COMPORTAMENTO
29/08/2014 20:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Dicas de como aproveitar ao máximo a visita a um museu (FOTOS e GIFs)

No livro Por que ler os clássicos, o escritor italiano Italo Calvino sustenta que, neste mundo cada vez mais cheio de estímulos e ruídos em que vivemos, de vez em quando é necessário fechar as janelas de nossa casa (corpo e mente) e se dedicar a ler um clássico da literatura. E note que ele escreveu isso em 1991!

Uma visita a um museu também pode ser um antídoto ao excesso de informação e barulho do Século 21. Dedicar duas a três horas para observar calmamente pinturas, esculturas, fotografias num ambiente propício tem esse poder maravilhoso de nos fazer esquecer por algumas horas da correria e dos problemas do dia a dia. E ajuda a nos reconectarmos com nossos sentimentos e emoções mais profundas.

Cena de Um Corpo de Cai (1958), de Hitchcock, em que Kim Novak passa horas sentada diante do retrato de uma mulher já morta por quem, supostamente, estaria possuída.

Entretanto, a visita a um museu não pode ser feita como se vai ao shopping center. Também não deve ser símbolo de status social ou cultural. É um investimento em nós mesmos e quanto mais conscientes, presentes e sensíveis estivermos mais aproveitaremos. Veja 22 dicas para curtir ao máximo sua próxima visita a um museu.

Evite filas ou dar com a cara na porta

Com a globalização do turismo, os principais museus do mundo estão cada vez mais lotados. Boas exposições também atraem grande público em todo o mundo. Para evitar filas gigantescas ou a decepção de não conseguir entrar, compre ingressos com antecedência pela internet. Com frequência também é possível marcar hora para entrar. Não atrase.

Busque dias e horários alternativos

Nem sempre é possível, mas, para evitar o empurra-empurra diante das obras, tente ir durante a semana e em horários menos concorridos.

Informação prévia é sempre bem-vinda

Buscar saber um pouco sobre o museu e o acervo disponível ajuda a decidir em que focar durante a visita. Também é interessante se informar previamente sobre os artistas expostos, suas ideias, onde e quando viveram, a que movimento pertenciam. O site do Moma, por exemplo, tem uma seção educativa com muitas dicas de como aproveitar melhor o incrível acervo de arte moderna e contemporânea desse grande museu nova-iorquino. Ao chegar diante das obras, aproveita-se muito mais.

Opte por museus menores e menos concorridos

Escolher museus menos óbvios (veja galeria com sugestões em diversos países ao final deste post) é uma ótima maneira de fugir do estresse das salas lotadas e barulhentas. Além disso, eles costumam ter coleções com temas mais definidos ou sobre culturas ou épocas específicas, facilitando a compreensão do público. Finalmente é possível conhecê-los com calma, sem se cansar.

Visitar casas de artistas e colecionadores

Conhecer residências que viraram museus (dicas na galeria abaixo) revela gostos e hábitos do artista e de sua família, assim como seu processo de trabalho. Também vale conhecer casas de grandes colecionadores para entender seu olhar, suas escolhas.

LEIA TAMBÉM

10 fatos sobre Frida Kahlo que você não sabia

Dedique um período do dia, depois vá fazer outra coisa

Menos é mais. É possível passar dias inteiros em grandes museus como o Metropolitan (Nova York), Louvre (Paris) ou British Museum (Londres). Mas observar obras de arte exige concentração e, depois de umas três horas, a mente e o corpo pifam. Escolha um período do dia para dedicar a um museu, seja de manhã ou à tarde. No resto do dia, faça algo totalmente diferente, de preferência ao ar livre.

Eu prefiro as manhãs

Se puder escolher, prefiro acordar, tomar um bom café da manhã e chegar ao museu por volta das 9h com a mente bem fresca e o corpo descansado. Lá pelo meio-dia, missão cumprida. É hora de almoçar e, se estiver de férias, brindar à arte tomando um bom vinho.

De noite o clima muda

Alguns museus abrem de noite uma vez por semana ou por mês. Pode até ficar bem cheio, mas o público é diferente, com pessoas que trabalham no horário comercial, e às vezes rola um certo clima de balada. E pode até pintar uma paquera, por que não?

Conforto em primeiro lugar

Se o plano é ir a um museu, vista sapatos e roupas confortáveis. Deixe bolsas e casacos mais pesados na chapelaria e vá de mãos livres, bem levinho.

Guarde o celular e nada de fotos

Evite a interferência de estímulos que nada têm a ver com a experiência única de visitar um museu. Respeite o seu momento e o das pessoas que estão em volta. E pra que fotografar quadros e esculturas? Se quiser uma lembrança do que viu, vá à loja do museu.

Meditando no museu

Correr, falar alto, discutir e tocar nas obras não combinam com uma visita ao museu. E, mesmo que esteja lotado, não fique nervoso nem tente disputar espaço com outras pessoas. Tente relaxar o corpo e a mente, como numa meditação. Ande devagar, com os pés bem plantados no chão, respire com consciência, relaxe os braços, os ombros, o rosto, destrave os dentes. Concentre-se no momento presente. Exerça a paciência e a gentileza.

Abra espaço para pensamentos e emoções

Quanto mais calmo e relaxado estiver, mais aberto para assimilar a experiência estética proposta pelas obras e perceber os pensamentos e as emoções que afloram. Se um quadro transmite paz ou uma sensação de prazer, sorria. Se mexe lá dentro, por que não soltar as lágrimas? Chorei muito quando descobri as dramáticas pinturas de Cy Twombly, o universo particular de Louise Bourgeois ou a força das esculturas de Rodin.

