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03/09/2014 16:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Pornógrafo justiceiro oferece dinheiro a quem tiver informações sobre autor do vazamento de fotos de Jennifer Lawrence e outras celebridades

Frazer Harrison via Getty Images
HOLLYWOOD, CA - FEBRUARY 24: Actress Jennifer Lawrence arrives at the Oscars at Hollywood & Highland Center on February 24, 2013 in Hollywood, California. (Photo by Frazer Harrison/Getty Images)

Talvez você nunca tenha ouvido falar em Mike Kulich. Entretanto, se você é ávido por pornografia on-line e não se importa em desembolsar uma grana por isso, possivelmente já esbarrou em seu site. Kulich é sócio do SkweezMe.com, portal que, por 99 cents o crédito, oferece um extenso acervo de filmes pornôs, obras que vão de paródias adultas da série Mad Men e da saga Crepúsculo a hentais (desenhos eróticos japoneses) com ninfetas de cabelo roxo.

Mas nem tudo é putaria no mundo do pornô: Kulich ficou bastante irritado com o vazamento de fotos de celebridades no último domingo (31).

LEIA MAIS: Sem roupa: Fotos de Jennifer Lawrence e outras celebridades dos EUA vazam na internet

Pouco tempo depois do que muitos punheteiros agora chamam de "The Fappening" (nome dado ao incidente, uma mistura de "fap" ("masturbar-se") com "happening" ("acontecimento")), Kulich soltou um release em que afirmou desejar que "este hacker seja trazido à justiça tanto quanto o querem as mulheres que são vítimas diretas da invasão" e que, para isso, oferecia "uma recompensa em dinheiro bastante generosa a quem prestar quaisquer informações sobre o perpetrador."

Sim, Kulich é um pornógrafo justiceiro.

A Vice conversou com Kulich para entender sua motivação. Nota-se que a falta de consentimento é pecado grave: "O consentimento é uma das pedras angulares do negócio do entretenimento adulto", afirma Kulich.

"Independentemente do que as organizações anti-pornografia afirmam — por exemplo, que todos nós somos traficantes e cafetões —, cada menina que aparece no filme para qualquer companhia está lá por sua livre vontade", aponta Kulich. "A indústria adulta leva muito a sério o consentimento, e é por isso que o consentimento está no centro do nosso apoio à legislação que proíbe 'revenge porn'."

"As fotos de Jennifer Lawrence deveriam ser privadas e quem quer que tenha hackeado o computador ou celular não tinha o direito de sequer ver aquelas fotos e deixá-las vazar ao mundo. Queremos que a justiça seja feita com essa pessoa", complementa.

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Confira trechos da entrevista:

É errado bater punheta para uma foto vazada?

Essa é uma pergunta interessante. Estou certo de que há uma grande parte dos usuários de internet que já se acabaram com as fotos de Jennifer que vazaram. Mas, no fundo, eles batem punheta para algo que foi distribuído sem o consentimento da srta. Lawrence. Isso é equivalente à pirataria. Um exemplo de um artista que expressou uma opinião sobre isso é Carter Cruise e a campanha #PayForYourPorn. Carter declarou: "Se eu estou disposto a ir diante de uma câmera e fazer atos sexuais para sua diversão, o mínimo que você pode fazer é me pagar por isso." Assistir conteúdos pirateados, roubados ou não autorizados é como espreitar alguém.

(...)

Alguns críticos diriam que isso é algo irônico: uma empresa de pornografia tentar pegar um ladrão. Mas obviamente há uma diferença entre os trolls do 4Chan e os empregados da indústria pornô. Pode nos explicar a diferença?

Empregados da indústria pornô tentam ganhar a vida. Somos um negócio completamente legal que gera 5 bilhões de dólares por ano à economia norte-americana. Empregamos tantas pessoas diferentes — desde o vizinho que segura a iluminação aos editores, autores, diretores, trabalhadores operacionais e, obviamente, atores. Acho que os trolls do 4Chan tentam apenas fazer fama por conta própria. Não existe uma empresa de mídia sequer que daria dinheiro por fotos de nudez de celebridades que esses trolls roubassem. Nem a indústria pornô.

Como podemos combater o sexismo, dentro e fora da indústria pornô?

Acredito que em termos de sexismo, temos evoluído bastante na última década. No set de filmagem, a única pessoa que está no controle é a mulher. Não é o dono do estúdio, nem o diretor. Tudo o que acontece diante das câmeras é ditado pela mulher. Realmente acho que a indústria mainstream poderia tirar algumas dicas de como tratamos nossos atores e como combatemos o sexismo em uma indústria que, por anos, foi retratada como se fosse controlada por um mafioso usando grandes anéis e joias de ouro.

A entrevista na íntegra pode ser lida no site da Vice, em inglês.