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01/09/2014 21:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Sai PSDB, entra PSB: Dilma Rousseff consolida polarização com Marina Silva no 2º debate presidenciável no SBT

Montagem/Estadão Conteúdo

Aécio Neves (PSDB) ficou sem par no segundo debate dos candidatos à Presidência da República, realizado no fim da tarde desta segunda-feira (1o) na sede do SBT, em São Paulo. O tom dos confrontos durante boa parte da 1h50 dedicada ao encontro foi travado entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB). As duas polarizaram um debate em que nenhum dos três líderes nas pesquisas foi mal, e em que os ‘nanicos’ mais uma vez deram o seu show.

“Todas as suas promessas somam R$ 140 bilhões. De onde vai tirar dinheiro para cumpri-las?”, abriu Dilma, logo na primeira pergunta, direcionada à Marina. E o enredo que se seguiu foi justamente esse, com aquela tradicional troca de acusações, ênfase nos acertos que cada candidato – dos três principais – teve em suas trajetórias recentes e uma repetição de discursos que até o eleitor que não está acompanhando tão de perto já sabe.

Em relação ao debate anterior, realizado na TV Bandeirantes, notou-se claramente uma mudança na postura de Dilma. Após a pesquisa Datafolha, que mostrou um empate técnico entre ela e Marina na corrida presidencial – e uma vitória por dez pontos da pessebista no segundo turno –, era até natural. A presidente mostrou o mesmo cardápio ao falar dos prós do seu governo – pré-sal, Pronatec e programas sociais – e admitiu, a contragosto, que correções serão feitas se reeleita. Como diz o seu jingle: “O que não tá (bom) a gente vai melhorar”.

A postura mais agressiva de Dilma não chegou a ofuscar ou assustar Marina. Mais uma vez, a ex-ministra se mostrou segura, respondendo aos questionamentos da sua maneira e, sempre que possível, dando alfinetadas, majoritariamente no embate com Dilma, o principal neste momento de polarização entre PT e PSB.

Ela se saiu bem quando questionada sobre os valores recebidos em palestras (“se as empresas quiserem divulgar, não há problema”), mas foi colocada por Dilma contra a parede sobre a questão da governabilidade, uma interrogação que o discurso adotado por Marina ainda não responde (diálogo é bom, mas em termos práticos funciona?).

E Aécio? O tucano não foi mal; foi superior à sua própria participação no debate anterior da Bandeirantes. Como seus interlocutores e o próprio disseram nos últimos dias, a luta dele no momento é “contra o desconhecimento da sua candidatura”. Ele tentou justamente se apresentar mais claramente, batendo com mais ênfase em Dilma (os temas, os mesmos: Petrobras e fraca atividade econômica). Contudo, se viu excluído durante trechos longos do debate, tendo assim de trocar ideias – e farpas – com alguns ‘nanicos’, como Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB).

Os dois candidatos de siglas pequenas citados, aliás, mais uma vez chamaram a atenção, sobretudo nas redes sociais. Jorge voltou a tocar em temas sensíveis e se posicionar claramente pela legalização e regulação da maconha e pela implementação do aborto, segundo diretrizes pré-definidas. Já Fidelix falou em seu lendário ‘Aerotrem’, se disse “pai” de várias ideias do governo Dilma, e perdeu a compostura ao ser indagado pelo jornalista Kennedy Alencar sobre o papel de um partido pequeno como o PRTB.

“Não vamos ganhar, mas queremos ser a voz do povo brasileiro”, sentenciou, em tom que soou bastante verossímil, e que gerou alguns risos diante do descalabro que tomou conta de Fidelix no restante do encontro de presidenciáveis.

Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC) tiveram participações irregulares, uma vez que a deputada gaúcha adotou uma postura agressiva até demais, distribuindo ataques (sobretudo em Marina, que deveria “escolher os bancos ou o trabalhador”), ao passo que o pastor falou em família até para responder sobre saneamento básico. Ou seja, pouco acrescentou de maneira contundente.

Com base das duas pesquisas, a Ibope e a Datafolha, divulgadas nos últimos dez dias, a curva ascendente segue com Marina, mesmo com a polêmica em torno das alterações em seu programa de governo (aliás, questão pouco explorada pelos rivais), enquanto um petista garantiu “em off” que a rejeição de Dilma está controlada e vai cair, permitindo que ela equilibre a disputa.

Se o sinal era amarelo para Aécio, agora ele ficou mais do que vermelho. E pouco ajudam declarações como a do coordenador de Aécio, José Agripino (DEM), de apoiar Marina em eventual segundo turno com Dilma. Foi algo que irritou profundamente o PSDB. Mas os tucanos não jogam a toalha. “Me cobre lá pelo dia 20”, me disse um interlocutor de Aécio em São Paulo.

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