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23/08/2014 12:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Conhecida por diversa gafes na campanha ao governo do Distrito Federal em 2010, Weslian Roriz está de volta nas eleições 2014

Celso Júnior / Estadão Conteúdo

Depois de diversas gafes nas eleições de 2010, Weslian Roriz está de volta. Agora, como primeira suplente do candidato a reelieção ao Senado pelo Distrito Federal Gim Argello (PTB). O senador assumiu a cadeira do marido de Weslian, Joaquim Roriz, no Congresso Nacional, em 2007, após sua renúncia para escapar de cassação por quebra de decoro parlamentar.

Weslian ficou conhecida após cometer várias gafes durante a campanha ao governo do Distrito Federal em 2010. A curiosa candidata assumiu o posto no lugar do marido, Joaquim Roriz, uma semana antes das eleições. Ele desistiu de concorrer ao governo do DF após ter sua candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa. Roriz participou de escândalo de pagamento de propina envolvendo o Banco de Brasília e do chamado “Mensalão do DEM”, esquema de compra de votos que resultou na prisão do ex-governador do DF José Roberto Arruda.

Logo no começo do primeiro debate do qual participou na campanha em 2010, Weslian Roriz soltou sua gafe mais famosa: “vou defender toda essa corrupção”. Foram tantas gafes que a candidata foi o terceiro tópico mais comentado do Twitter durante o debate.

A esposa de Roriz se enrolou durante todo o evento, com dificuldades de encontrar as anotações feitas por seus assessores. Weslian cometeu diversos erros de português, principalmente de concordânia e tinha dificuldades de formular frases coerentes. Ao fazer uma pergunta ao candidato Toninho (PSOL) sobre um tema diferente do determinado pelas regras do debate, Weslian se justificou. “É a falta de prática”. Em seguida, emendou “Qual foi o tema mesmo?”.

A confusão continuou quando Weslian foi questionada por Agnelo Queiroz (PT) sobre segurança púbica. Ela revirou seus papéis por alguns segundos e respondeu “eu gostaria de dar uma resposta para o senhor muito franca, que eu gostaria que o senhor repetisse pra mim qual foi mesmo a pergunta que o senhor fez”.

Na hora de responder a um questionamento de Agnelo sobre transporte público, Weslian se limitou a dizer que “tudo vai ter o seu dia e o seu lugar na hora certa” e emendou um discurso contra o aborto. O candidato petista reclamou que ela fugiu do tema, mas Weslian manteve a mesma postura. “A pergunta que o senhor fez do transporte eu respondi que tudo tem sua hora. Agora eu sou cristã e sou a favor da vida. O senhor não me deu essa resposta". Ao final, Agnelo disse ser contra o aborto.

Mesmo passando pelos constrangimentos, Weslian disse ter gostando de particpar do debate. "Eu fiquei tão feliz de chegar aqui. Aqui é tudo azul, maravilhoso”, finalizou.

Fiasco televisivo

O desempenho da candidata não foi muito melhor em suas outras participações em telejornais. No debate no SBT Brasília, Weslian cometeu vários erros de português, como “se não tivesse o metrô seria muito mais pior o trânsito”. As confusões em organizar suas ideias também continuaram. Ao querer defender que a decisão de concorrer ao governo foi sua, Weslian disse que “eu estava atenta (à gestão de Roriz) porque eu tinha certeza que ele vai ficar feliz na minha candidatura se eu eleita for".

As frases conservadores também estiveram presentes. "Eu vou governar, mas vou governar com amor porque eu sei governar como uma mulher de família que eu sou", disse a candidata que foi dona de casa durante a maior parte de sua vida.

Sentimento foi o que não faltou no discurso, mesmo quando o tema era edução. “Essas escolas, se faltarem alguma coisa, pode até ter faltado, mas o amor e o carinho meu nunca (faltaram)".

Para finalizar, Weslian fechou com “assim como falaram todos os candidatos que querem fazer coisa boa para Brasília, a mesma coisa eu quero. Assino embaixo de todos eles que fizeram. É isso mesmo que eu quero fazer”.

Quase governadora

Um dos caciques da política local, Roriz foi nomeado governador em 1988 pelo então presidente José Sarney, quando o DF ainda não tinha eleições próprias. Venceu as eleições em 1990 e voltou ao governo em 1998, sendo reeleito em 2002.

Sua herença política fez Weslian chegar ao segundo turno, com apoio de mais de 400 mil eleitores, o equivalente a 31,49% dos votos válidos no primeiro turno. A saída de Roriz foi tão próxima das eleições que sua foto na urna não foi substituída pela de sua esposa.

Já no segundo turno, Weslian perdeu para Agnelo Queiroz (PT), que teve 66,10% dos votos, contra 33,90% da candidata. Na época, ela concorreu pelo PSC.

Nascida em Goiânia, Weslian do Perpétuo Socorro Peles Roriz é filiada ao PRTB, tem ensino médio completo e se entitula empresária no registro do TSE. Sua declaração de bens soma R$ 659.591,16 e inclui quatro carros, nenhum imóvel e uma conta corrente com saldo de R$1,00, dentre outros.

Sua filha Jaqueline Roriz, também tenta ser eleita em 2014. Candidata a deputada federal pelo PMN, teve seu registro barrado pela Justiça Eleitoral, com base na Lei da Ficha Limpa. Jaqueline foi condenada por improbidade administrativa por também estar envolvida no Mensalão do DEM.

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