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28/08/2014 19:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Em dia de foto com global, Marina Silva se envolve em ‘guerra virtual' com o PT e esquenta disputa eleitoral (VÍDEOS)

Um vídeo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pede apoio a uma candidata chamada Marina gerou um substancial acirramento das relações entre militantes de PT e PSB – aqui incluídos também apoiadores da Rede Sustentabilidade – nesta quinta-feira (28). A razão é que o material editadocria a ideia de que Lula declararia apoio a Marina Silva, rival petista na disputa pelo Palácio do Planalto.

“Eu conheço a Marina há mais de 30 anos. Por isso, eu tenho certeza que ela é a candidata mais preparada para ajudar a combater as desigualdades sociais. Ela vai trabalhar para dar continuidade e ampliar os programas sociais do governo federal. E vai defender a reforma política que o Brasil tanto precisa”, diz Lula no vídeo, que conta com vinheta da campanha do PSB.

Bastante ativo nas redes sociais, o PT rapidamente reagiu. Primeiro o partido repudiou a montagem e postou o vídeo original, que trata de uma mensagem de apoio de Lula à candidata ao Senado pelo PT em Goiás, Marina Sant’Anna.

Mais tarde, o presidente do PT, Rui Falcão, concedeu uma entrevista coletiva em Brasília, no comitê de campanha da presidente Dilma Rousseff, na qual repudiou a veiculação do material na internet e prometeu tomas as medidas cabíveis para que o vídeo seja retirado do ar o mais rápido possível.

Ele evitou, porém, tecer acusações contra quem quer que seja. Mais precisamente: ele não fez comentários diretos contra a campanha de Marina Silva.

Do outro lado, Marina Silva ficou sabendo da polêmica e classificou o vídeo como “tosco e fraudulento”, em postagem na sua página no Facebook. Além disso, a coligação prometeu acionar o Ministério Público e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), visando “a abertura de inquérito e das demais providências necessárias visando à identificação da origem e do responsável pela montagem e veiculação”.

Além disso, Marina também soltou uma nota oficial sobre um vídeo divulgado no You Tube, no qual vários artistas declaram apoio a ela.

De acordo com a candidata, o material “não foi produzido ou divulgado pela campanha atual da ex-senadora”.

E pensar que, pelo menos do lado peesebista, o dia era de tranquilidade. Não por acaso, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque posaram com gosto ao lado do ator global Caio Castro, com Albuquerque comentando ainda que “as gurias do Brasil estão certas, ele é bonitão mesmo”, comentou em sua página no Facebook.

Voltando ao cenário eleitoral, os ânimos devem seguir acirrados até a votação do primeiro turno, no dia 5 de outubro. Rui Falcão tentou ainda se mostrar tranquilo quanto aos mais recentes números que apontam a aproximação de Marina e a vitória dela sobre Dilma em um eventual segundo turno. “O dado mais novo que tem nessa pesquisa é a comprovação de algo que eu dizia, que ia ter o segundo turno. Vamos trabalhar pela vitória, de preferência no primeiro turno e, se necessário, no segundo turno (...). Segundo turno é outra eleição”, comentou.

A meta de desconstruir a figura de Marina Silva, tanto por parte de petistas quanto de tucanos, continua. Tudo para cada partido não correr o risco do "vexame" que seria ficar fora do segundo turno.

Coordenador espera mais doações para Marina

O coordenador do comitê financeiro da campanha de Marina Silva, deputado Márcio França (SP), disse que o bom posicionamento da candidata nas pesquisas de intenção de voto aumentou a procura de empresários querendo colaborar financeiramente. A perspectiva de mudança no cenário econômico e político, segundo França, tem motivado até representantes do agronegócio a prometer doações para a campanha.

“Ela é a favorita hoje, por isso tem muita gente procurando. Não tenho preocupação com relação ao financeiro da campanha”, disse França. O deputado revelou que, com as pesquisas apontando Marina em segundo lugar e com chances reais de vencer a petista Dilma Rousseff num eventual segundo turno, os empresários têm manifestado o desejo de conhecer pessoalmente a candidata e concretizar a doação financeira.

“Ela passa a imagem de seriedade aos empresários”, concluiu. Com a morte do então candidato Eduardo Campos no dia 13 de agosto, o comitê financeiro da campanha foi trocado em virtude da mudança da cabeça de chapa. Após o pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de registro da candidatura de Marina e do deputado Beto Albuquerque (RS) como vice, só hoje a campanha conseguiu um CNPJ e a expectativa é de que nesta sexta-feira, 29 a conta bancária seja aberta.

Desde o acidente que vitimou Campos e outras seis pessoas em Santos, no litoral paulista, a campanha parou de receber volumes expressivos de doação. Embora França diga que Campos não tinha problemas financeiros, fontes afirmam que a segunda prestação de contas ao TSE deve revelar um saldo inferior a R$ 1 milhão (que deve ser transferido para a nova conta da campanha). Na primeira prestação de contas, Campos declarou ter arrecadado R$ 8,2 milhões e um gasto total de R$ 5,23 milhões.

Mesmo com a expectativa de aumento da arrecadação, na página oficial da campanha de Marina há um destaque especial para a doação de pessoa física. “A nova política precisa do seu apoio. A sua doação é muito importante para a nossa caminhada”, diz o texto.

(Com Estadão Conteúdo)

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