Comportamento

8 celebridades que transformaram a tragédia em algo positivo

"O mundo é cheio de sofrimento. Também é cheio de superação." -- Helen Keller

O que torna algumas pessoas mais resilientes que outras? Segundo a Associação Psicológica Americana, resiliência é saber adaptar-se a adversidades, tragédia ou traumas – algo que qualquer um de nós pode se esforçar para conseguir.

De acordo com a pediatra e blogueira do HuffPost Smita Malhotra, Ph.D., as pessoas que reconhecem que a dificuldade é um degrau que conduz ao que está por vir e são capazes de abrir mão do controle possuem uma capacidade maior de superar as adversidades. E pesquisas mostram que as pessoas que usam técnicas de meditação de mindfulness (atenção consciente) para lidar com as dificuldades se mostram mais aptas a adaptar-se e superar tempos difíceis.

Mas o reconhecimento de um passado doloroso assume muitas formas. Estas oito pessoas bem-sucedidas e famosas, depois de sofrer perdas inacreditáveis, encontraram uma maneira de converter sua tragédia pessoal em esperança.

Jennifer Hudson

Quase seis anos atrás a cantora Jennifer Hudson perdeu sua mãe, seu irmão e seu sobrinho em apenas três dias, quando William Balfour, o marido separado de sua irmã mais velha, os matou brutalmente a tiros, segundo promotores num acesso de fúria. Apesar do sofrimento inimaginável, Hudson aprendeu a perdoar Balfour e criou a Julian D. King Gift Foundation, em homenagem à memória de seu sobrinho. A fundação tem por objetivo “dar estabilidade, apoio e experiências positivas a crianças de todas as origens, para ajudá-las a crescer e se tornar adultos produtivos, confiantes e felizes”. Em 31 de julho de 2013 Hudson foi homenageada por seu trabalho incrível na cerimônia de entrega dos Do Something Awards.

Liam Neeson

Um passo importante para superar a dor de perder uma pessoa querida é permitir-se ser vulnerável e abrir-se em relação a esse sofrimento. Este ano o premiado ator irlandês Liam Neeson deu uma entrevista a Anderson Cooper no programa “60 Minutes” para falar da morte de sua mulher, Natasha Richardson, causada por um acidente de esqui em Montreal em 2009. Já se passaram cinco anos, e Neeson continua a enfrentar uma luta diária, mas ele é sincero consigo mesmo em relação a seus sentimentos e continua a se esforçar para aceitar o sofrimento.

Ele disse a Anderson Cooper na entrevista: “É como uma onda que atinge você. Você fica com uma sensação profunda de instabilidade. Parece que a Terra não é mais estável. Então a onda passa, e ela vai ficando menos frequente, mas ainda sinto isso de vez em quando.”

Depois de ter sido declarada sua morte cerebral, Neeson manteve sua mulher viva com aparelhos pelo tempo suficiente para que outros familiares se despedissem dela. E autorizou a doação de três de seus órgãos – coração, rins e fígado --, de modo que Natasha Richardson continua a ajuda outras pessoas a viver a melhor vida possível.

Oprah Winfrey

Oprah pode ser uma das mulheres mais bem-sucedidas do mundo atual, mas precisou superar demônios fortíssimos para chegar aonde está hoje. Ela foi abusada sexualmente por vários membros de sua família a partir dos 10 anos de idade, e isso a levou a ser sexualmente promíscua na adolescência. Aos 14 anos ela engravidou, mas perdeu seu filho pouco depois de dar à luz. Oprah escondeu esse segredo doloroso durante anos, até que, em 1990, uma parente contou sua história à imprensa.

“Percebi que ter o segredo escancarado era libertador”, ela escreveu, de acordo com o New York Post. “Descobri que me apegar ao sentimento de vergonha foi o peso maior que todos que carreguei.”

Apesar do trauma, Oprah foi uma estudante secundarista premiada, recebeu bolsa integral para cursar a faculdade e hoje é uma mulher respeitada e admirada por milhões de pessoas.