Uma obra de arte é um enigma

Tem muita gente que visita museus de forma mecânica. Mas a arte tem o poder de estimular todo um processo de questionamento. O que o autor está querendo dizer com aquele trabalho? O que esta obra provoca em mim? O que me faz sentir? Quando uma obra chamar sua atenção, dedique a ela um tempo maior. Busque decifrá-la.

Cena inicial de Síndrome de Stendhal (1996), de Dario Argento, em que a personagem sente vertigem ao ver obras de grande beleza da história da arte.

Ler ou não ler todo o material didático disponível?

Aí vai depender da personalidade de cada um. Tem gente que gosta de saber tudo sobre os artistas e as obras que estão vendo, o que, claro, demanda tempo. Outros preferem focar nas obras em si, sem tanta preocupação com o didatismo. Preferem que os olhos os levem e se deixam cooptar pelas obras aleatoriamente. Perceba o que funciona mais para você, não se sinta obrigado a nada.

Ouvir ou não os programas de áudio?

Eles trazem muitas informações relevantes, de forma agradável e estimulante. Mas exigem tempo por parte do visitante. A pior coisa que tem é ficar dividido entre ouvir e não ouvir ou tentar avançar o programa para ganhar tempo. Se optar por seguir o programa, vá até o final. Ou nem pegue o aparelhinho de áudio.

Acervo permanente ou exposição temporária?

Os grandes museus costumam ter áreas dedicadas ao acervo permanente e outras a mostras temporárias. As duas coisas valem a pena, mas, para aproveitar bem, foque no que o interesssa mais no momento. Mesmo dentro do acervo permanente, é preciso fazer escolhas. Opte por uma ou duas seções e mergulhe nelas.

LEIA TAMBÉM

Museu do vibrador: conheça algumas ferramentas antigas de prazer (FOTOS)

Por que as temporárias valem muito a pena?

Adorei uma exposição no Museu L’Orangerie (Paris) com quadros que grandes pintores fizeram tendo seus filhos como modelos. Além das obras, havia depoimentos em vídeo dos herdeiros. Muitos detestavam servir de modelo. Exposições como essa são imperdíveis porque têm tema definido e reúnem artistas que dialogam uns com os outros. Expõem peças de diversos museus ao redor do mundo, que dificilmente estarão juntas novamente. Aproveite para checar as etiquetas para saber onde mora cada obra.

Visitas guiadas e programas educativos

Conhecer um museu com um guia pode ser uma experiência muito enriquecedora. Vale a pena checar os programas educativos ou culturais disponíveis e, se tiver tempo, embarque num deles.

A vantagem de ir só

Estar só ajuda a se concentrar nas sensações e emoções que surgem durante a visita. É possível fazer tudo no seu ritmo, ir e voltar em ziguezague, parar o tempo que quiser ou mesmo se sentar em silêncio diante de uma obra incrível. Experimente.

Mas ir acompanhado pode ser muito bom

Museu também pode ser um ótimo lugar para aprofundar uma amizade, reforçar cumplicidades ou mesmo namorar. O ideal é ir com alguém com quem nos damos muito bem, temos interesses em comum ou que entenda bastante de arte. É muito gostoso trocar impressões sobre as obras, chamar atenção para um detalhe que passou desapercebido do outro (e vice-versa). Só não vale apressar o parceiro nem esperá-lo no final com cara feia.

LEIA TAMBÉM

12 razões para viajar com seus filhos ao redor do mundo

Museu é lugar de criança?

Claro, mas não como obrigação e sim como algo lúdico. Quanto antes a criança frequentar museus e exposições mais desenvolverá o olhar artístico durante a vida. Uma boa ideia é dar um livro com obras de arte para a criança pintar e, depois, levá-la para ver o original. Outra sugestão é escolher um tema para a criança procurar nas obras durante a visita. Ex: quadros com chapéus.

Última e melhor dica: 'Leve um quadro pra casa'

Já falamos: nada mais brega do que fotografar em museus. Mas tenho uma mania que sempre pratico. Em cada sala, escolho o quadro ou escultura que mais mexeu comigo, volto até ele e faço uma fotografia mental. Ao final do museu, escolho o campeão de todos “pra levar pra casa” em minha memória.

Fontes entrevistadas para fazer este post:

Stella Teixeira de Barros, curadora e autora

Maria Alice Milliet, curadora, crítica e autora

Tadeu Chiarelli, ex-diretor do MAC (Museu de Arte Contemporânea, em São Paulo)

Ana Lucia Lopes, coordenadora do Museu Afro Brasil (São Paulo)

Heitor Martins, ex-presidente da Fundação Bienal de São Paulo

Paulo Pasta, artista plástico

Klaus Mitteldörf, fotógrafo e cineasta

Patrícia Mello, escritora

Maria Ignez Barbosa, jornalista, autora e ex-embaixatriz do Brasil em Londres e Washington

Rubens Filho, publicitário

Theo Dias, advogado

Francisco Pedro, jornalista

Paulo Vinícius Pedro, professor de dança

Patrick White, editor do Huffington Post no Canadá

Sebastian Christ, editor do Huffington Post na Alemanha

Kazuhiko Kuze, editor do Huffington Post no Japão

Alexandre Phalippou e Alexis Ferenczi, editores do Huffington Post na França

Dohoon Kim, editor do Huffington Post na Coreia do Sul

Galeria de Fotos 50 museus não óbvios pelo mundo Veja Fotos