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04/09/2014 12:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Líderes da Otan concordam em impor novas sanções contra a Rússia e secretário-geral acusa país de invadir a Ucrânia

LARRY DOWNING / REUTERS

Os principais líderes da Otan concordaram, durante uma reunião de cúpula nesta quinta-feira (4), que a Rússia deveria sofrer mais sanções por suas ações no leste da Ucrânia, disse o governo dos Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o presidente francês, François Hollande, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, se reuniram com o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, durante reunião de cúpula da Otan no País de Gales, na Grã-Bretanha.

"Os líderes reiteraram a sua condenação à contínua violação flagrante, por parte da Rússia, da soberania e da integridade territorial da Ucrânia, e concordaram com a necessidade de a Rússia sofrer crescentes custos por suas ações", disse a Casa Branca em comunicado.

Hollande declarou a repórteres que uma decisão sobre novas sanções da União Europeia, a ser adotada em Bruxelas na sexta-feira (5), vai depender dos eventos nas próximas horas, já que prosseguem os esforços para se chegar a um cessar-fogo entre Kiev e separatistas apoiados pelos russos.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, disse que vai ordenar na sexta (5) um cessar-fogo para as forças ucranianas, abrindo caminho para a implementação de um "plano de paz etapa por etapa" para o país.

Mais cedo, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, acusou a Rússia de atacar a Ucrânia. "Estamos diante de uma mudança dramática no âmbito da segurança".

Sua declaração elevou a retórica ocidental contra Moscou e definiu o tom para a cúpula de dois dias, marcada pelo retorno do confronto Leste-Oeste 25 anos após a queda do Muro de Berlim.

Rússia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, fez uma advertência à Otan para que não proponha adesão à Ucrânia durante a cúpula da aliança atlântica e disse para os Estados Unidos que não devem tentar impor sua vontade sobre a ex-república soviética.

Lavrov também exortou o governo em Kiev e os rebeldes pró-Rússia que combatem as forças ucranianas no leste o país a apoiarem as iniciativas de paz delineadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, e evitar "uma crise em grande escala" no coração da Europa.

Putin revelou o seu plano de sete pontos na quarta-feira (3), na véspera da cúpula da Otan, na qual a crise na Ucrânia será discutida.

"É justamente em um momento como este, quando surge a oportunidade de começar a resolver problemas específicos entre Kiev e as milícias, que alguns setores do governo de Kiev fazem exigências para que a Ucrânia deixe seu status não-alinhado e comece a entrar na Otan", disse Lavrov em conversas com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, entidade voltada para promoção de direitos e segurança.

"É uma flagrante tentativa de inviabilizar todos os esforços de iniciar um diálogo sobre a garantia da reconciliação nacional", afirmou.

A Rússia tem dito que vai considerar a adesão da Ucrânia à Otan como uma ameaça à sua segurança nacional.