Comportamento

7 pílulas da sabedoria japonesa

en.wikipedia.org/wiki/Maneki_Neko" data-caption="The Maneki Neko (招き猫, literally "Beckoning Cat"; also known as Welcoming Cat, Lucky Cat, Money cat or Fortune Cat) is a common Japanese sculpture, often made of porcelain or ceramic, which is believed to bring good luck to the owner. The sculpture depicts a cat (traditionally a Japanese Bobtail) beckoning with an upright paw, and is usually displayed in stores, restaurants, pachinko parlors, and other businesses. A raised right paw supposedly attracts money, while a raised left paw attracts customers.en.wikipedia.org/wiki/Maneki_Neko" data-credit="Johnny Vulkan/Flickr">

No Japão, as pessoas perceberam em tempos imemoriais que certas ações levam a bons resultados, e isso as levou a repetir essas ações a ponto de torná-las um costume. Os japoneses têm a tendência de qualificar certas coisas ou ações como “bons presságios” ou “maus presságios”. Em japonês, essa tendência é chamada engi wo katsugu ou gen wo katsugu, cuja tradução é algo como “acreditar em superstições”. Na primeira expressão, a palavra engi significa “sinal do destino das coisas” ou “arauto”.

Eis sete práticas costumeiras dos japoneses para trazer boa sorte, riqueza e felicidade. E, como o número 7 também é considerado “de sorte” na tradição do país, pode-se dizer que esse número em si é um talismã!

Comprar o-mamori

O-mamori é algo chamado de “talismã” nas culturas ocidentais, um objeto que pessoas carregam o tempo todo para atrair coisas boas (sorte, riqueza, saúde), assim como para afastar coisas ruins (mau-olhado, azar etc). Eles são oferecidos em troca de pequenas doações em templos xintoístas ao redor do país.

Há vários tipos de o-mamori: para saúde, riqueza, sorte nos negócios, amor, concepção, segurança da casa, segurança no trânsito, boas notas na escola e assim por diante.

Evitar palavras proibidas ou tabu

Há séculos os japoneses acreditam que dizer certas palavras (chamadas imikotoba) traz coisas ruins. Acredita-se que as palavras proferidas pelas pessoas tenham espírito (kotodama) e que sejam animadas por poderes espirituais.

Por exemplo, palavras como “escorregar” ou “cair” não são ditas perto de estudantes que estão se preparando para provas de admissão no ensino médio ou na faculdade, pois em japonês elas carregam o significado de “fracasso”. Igualmente, em discursos feitos em cerimônias de casamento já é costume não usar palavras que tenham alguma relação com a ideia de “cortar”, “separar” ou “terminar”, pois elas sugerem divórcio.

Comer comidas que tragam sorte

Certas comidas podem ajudar quando se trata de sorte e sucesso. O século XVI é conhecido no Japão como um século de guerras, uma época em que samurais de vários domínios feudais lutavam por supremacia. Na concentração das tropas antes das batalhas, os samurais comiam abalone, castanhas e algas. O motivo para a escolha dessas comidas é que as palavras usadas para designá-las contêm o significado de “bater”, “vencer” e “desfrutar”.

Outro exemplo é a tradição de comer dourado no Ano Novo ou em outras comemorações. A razão é que o nome do peixe em japonês lembra “parabéns”. Hoje, as comidas preferidas antes de enfrentar grandes desafios é o tonkatsu (lombo de porco à milanesa), katsudon (lombo de porco à milanesa com arroz), katsukare (lombo de porco à milanesa com arroz e curry). Todas essas comidas contêm a palavra katsu, que tem o mesmo som do verbo “vencer”. Então estudantes, atletas e políticos costumam comer esses pratos antes de seus desafios. Outro hábito que está se enraizando entre os estudantes que vão enfrentar provas importantes é usar o chocolate KitKat como uma comida-talismã. “Kat” também lembra o verbo katsu.

Usar roupas da sorte

Antes de testes e desafios importantes, os japoneses vestem roupas que consideram ser de sorte. Para jogos e competições, os atletas usam suas cores preferidas ou escolhem roupas que usaram em vitórias passadas. Empresários fazem o mesmo quando precisam fechar contratos importantes ou têm de fazer apresentações decisivas. Esse tipo de escolha de roupa não se limita ao que se vê do lado de fora. Existem peças íntimas de sorte. No caso de encontros com pessoas com quem querem namorar, mulheres usam roupas de baixo especiais. Elas dizem que, se vão até passar a noite com uma pessoa, melhor não passar vergonha na hora de tirar as calcinhas da sorte.

O sal da sorte

O costume de colocar montinhos de sal na entrada de lojas é onipresente no Japão. O sal serve para afastar o mal e o azar e também para trazer prosperidade para o negócio. O costume tem origens muito antigas, por volta dos séculos VII ou IX, quando o sal deixado na frente das lojas tinha o objetivo de atrair as vacas que puxavam carros com a nobreza e os ricos. Se a vaca parasse para lamber o sal, os ocupantes dos carros também parariam para olhar a loja, trazendo negócios para os donos.

Colocar o Gato da Sorte e os Sete Deuses da Sorte em casa

A figura do Gato da Sorte é um gato sentado com uma das patas dianteiras levantada, num aceno (em japonês, a figura chama-se maneki neko, “o gato que acena”), e ela costuma ser coloca na frente de lojas, como se estivesse convidando os clientes a entrar. Além das pessoas, acredita-se que o gato também esteja chamando a sorte.

No século XV, os sete deuses da sorte (Daikokuten, Ebisu, Bishamonten, Benzaiten, Fukurokuju, Jurojin e Hotei) foram adotados como símbolos da felicidade e da riqueza. Eles têm raízes em várias tradições religiosas estrangeiras, como o hinduísmo indiano e o taoísmo chinês. Ebisu, no entanto, tem origem no Japão, onde representa o deus do comércio e da agricultura.

Animais auspiciosos: a garça e a tartaruga

Há um ditado no Japão que diz que a garça vive 1.000 anos, e a tartaruga, 10.000. A crença por trás do ditado levou os dois animais a serem considerados auspiciosos. Desde tempos imemoriais, acredita-se que a garça não apenas viva muitos anos, mas, como escolhe um parceiro reprodutivo para a vida, também simbolize uma existência conjugal longa e feliz.

Emprestada dos animais que vivem na lendária montanha chinesa da felicidade perpétua e da longevidade, Penglai (Horai, em japonês), a tartaruga é vista como um animal capaz de amizades profundas. É assim que ela é retratada no conto de fadas Urashima Taro e, portanto, também é considerada um animal auspicioso.

Como se viu acima, os japoneses há muito acreditam que dizer certas palavras pode trazer maus presságios. Mas, se o inevitável acontecesse e essas palavras fossem pronunciadas, a repetição dos nomes desses dois animais auspiciosos – tsurukame tsurukame tsurukame (garça-tartaruga garça-tartaruga garça-tartaruga) – poderia afastar o mal. Essa prática é conhecida em japonês como enginaoshi, ou “conserto de presságio”, um encantamento parecido com uma reza para “corrigir” um mau sinal.