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04/09/2014 16:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Auditor que votou pela exclusão do Grêmio da Copa do Brasil é investigado por suposto racismo no Facebook

Reprodução/Facebook

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) está investigando as denúncias de racismo contra o auditor Ricardo Graiche, um dos que participaram do julgamento que excluiu o Grêmio da Copa do Brasil justamente por um caso de racismo, contra o goleiro Aranha, do Santos.

Internautas, muitos torcedores do time gaúcho, apontaram entre quarta-feira (3) e esta quinta-feira (4) várias postagens que seriam de Graiche em sua página pessoal no Facebook. O material, datado de 2012, se alastrou pela internet e mostra um Graiche que se diverte com fotos que mostram pessoas negras em situações constrangedoras.

“Vi o absurdo que constaria no Facebook dele. É altamente condenável. Se comprovado, a pessoa não tem condição de julgar alguém por racismo. Se ele publica mensagem de cunho racista, ele não teria como julgar, é crime”, disse Décio Neuhaus, também auditor do STJD, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Durante o julgamento, Graiche não saiu do seu smartphone, conforme noticiou a UOL na quarta-feira. “Rapaz, deve ter sido transmitido ao vivo na TV. E ainda falaram o nosso nome. Eu estava no Facebook e um monte de gente começou a me adicionar no meio da sessão. Foram mais de 20 pessoas”, comentou o auditor suspeito de racismo.

Diante da repercussão negativa, ele deletou a sua página na rede social. Mas os prints acabaram salvos por vários internautas e até mesmo uma comunidade no Facebook – “Moralista Ricardo Graiche” – foi criada para “acabar com a hipocrisia na Justiça brasileira”, diz o principal post no topo da mesma.

A investigação do caso deverá ser feita pelo vice-presidente do STJD e corregedor do órgão, Ronaldo Botelho.

Junto com Graiche, outros quatro auditores da 3ª Comissão Disciplinar do tribunal condenaram o Grêmio pelas ofensas racistas contra o goleiro Aranha. Além da exclusão da Copa do Brasil, o clube gaúcho ainda foi multado em R$ 50 mil, enquanto os torcedores identificados pela autoria das ofensas não poderão frequentar estádios de futebol por 720 dias.

Torcedora depõe e diz que “não teve a intenção” de ofender

A torcedora Patrícia Moreira da Silva, de 23 anos, flagrada pelas câmeras da ESPN chamando o goleiro Aranha de "macaco", prestou depoimento na 4ª Delegacia de Porto Alegre, nesta quinta-feira. Ao chegar acompanhada do advogado e do irmão, sob forte proteção policial, Patrícia mostrou abatimento e não falou com a imprensa. Enquanto prestava depoimento, jovens do movimento União de Negros pela Igualdade (Unegro) protestaram com faixas e gritos e pediram que o caso não se configure injúria racial, mas racismo.

"Este fato apenas evidenciou o que sempre existiu, mas para algum era uma situação velada. O racismo é latente e ela deve ser punida com vigor", declarou a presidente do grupo, Flaviana Santos de Paiva, enquanto segurava uma faixa com a frase "rebele-se contra o racismo". Após uma hora, Patrícia deixou a delegacia chorando e foi criticada aos gritos pelos manifestantes que exigiram um pedido de desculpa, fato que não ocorreu.

De acordo com o delegado Cleber Ferreira, titular da Delegacia regional de Porto Alegre, a gremista alegou que não faz parte de nenhuma torcida organizada. "Ela não nega ter proferido a palavra [macaco], mas alega que não teve a intenção de ofender o goleiro. Segundo a torcedora, a atitude foi no embalo da torcida que exalta cânticos com este teor", disse, ao explicar que injúria racial pode resultar de 1 a 3 anos de prisão, mas o inquérito ainda está em andamento.

(Com Estadão Conteúdo)

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