Joaquin Phoenix

Conhecidíssimo por ter representado o músico Johnny Cash em Johnny e June (2005), o ator perdeu seu irmão River Phoenix, morto por overdose de drogas com apenas 19 anos. Joaquin ligou para o número de emergências, 911, para tentar salvar River, em vão. Depois de enfrentar repercussões negativas na mídia após o incidente e afastar-se do cinema durante algum tempo por esse motivo, Joaquin chegou a ter problemas próprios com abuso de substâncias (em 2005 foi internado numa clínica de reabilitação do álcool). Mas hoje, 20 anos mais tarde, ele tem uma carreira de sucesso como ator e é ativista social dedicado do PETA (ele é vegano, também), Anistia Internacional, The Art of Elysium, HEART e Peace Alliance.

Charlize Theron

A atriz sul-africana tinha apenas 15 anos quando viu sua mãe matar a tiros seu pai alcoólatra e agressivo, em autodefesa. Em vez de deixar que o trauma definisse seu futuro, Charlize pautou-se pelo exemplo protetor e de força de sua mãe e fez tudo para construir sua própria autoconfiança. Ela continuou a investir na carreira de atriz e acabou tornando-se a primeira atriz sul-africana a receber um Oscar por sua atuação.

Em entrevista a Diane Sawyer, da ABC News, Charlize Theron disse que enxerga essa experiência como uma tatuagem gravada em seu coração. “Faz parte de mim, mas não rege minha vida”, explicou.

Bill Cosby

Em 1997 esse comediante legendário teve que encarar a morte trágica de seu filho Ennis, com apenas 27 anos. Ennis morreu numa tentativa de assalto enquanto trocava um pneu em Los Angeles. Era formado pela Universidade Columbia e pretendia tornar-se professor.

Durante esse tempo de sofrimento, Cosby buscou apoio em sua esposa. “Quando abri a porta e entrei em casa, as crianças estavam lá, minhas filhas, e havia silêncio”, ele contou à NPR. “Fui até ela, e ela foi amorosa, foi receptiva. Foi mãe, foi esposa. Foi humana. E me ajudou tremendamente.”

Depois de perder Ennis, Cosby criou o seriado infantil “Little Bill”, para a Nickelodoen, e em 2004 levou “Fat Albert” ao cinema. Em 2013, lançou seu primeiro especial em 20 anos de humor stand-up para a Comedy Central, intitulado “Far From Finished”.

Nicole Kidman

Qualquer mulher que quer ser mãe mas tem problemas de fertilidade entende como é difícil falar desse assunto com outras pessoas, o que dirá com o público. Mas nos últimos anos Nicole Kidman vem surpreendendo ao falar abertamente sobre seu sofrimento, mostrando disposição de compartilhar o assunto com o resto do mundo. Ela nunca desistiu: adotou dois filhos, conseguiu dar à luz sua filha Sunday, e teve sua filha menor, Faith, com a ajuda de uma mãe de aluguel.

“Tive uma gravidez ectópica, sofri abortos naturais e fiz tratamentos de fertilidade”, a atriz contou à Who Magazine. “Fiz tudo o que se pode imaginar para tentar engravidar. Quando aconteceu com Sunday, foi um espanto! As chances eram tão pequenas. Foi o milagre de minha vida.”

Larry Bird

Famoso atacante dos Boston Celtics na década de 1980, Larry Bird é para muitos um herói do basquete americano. E foi sua paixão pelo esporte que o ajudou a superar uma das fases mais sombrias de sua vida. Quando ele tinha 18 anos, seu pai cometeu suicídio um ano apenas depois de divorciar-se de sua mãe, e Larry canalizou sua dor e raiva nos treinos incessantes. O desejo de superação o levou a fazer faculdade e concentrar-se tanto nos estudos quanto no basquete. Na realidade, decidiu diplomar-se antes de aceitar a oferta inicial de contratação do Celtics.