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01/09/2014 14:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Caso Aranha: advogado de torcedora gremista minimiza incidente e afirma: "ela não é uma pessoa racista"

ROBERTO VINICIUS/ELEVEN/ESTADÃO CONTEÚDO

A jovem torcedora gremista envolvida no mais recente caso de racismo do futebol brasileiro não deve sair dos holofotes da mídia tão cedo. Na manhã desta segunda-feira (1º), Patrícia Moreira reuniu-se com o advogado Guilherme Abrão para começar a traçar as linhas de sua defesa. As primeiras declarações de Abrão, no entanto, foram desastrosas.

Ao tecer o seguinte comentário “ela é de uma família humilde, então tem amigos negros, que jamais tiverem qualquer tipo de problema com ela”, o advogado acabou por reproduzir mais uma frase repleta de preconceito racial. Para Abrão, a ofensa da jovem ao goleiro Aranha foi um “xingamento infeliz em um momento de pressão de jogo”.

“Ela quer fazer um pedido de desculpas ao Aranha. Ela também quer pedir desculpas ao Grêmio e aos torcedores”, afirmou o advogado, completando que “aquilo aconteceu no calor do jogo”. Para o advogado, “ela não é uma pessoa racista”.

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Ainda de acordo de Abrão, Patrícia Moreira ainda não definiu como fará o pedido de desculpas a Aranha – a torcedora, que teve a casa apedrejada e perdeu o emprego por conta do incidente, não quis falar com a imprensa.

A partida de volta das oitavas de final, entre Santos e Grêmio foi suspensa e um julgamento no STJD (Supremo Tribunal de Justiça Desportiva) foi marcado para a próxima quarta-feira (3), na mesma data em que os dois times se enfrentariam na Vila Belmiro.

O time gaúcho será denunciado no artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que aponta a seguinte infração: “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência".

Se condenado, o Grêmio poderá receber multa de até R$ 100 mil, além de perda de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição.