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26/08/2014 17:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

PSB afirma que jato em que Eduardo Campos morreu seria declarado à Justiça Eleitoral no final da campanha

Motta Jr. / Futura Press / Estadão Conteúdo

O Partido Socialista Brasileiro divulgou uma nota oficial em seu site afirmando que o jatinho em que Eduardo Campos morreu no dia 13 de agosto teve o uso autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira e seria usado até o final da campanha.

O partido afirmou que pretendia contabilizar o uso antes da última prestação de contas à Justiça Eleitoral, somando as horas voadas e emitido recibo final. O PSB alegou que as dificuldades no levantamento de informações sobre o jatinho se devem ao inesperado acidente que resultou na morte de Campos.

João Carlos Lyra e Apolo Santana Vieira eram amigos pessoais de Campos. Desde maio desde ano, quando começou a ser usado na campanha, o jatinho estava no nome de João Carlos Lyra, de acordo com documento enviado pela empresa AF Andrade Empreendimentos à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A companhia havia comprado o avião em um leasing, espécie de financiamento, informa registro na Anac.

Novela aérea

O grupo A. F. Andrade está em recuperação judicial, com dívidas de R$ 341 milhões. Quando Lyra comprou a aeronave, indicou as empresas BR Par e Bandeirantes Pneus para assumir dívidas de US$ 7 milhões junto à Cesnna, fabricante do jatinho. A BR Par não existe no endereço que aparece em seu registro oficial e a Bandeirantes foi recusada pela Cesnna por falta de capacidade de pagamento.

Segundo o Código Brasileiro de Aviação, a responsabilidade pelos danos causados em um acidente de aeronave particular é de seu dono. Só a academia atingida em Santos calcula prejuízo de R$ 1,5 milhão, informou o Jornal Nacional. A reportagem procurou Lyra, mas não encontrou o empresário em sua residência na orla de Recife.

Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo afirmou que a Polícia Federal irá investigar se a aeronava foi comprada com dinheiro de caixa dois de companhias ou do PSB. Segundo o jornal, o avião precisaria ter sido doado para a campanha para poder transportar o candidato. A estimativa das despesas com voos é de R$ 1,2 milhão.

Em resposta, a Polícia Federal publicou nota nesta terça-feira (26) informando que investigações sobre crimes eleitorais só podem ser iniciadas após requisição ou autorização da Justiça Eleitoral e que, portanto, a suspeita de caixa dois não está na apuração da PF.