela'... por meio de interpretações surreais e gestos exagerados”. Embora o surreal muitas vezes esteja no primeiro plano das imagens, as posturas e configurações confirmam sentimentos de feminilidade que são universais.

“Tenho 43 anos de idade e estou tentando crescer como pessoa, mas minha pele também está tentando crescer”, a artista escreve. “Não estou tão interessada em me apegar à minha juventude. Minha vida está muito melhor hoje. Mas desapegar-se não é tão fácil quanto pode parecer. Há dias em que não reconheço essa pessoa que me olha de volta no espelho. Ela é mais velha, tem responsabilidades. Ela foi obrigada a aprender que às vezes Deus tem um plano maior que o dela para sua vida. Externamente, ela busca a paz, mas em seu interior há uma turbulência por tentar apegar-se fortemente a todas as coisas que finalmente lhe deram paz e alegria verdadeira.”

Olho Desembaraçado
Ela em Flor
Sua Última Ceia
Desapegando-se do jeito como você acha que as coisas deveriam ser
Quando o universo tem um plano maior
O peso do ar
O peso da água
O peso das ondas
Unidas jamais seremos vencidas