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05/09/2014 11:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Presidente da Ucrânia confirma assinatura de acordo de cessar-fogo com separatistas pró-Rússia

Vasily Fedosenko / Reuters

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, confirmou em sua conta no Twitter e em seu site oficial que os enviados a Minsk para negociar o fim do conflito entre as forças de Kiev e separatistas pró-Rússia assinaram um acordo de cessar-fogo que entra em vigor às 18 horas (meio-dia de Brasília).

Serhiy Taruta, governador da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, onde ocorre a maior parte dos conflitos, também confirmou a assinatura e disse aguardar por detalhes sobre o acordo.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatseniuk, disse em uma reunião de gabinete em Kiev, transmitida pela TV, que o plano de paz deve incluir três elementos -um cessar-fogo, a retirada das "forças russas e bandidos e terroristas russos", assim como o restabelecimento da fronteira da Ucrânia com a Rússia.

Um importante líder rebelde disse que o cessar-fogo acertado com o governo não muda o desejo dos rebeldes pró-Rússia do leste da Ucrânia de separação do restante do país.

"O cessar-fogo não significa o fim da nossa política de separação", disse Igor Plotnitsky, líder da autoproclamada República Popular de Luhansk, a repórteres.

Mesmo com as negociações, os confrontos se intensificaram do estratégico porto de Mariupol, no sudeste da Ucrânia.

Disparos de artilharia também eram ouvidos em Donetsk, o principal reduto dos separatistas, nas imediações do aeroporto da cidade, que permanece sob controle do governo.

A Ucrânia diz que suas forças estão tentando repelir uma grande ofensiva dos rebeldes para tomar Mariupol, cidade de 500.000 habitantes e porto estratégico no Mar de Azov, crucial para as exportações de aço da Ucrânia. Os rebeldes disseram que suas forças já estavam dentro de Mariupol, mas os militares ucranianos negaram essa informação.

O conflito começou no leste da Ucrânia em meados de abril. Mais de 2.600 pessoas foram mortas em uma crise que provocou o maior período de tensão nas relações entre a Rússia e o Ocidente desde o fim da guerra fria.

Negociações

Um cessar-fogo acordado em junho foi encerrado após dez dias porque os combates não pararam, mas autoridades tinham esperança de que qualquer novo acordo pudesse levar a medidas para garantir uma paz duradoura, depois que o presidente russo, Vladimir Putin, e Poroshenko apoiassem a proposta.

Os dois líderes conversaram nesta semana por telefone e Poroshenko disse que ambos tinham chegado a um acordo sobre um cessar-fogo - uma mudança de posição por parte de Poroshenko, cujas tropas têm sido rechaçadas pelos rebeldes, que, segundo o Ocidente, são apoiados pela Rússia. Moscou nega armar os rebeldes ou enviar tropas russas.

Putin também ofereceu um plano de paz de sete pontos que deixaria os rebeldes em controle do território equivalente a 10% da população da Ucrânia e uma parcela ainda maior da indústria.

Os rebeldes dizem que concordariam com o cessar-fogo para permitir um corredor humanitário para refugiados e entrega de ajuda. A trégua seria monitorada por observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O Kremlin nega estar enviando tropas para a Ucrânia em apoio aos separatistas pró-Rússia, que enfrentam as forças do governo de Kiev. O governo ucraniano e seus aliados ocidentais alegam haver um grande número de evidências que comprovam o envolvimento direto das tropas russas em batalhas no leste da Ucrânia.

Moscou disse que soldados russos recentemente capturados por forças ucranianas tinham se perdido durante um exercício de treinamento.

Sanções

O banco central da Rússia disse nesta sexta-feira que está preparado para adotar medidas "não convencionais" para compensar o impacto de possíveis novas sanções que podem ser impostas contra Moscou pela União Europeia.

A UE deve anunciar nesta sexta se vai impor mais medidas punitivas contra a Rússia por seu papel na crise ucraniana. Estas medidas podem impedir que europeus comprem bônus soberanos da Rússia e novas dívidas emitidas por algumas companhias de controle estatal.

O acordo de cessar-fogo pode suavizar a posição da UE.

"Estamos prontos para situações não convencionais", disse a primeira vice-presidente Ksenia Yudayeva nos bastidores de um fórum bancário em Sochi, na Rússia.

"Estamos prontos para usar diferentes instrumentos que podem ser necessários, incluindo a utilização não convencional das ferramentas que são normalmente usadas para política monetária".

Quando questionada sobre o que poderia estar incluso nestas medidas, Yudayeva não quis comentar.

Levas anteriores de sanções que continuaram a escalada da crise entre Moscou e o Ocidente causaram a queda do rublo e ações, e elevaram o preço de bônus.