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31/08/2014 18:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Revisão de política LGBT por Marina Silva gera embate entre pastor, opositores e mais zoeira

Montagem/Facebook e Estadão Conteúdo

Está longe do fim a repercussão em torno das alterações em torno do programa LGBT do programa de governo divulgado na sexta-feira (29) pela candidata à Presidência da República Marina Silva (PSB). Se ela segue tratando o assunto como um “engano”, opositores e pessoas que possuem algum envolvimento com o eleitorado parecem discordar. E há quem tire uma ‘casquinha’, é claro.

As maiores críticas se dão em torno de que as mudanças – Marina nega ter havido uma revisão – envolvendo a presidenciável que, caso eleita, se comprometia com a aprovação da lei de identidade de gênero (que possibilitaria a alteração de nome e sexo em documentos) e com a articulação no Congresso para criminalizar a homofobia e regulamentam o casamento gay. Em vez disso, a nova redação é vaga - afirma que Marina se compromete a "garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo" sem, no entanto, mencionar o apoio à aprovação de leis neste sentido.

Coincidência ou não, a alteração do tom de Marina quanto ao tema se deu horas após o Pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, lançar farta munição contra o então programa lançado pela campanha do PSB. A pessebista, além de ser ela evangélica, possui vantagem sobre a petista Dilma Rousseff entre evangélicos de igrejas não pentecostais (44% a 29%) e entre pentecostais (41% a 30%), conforme divulgou a mais recente pesquisa Datafolha.

Primeiro, Malafaia ‘soltou os cachorros’ contra Marina...

... para mais tarde elogiar as alterações.

O “engano” segue custando caro à campanha de Marina, que se viu primeiramente torpedeada por nomes de partidos adversários, alguns deles ligados ao movimento gay, como o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Se havia elogiado na véspera, o parlamentar criticou duramente as alterações promovidas pelo programa da presidenciável.

Até quem em tese não teria nada a ver com a história resolveu tecer os seus comentários e críticas. Foi o caso da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), que comandou a área dos Direitos Humanos no governo Dilma Rousseff até alguns meses, quando optou pela descompatibilização para participar das eleições deste ano.

‘Fã’ de uma polêmica, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) também resolveu palpitar sobre o assunto, aproveitando para “vender” a ideia de que o Pastor Everaldo, do seu partido, é a melhor escolha para a Presidência da República.

E, claro, a zoeira segue rolando solta na internet, seja apenas para brincar com o período eleitoral, seja para buscar desconstruir e desgastar Marina Silva até a votação de 5 de outubro. Depois do Marineitor, agora uma página no Tumblr chamada “Durou mais do que as promessas da Marina” ironiza a confusão na qual a pessebista se meteu.

Diante do tom crítico crescente, a própria Rede Sustentabilidade – partido que a candidata tentou regularizar antes das eleições e não conseguiu – soltou uma nota em que reforça o “erro” no momento da publicação do programa de governo, defendendo porém o conteúdo alterado, o qual ainda possui os seus méritos.

“Ainda que não seja tão abrangente, o texto reapresentado representa para nós, LGBTs, uma defesa significativa para a concretização das políticas da nossa população. Marina e Beto são os únicos candidatos que assumem uma postura firme em defesa dos Direitos de todas as pessoas”, diz um trecho da nota.

É certo que a polêmica não será esquecida pelos principais adversários, a começar pelo debate entre os candidatos à Presidência desta segunda-feira (1o), às 18h, no SBT.